Uso do Metilfolato

O uso do metilfolato e sua atuação em diferentes vias e diversos benefícios

O Uso do metilfolato tem, entre suas ações, efeitos no cérebro. O folato é uma vitamina do complexo B naturalmente presente em alimentos e vitaminas, necessária no cérebro para a síntese de neurotransmissores, noradrenalina, serotonina e dopamina. Três formas de folato são geralmente utilizadas: ácido fólico, 5-metiltetrahidrofolato (5-MTHF) (L-metilfolato e metilfolato) e ácido folínico (FAVA & MISCHOULON, 2009; ROFFMAN et al., 2018; SHELTON et al., 2013).

O ácido fólico sintético e o di-hidrofolato são metabolizados no corpo em L-5-metiltetrahidrofolato (L-5-MTHF), também conhecido como L –metilfolato, é a única forma de folato que consegue atravessar a barreira hematoencefálica.

O L- metilfolato é um co-fator importante para a síntese de monoaminas, serotonina, dopamina e norepinefrina, sendo estas envolvidas na regulação do humor e nos mecanismos de ação relacionados aos antidepressivos, assim é possível perceber sua atuação em diferentes vias e seus diversos benefícios (SHELTON et al., 2013; ROFFMAN et al., 2018).

O metilfolato é um nutriente essencial para a replicação do DNA e age como um substrato para uma série de reações enzimáticas envolvidas na síntese de aminoácidos e vitaminas. O folato tem tido relação clinica com a redução dos sintomas da depressão, no entanto, tem sido utilizado em associação com antidepressivos para melhora do quadro. No organismo tem apresentado segurança e boa tolerância (FAVA & MISCHOULON, 2009; GREENBERG et al., 2011).

Benefícios da suplementação de metilfolato

    • Previne quadros anêmicos em mulheres na gestação;
    • Reduz níveis de homocisteina no organismo;
    • Coadjuvante na terapêutica para tratar a depressão;
    • Reduz danos congênitos ao feto;
    • Atua na síntese de neurotransmissores;
    • Regulação do metabolismo da homocisteina;
    • A suplementação periconcepcional protege de complicações tardias na gestação;
    • Melhora parâmetros ligados ao humor;

Metilfolato e seu papel regulador nos níveis de homocisteína

O metilfolato possui um ampla abordagem terapêutica, na cardiologia, pois o metilfolato e seu papel regulador nos níveis de homocisteina podem ser percebidos. A homocisteína é um aminoácido sulfurado sintetizado pelo organismo, porém não é utilizado para a síntese de proteínas e este pode se acumular no organismo.

O metilfolato é um intermediário da via metabólica da metionina. Altos níveis de homocisteína no sangue pode levar a ocorrência de danos ao endotélio vacular, podendo ainda desencadear acidente vascular cerebral e outras desordens cardiovasculares (JI et al., 2013; GARCIA et al., 2007).

No meio intracelular o metilfolato atua como um doador de metila para a remetilação da homocisteina, reduzindo seus níveis no organismo. Níveis mais altos de folato, a homocisteína é reciclada novamente em metionina, reduzindo seus níveis plasmáticos (BLOM & SMULDERS, 2011).

Uma avaliação de ensaios clínicos publicados antes de 2012, avaliaram a relação entre a redução dos níveis de homocisteína pelo metil folato, e o risco de ocorrência de doenças cerebrovasculares. Foram incluídos 14 ensaios clínicos randomizados com 54.913 participantes nesta análise.

Após as análises, observo-se que a redução da homocisteína resultou em significativa diminuição de acidente vacular cerebral (AVC), especialmente em indivíduos com determinadas características que receberam medidas de intervenção adequadas (JI et al., 2013).

Metilfolato e seus potenciais efeitos sobre a depressão

A depressão é uma condição clinica comum, aonde uma em cada quatro indivíduos vai sofrer de depressão em sua vida. Ela pode ser debilitante, mas é tratável, porém, alguns indivíduos podem não responder ao tratamento com antidepressivos. Os tratamentos com antidepressivos apresentam limitações, fazendo com que novas alternativas terapêuticas sejam pesquisadas (FAVA, 2007; DUMAN, 2017).

A suplementação com metilfolato e seus potenciais efeitos sobre a depressão podem ser percebidos devido a resultados satisfatórios com a terapêutica para tratar a depressão, ajudando a reduzir os sintomas do quadro depressivo, uma vez que consegue atuar no estimulo dos neutotransmissores.

O metilfolato associado a inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) melhora sintomas ligados ao estado de depressão (ROFFMAN et al., 2018; FAVA, 2007).

Segundo Fava (2007) a suplementação com metilfolato pode ser uma estratégia viável para ser utilizada em pacientes com baixo níveis plasmáticos de folato e para aqueles:

    • Pacientes que buscam uma melhor eficácia no tratamento com antidepressivos e naqueles indivíduos que não respondem aos tratamentos convencionais;
    • Permitir que aqueles que respondem parcialmente à monoterapia antidepressiva atinjam uma melhora significativa do quadro depressivo;
    • Promover alivio dos sintomas residuais durante o tratamento antidepressivo.

Um estudo realizado em pacientes com quadro de depressão e apresentando níveis limitroficos ou definitivamente reduzidos de folato (níveis de folato nos glóbulos vermelhos <200 pg/mL). Os pacientes foram suplementados com 15 mg de metilfolato por período de 6 meses.

Nos resultados foi possível perceber a melhora do quadro no período de 3 e 6 meses (REYNOLDS, 2013).

Papakostas e colaboradores (2012) realizaram dois estudos multicêntricos de design de comparação sequenciais paralelos para investigar o efeito do aumento do L-metilfolato no tratamento do transtorno depressivo maior em pacientes que tiveram uma resposta parcial ou nenhuma resposta aos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS).

A primeira comparação realizada foi entre o L-metilfolato a 7,5 mg/dia e o placebo em 148 pacientes com depressão não-psicótica unipolar. Todos os pacientes realizaram um teste de 8 semanas antes do fracasso no tratamento com um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS).

O metilfolato 7,5 mg/dia, não foi mais eficaz do que o placebo, mas a eficácia foi sugerida por um pequeno grupo de pacientes do ensaio, que foram tratados com 15 mg/dia. Com base nessa constatação, um segundo experimento foi conduzido em 75 pacientes utilizando metilfolato 15 mg/dia ou placebo (PAPAKOSTAS, 2012).

A diferença nas taxas de resposta entre L-metilfolato 15 mg/dia e placebo (32,3% e 14,6%, respectivamente) foi expressiva e significativa. O metilfolato 15 mg/dia pode constituir uma eficaz, segura e relativamente bem tolerada estratégia de tratamento para pacientes com transtorno depressivo elevado que têm uma resposta parcial ou nenhuma resposta aos ISRS, sendo assim, o metilfolato e seus ponteciais efeitos sobre a depressão pode ser evidenciado (PAPAKOSTAS, 2012).

Shelton e colaboradores (2013) apontaram em estudo que pacientes com quadro de depressão que apresentavam deficiência de folato tiveram quadros acentuados de depressão quando comparado a outros pacientes com apenas níveis reduzidos de folato.

Estudos apontaram para a relação entre a difiencia de folato e distúrbios neuropsiquiátricos. Os sintomas depressivos é a manifestação neuropsiquiátrica mais comum da deficiência de folato, ou seja, pacientes deprimidos com deficiência de folato apresentaram pior resposta ao tratamento padrão com antidepressivos.

Portanto, para pacientes com níveis baixos de folato no plasma ou no eritrócito, o aumento de folato durante o tratamento com antidepressivos pode melhorar os resultados dos pacientes (SHELTON et al., 2013).

A biodisponibilidade do L- metilfolato é maior em comparação ao ácido fólico. Além disso, estudos apontaram que até 70% dos pacientescom depressão têm uma variante genética da enzima metilenetetrahidrofolato redutase (L-5-MTHF), sendo assim, compromete a capacidade de converter folato obtido pela dieta ou ácido fólico sintético em L- metilfolato.

A suplementação com L- metilfolato pode, assim, melhorar a resposta a antidepressivos que afetam as monoaminas em pacientes deprimidos que não respondem adequadamente aos tratamentos (SHELTON et al., 2013; ROFFMAN et al., 2018).

Atuação do metilfolato na gravidez

O folato (vitamina B9), é um nutriente essencial que é necessário para a replicação do DNA e como um substrato para uma série de reações enzimáticas envolvidas na síntese de aminoácidos e o metabolismo da vitamina. Durante a gravidez há uma demanda aumentada de folato no organismo, sendo este necessário para o desenvolvimento do feto.

A deficiência de ácido fólico tem sido correlacionada com anormalidades na gestante (anemia, neuropatia periférica) e no feto (anomalias congênitas) (GREENBERG et al., 2011).

O papel do ácido fólico na gravidez está bem estabelecido, com grande parte das vitaminas pré-natais (VPNs) no mercado contendo pelo menos 800 mcg de ácido fólico. O ácido fólico é metabolizado a L-metilfolato, a forma biologicamente ativa do folato no roganismo. O papel da vitamina B12 na gravidez é menos caracterizado, e a maioria das formulações de VPN contém apenas 0-12 μg.

Um estudo foi realizado para avaliar se a ingestão de um suplemento contendo L-metilfolato e doses muito mais elevadas de vitamina B12 resultaria em níveis mais elevados de hemoglobina e, portanto, uma menor incidência de anemia durante a gravidez (BENTLEY et al., 2011).

Para esta análise retrospectiva, foram considerados 112 prontuários de 58 pacientes do sexo feminino, das quais (51,8%) estavam tomando o suplemento e 54 pacientes (48,2%) estavam tomando VPNs padrão. A média de idade na primeira visita pré-natal foi de 27 anos no grupo suplementado e 28,8 anos no grupo VPN (P = 0,024). Níveis de hemoglobina no início do pré-natal, ao final do segundo trimestre e no parto foram registrados (BENTLEY et al., 2011).

Ao final do segundo trimestre e no momento do parto, a média dos níveis de hemoglobina foram maiores no grupo suplementado (11,8 g / dL e 11,8 g / dL, respectivamente) do que no grupo VPN (11.3 [1.2] g / dL e 10,7 [1,2] g / dL) (P = 0,011 e P = 0,001, respectivamente).

De forma significativa, menos casos de anemia foram relatados no final do segundo trimestre, no grupo de alimentos médica pré-natal do que no grupo VPN (39,7% vs 74,1%, P = 0,001). Com base nestes resultados, concluiu-se que a suplementação alimentar pré-natal contendo L-metilfolato e altas doses de vitamina B12 pode manter os níveis de hemoglobina e diminuir as taxas de anemia na gravidez de forma mais eficaz do que as vitaminas pré-natais normais (BENTLEY et al., 2011).

Em um estudo realizado por Lamers e colaboradores (2004), mulheres saudáveis foram distribuídas aleatoriamente para consumir de 400 μg de ácido fólico, 416 μg de L-metilfolato (a dose bioequivalente de ácido fólico) e 208 mg de L-metilfolato (metade da dose).

Cada grupo experimentou aumentos de folato no plasma e diminuição das concentrações de homocisteína. A dose mais baixa de L-metilfolato teve um aumento significativamente menor no plasma do folato em comparação com os outros dois grupos. Estes resultados sugerem que a L-metilfolato é bioativa e se comporta de maneira previsível, aumentando os níveis plasmáticos de folato e diminuindo homocisteína.

De acordo com estudos a suplementação de metilfolato é benéfica em diversos públicos, uma vez que o metilfoalto consegue atuar em diferentes moléculas e ainda afetar a síntese de neurotransmissores. Seu uso também esta ligado a melhores resultados nos níveis hematológicos, bem como, níveis de hemoglobina e relação com melhora dos parâmetros ligados aos eritrócitos.

O uso de metilfolato ainda se mostrou vantajoso na gestação, pois impede alterações no tubo neural, uma vez que consegue atuar na melhora dos padrões eritrocitários tendo maior quantidade de folato disponível (GREENBERG et al., 2011).

Uso do metilfolato na gestação, tratamento da depressão e na redução de homocisteina. A suplementação de folato traz ainda benefícios na redução de níveis de homocisteina no organismo, por meio da regulação do metabolismo do folato e da metionina.

Seu uso ainda é benéfico, sendo um coadjuvante no tratamento da depressão, pois consegue atuar na síntese de neurotransmissores. A suplementação ainda pode ser por modo preventivo em mulheres em idade fértil que desejam engravidar e se encontram com essa expectativa (GREENBERG et al., 2011; SHELTON et al., 2013; ROFFMAN et al., 2018).

Referencias

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    15. Shelton, R. C., Sloan Manning, J., Barrentine, L. W., & Tipa, E. V. Assessing Effects of l-Methylfolate in Depression Management: Results of a Real-World Patient Experience Trial. The primary care companion for CNS disorders. 15(4), PCC.13m01520, 2013.

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