Healthcare,,Treatment,And,Medicine,Concept,-,Bottle,Of,Medication,Or

A adesão ao tratamento farmacológico depende muitas vezes da administração de medicamento em formas farmacêuticas adequadas ao paciente.

Frequentemente, as especialidades farmacêuticas comercializadas não atendem às necessidades específicas de determinados grupos de pacientes.

Crianças e idosos necessitam de doses diferenciadas e, com frequência, apresentam dificuldade de deglutição de comprimidos e cápsulas.

Pesquisa realizada com 6158 pessoas na Noruega constatou que cerca de 26% da população entrevistada tinha dificuldade de deglutir comprimidos.

Para aumentar a compliance é muitas vezes necessário que o medicamento seja preparado na forma líquida. Entretanto, somente uma pequena parte dos fármacos está disponível como especialidade farmacêutica na forma de preparações líquidas pediátricas.

A maioria dos medicamentos industrializados é, por motivos comerciais ou de estabilidade, exclusivamente comercializada em formas farmacêuticas sólidas, tais como comprimidos e cápsulas em doses destinadas à população adulta.

(Ferreira & Souza, 2007)

Porque não devemos triturar um comprimido ou verter o conteúdo de uma cápsula para preparar medicamentos líquidos em casa?

A prática de triturar comprimidos ou abrir cápsulas e adicionar o pó a uma bebida palatável, ou polvilhar o pó sobre um alimento sólido imediatamente antes da ingestão, pode ser apropriada ou necessária sob certas circunstâncias.

Entretanto, torna difícil assegurar a obtenção da dose completa. Além disso, a trituração de medicamentos formulados em formas farmacêuticas de liberação entérica, controlada ou que recebeu um revestimento para proteger o fármaco da oxidação ou umidade, pode comprometer de maneira drástica o tratamento farmacológico.

Isso porque um fármaco que é incluído numa formulação de liberação entérica é, geralmente, irritante para a mucosa gástrica ou o pH do estômago é capaz de inativar parcial ou totalmente o fármaco. Ao ser triturado para ser adicionado numa preparação líquida, este princípio ativo irá irritar o estômago ou será inativado parcial ou totalmente, conforme for o caso.

Um fármaco incluído numa formulação para liberação controlada, ao ser triturado, irá se comportar como se fosse de liberação imediata. Se se tratar de um anti-hipertensivo, por exemplo, a dose que seria liberada ao longo de 12 ou 24hrs, será liberada de uma única vez, expondo o paciente ao risco de uma crise hipotensiva.

Se o fármaco for uma molécula que oxida facillmente, ao ser triturado e adicionado numa formulação líquida, vai perder o revestimento protetor e sofrerá reação de oxidação no veículo, podendo perder parcial ou totalmente sua atividade farmacológica.

Medicamentos líquidos devem ser preparados, sempre que possível, a partir da substância pura e não de uma especialidade farmacêutica, ou seja, de um medicamento industrializado.

A farmácia de manipulação é o estabelecimento especializado para a preparação segura desse tipo de medicamento.

(Ferreira & Souza, 2007)

Xarope como veículo para medicamentos de uso pediátrico

Xaropes são, por definição, preparações concentradas à base de açucar com no mínimo 45% de sacarose em sua composição. Uma quantidade bastante elevada, principalmente se considerarmos que essa é a quantidade mínima.

No entanto, nos últimos anos, a sacarose tem sido substituída parcial ou totalmente nas formulações de xarope por adoçantes não calóricos, uma vez que o consumo de grandes quantidades de açucar está relacionada com o aumento do risco de obesidade infantil, de cárie dental, entre outros malefícios para a saúde.

Na Farmácia Artesanal, além do xarope tradicional com açucar em sua composição, oferecemos também como opções:

  • Xarope com Xilitol
  • Xarope com Eritritol
  • Xarope com Estévia

Todos esses adoçantes são reconhecidamente seguros para o uso infantil. Alem disso, o xilitol é capaz de inibir o crescimento da bactéria Streptococcus mutans, causadora da cárie. Assim sendo, o consumo de xilitol tem um efeito protetor contra o surgimento de cárie dental.

Diferenciais dos xaropes manipulados

  • Composição personalizada;
  • Dose individualizada;
  • Volume de acordo com a prescrição médica, evitando sobras e minimizando o risco de auto-medicação;
  • Medicamentos não comercializados pela indústria podem ser formulados pela farmácia;
  • Adição de sabor de acordo com as preferências do paciente;
  • Necessidades especiais atendidas (sem açucar, corante ou conservante químico)

Princípios ativos incorporados em xaropes pediátricos

Loratadina

A loratadina é um anti-histamínico tricíclico potente, de ação prolongada, com atividade antagônica seletiva sobre os receptores H1 localizados principalmente nas células do músculo liso respiratório, nas células endoteliais, no trato gastrointestinal e nas células do sistema imunológico.

É indicada para tratamento de manifestações alérgicas diversas, rinite (alérgica ou vasomotora), coriza, espirros, rinorréia, edema de Quincke, urticária, prurido, angioedema e outras.

Desloratadina

A desloratadina é o principal metabólito ativo da loratadina, é um potente antagonista seletivo de receptores histamínicos (H1), sem efeito sedativo, de ação prolongada.

A desloratadina apresenta atividade anti-histamínica (antialérgica) e anti-inflamatória.

Hidroxizina

A hidroxizina é uma droga anti-histamínica (antialérgica) potente, apresentando ação antipruriginosa (anticoceira).

A sua ação inicia-se em 15 a 30 minutos após a administração e dura de 4 a 6 horas. A hidroxizina é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal (estômago e intestino) e metabolizada no fígado em vários metabólitos.  É eliminada principalmente pela urina.

A hidroxizina liga-se aos receptores H1 presentes em células de defesa e inibe a liberação da histamina. A histamina é o mais importante mediador produzido por essas células em quadros alérgicos. É responsável pelo prurido (coceira) relacionado aos quadros alérgicos.

A atividade da hidroxizina sobre o sistema nervoso central pode também contribuir para sua proeminente ação anti-coceira.

(Goodman & Gilman, 2012)

N-acetilcisteína

É um precursor do aminoácido L-cisteína e, consequentemente, do antioxidante glutationa (GSH). Atua diretamente na eliminação direta de espécies reativas de oxigênio (ROS) e também na inibição de estímulo do fator nuclear kappa de células B ativadas (NF-κB) e, com isso, diminui a expressão de citocinas pró-inflamatórias.

Possui importante ação mucolítica e expectorante. Fluidififica as secreções e alivia os sintomas relacionados a alergias e congestionamento das vias aéreas do trato respiratório.

(Goodman & Gilman, 2012)

Cloreto de potássio

O potássio é um cátion de predominância intracelular envolvido na manutenção da excitabilidade do sistema nervoso e muscular.

O potássio também desempenha importante papel na gênese e na correção dos desequilíbrios do metabolismo ácido-básico.

Os sais de potássio são, portanto, importantes agentes terapêuticos. O cloreto de potássio é o sal preferido na maioria das situações, em vista da freqüência com que coexistem os défificit’s de potássio e cloreto.

Os sais de potássio em geral, são bem absorvidos pelo sistema digestório. É excretado, principalmente, pela via renal e, em menor quantidade, pelo suor.

A capacidade dos rins para conservar o potássio é ruim, e a excreção urinária do potássio continua parcialmente, inclusive quando há uma diminuição acentuada.

(Goodman & Gilman, 2012)

Tinturas vegetais

Substância ativa Propriedades
Tintura de Curcuma longa Anti-inflamatória e antioxidante
Tintura de assa-peixe (Vernonia polysphaera) Antimicrobiana, expectorante e antitussígena
Tintura de agrião (Nasturtium officinale) Antimicrobiana, expectorante e antitussígena
Tintura de guaco (Mikania glomerata) Expectorante
Tintura de própolis (Apis mellifera) Antimicrobiana, anti-inflamatória e cicatrizante
Tintura de hortelã (Mentha piperita) Antimicrobiana, anti-inflamatória, antitussígena e expectorante

(Schilcher, 2005;  UFMG, 2020)

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Referências

Goodman & Gilman. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12ª edição. Rio de Janeiro, McGraw-Hill, 2012..

Ferreira, A.O., Souza, G.F. Preparações orais líquidas. 2º edição. São Paulo, Pharmabook, 2007.

Schilcher, Heinz. Fitoterapia na Pediatria. Guia para Médicos e Farmacêuticos. Revisado e Ampliado da 4ª Edição Alemã, Editora Ciências Brasilis, 2005.

Universidade Federal de Minas Gerais. Laboratório de Farmacognosia e Homeopatia da UFMG (gnosiaH). Plantas medicinais e fitoterápicos que podem ser usados durante a COVID-19, Belo Horizonte, MG, 2020.

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