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Tratar a obesidade pode ser desafiador, pois fatores ambientais e comportamentais, podem contribuir no aumento do peso

Nem todos os pacientes respondem da mesma forma ao tratamento proposto, por isso, é importante buscar a personalização da terapêutica com a finalidade de alcançar resultados significativos. Abordaremos aqui diferentes opções terapêuticas e variados mecanismos para tratar a obesidade, bem como, das complicações decorrentes da obesidade.

A personalização da terapêutica  para tratar a obesidade pode promover resultados significativos sobre as complicações decorrentes da obesidade

Por que tratar a obesidade

As complicações derivadas da obesidade é uma das grandes preocupações da clínica médica, também conhecida como síndrome metabólica, pois, mudanças em todo o organismo é induzido devido a alteração metabólica provocada pela obesidade e com isso diversos sistemas são afetados.

  • Maior risco cardiovascular;
  • Alteração do humor e depressão;
  • Aumento da resistência à insulina;
  • Dislipidemia e hiperglicemia;
  • Desordens do sistema circulatório;
  • Mudanças na coluna vertebral e articulações;
  • Alteração no trato digestivo, cálculos biliares e na vesícula e refluxo;
  • Distúrbios do sono;
  • Desordens hormonais.

(Wharton et al., 2020)

Vantagens da perda de peso

A manutenção do peso adequado e o equilíbrio entre a quantidade de calorias que é ingerida e o gasto energético, é uma reivindicação para o alcance da redução de fatores de risco e prejuízos provocados pela obesidade.

Redução de mediadores pró-inflamatórios e do estresse oxidativo é uma considerável alternativa para diminuir o risco cardiovascular e de complicações da circulação, sendo estas comumente presente em pacientes obesos.

Outra vantagem da perda de peso  é a redução da resistência à insulina, contribuir para a otimização da secreção e ação da insulina no organismo, bem como da diminuição da pressão arterial.

(Cercato; Fonseca, 2019)

Benefícios dos mecanismos hormonais para tratar a obesidade

Os hormônios ligados a saciedade atuam por meio de informações transmitidas ao hipotálamo sobre os níveis energéticos às células cerebrais, que interagem com o sistema de recompensa e desse modo, influenciam na necessidade ou não de ingestão de alimentos.

A atuação destes hormônios e peptídeos promovem regulação do apetite, do comportamento alimentar e do gasto energético e com isso pode atuar  sobre vias ligadas a dopamina promovendo redução do peso e equilíbrio de processos metabólicos.

(Cercato; Fonseca, 2019; Wharton et al., 2020)

Fig. 1- Hormônios que atuam no controle do apetite

controle da fome e apetite

Principais hormônios para tratar a obesidade

  • Leptina- É um hormônio anorexígeno e antiobesidade, que atua a partir do tecido adiposo, regulando o metabolismo lipídico, reduzindo  o estímulo do apetite e induz aumento de alfa-melanócitos, e dessa forma reduz a ingestão de alimentos.
  • Insulina – Após as refeições, os níveis de glicose aumentam e com efeito a secreção de insulina é ativada. A ligação da insulina a receptores no hipotálamo  promove diminuição da ingestão alimentar. Todavia a insulina é sensível aos seus níveis de concentração, que podem variar conforme a quantidade de tecido adiposo presente no organismos, por isso, grande parte dos pacientes com excesso de peso apresentam resistência à insulina.
  • Colecistoquinina (CCK) –  Outro hormônio peptídico intestinal e um neuropeptídeo cerebral responsável por estimular a digestão, retardar o esvaziamento gástrico, induzir  motilidade intestinal, aumentar a estimulação das enzimas digestivas pancreáticas, biliares e da vesícula biliar, desse modo, promove regulação e controle do apetite.
  • Peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) – Também é um hormônio intestinal, é liberado junto com o PYY, posteriormente, às refeições. Participa no estímulo da secreção de insulina, na preservação e manutenção da atividade de células β pancreáticas, na supressão do glucagon e do apetite.

Entre outros benefícios do GLP-1 encontram-se, protetor cardiovascular inibindo a trombose, prevenção da aterogênese através de reduzir processos inflamatórios vasculares e estresse oxidativo.

  • Peptídeo YY (PYY) – É um peptídeo intestinal pequeno que atua em resposta a alimentação e através do ciclo anorexígeno no hipotálamo, tendo como resultado diminuição da motilidade intestinal, da vesícula biliar e  do esvaziamento gástrico, dessa forma reduz o apetite de acordo com o aumento da saciedade.
  • Grelina – É um peptídeo intestinal, possui ação rápida e orexígena, atua na etapa inicial da ingestão alimentar. Devido a sua atuação sobre receptores no hipotálamo, promove também efeitos metabólicos, inibindo a secreção de insulina, no controle da gliconeogênese e glicogenólise, na redução da termogênese, na regulação do gasto energético, e contribui no equilíbrio dos sistemas, cardíaco, muscular e ósseo.

O equilíbrio dos níveis hormonais, pode ser um fator considerável para alcançar resultados favoráveis na perda de peso, e consequentemente, sobre as complicações derivadas da obesidade.

(Cercato; Fonseca, 2019)

Em conclusão

Tratar a obesidade é um processo complexo, complicado e desafiador, devido aos muitos mecanismos envolvidos e os diversos sistemas que são afetados pela obesidade. A modulação de hormônios envolvidos com a saciedade, fome e esvaziamento gástrico pode mediar significativos resultados com a terapêutica.

Além disso, a utilização de probióticos, prebióticos, inibidores da absorção de carboidrato, do estresse oxidativo, de mediadores pró-inflamatórios, pode auxiliar também na terapêutica da obesidade e atuar como coadjuvante também no tratamento de complicações como, dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes, inflamação e desordens cardiocirculatórias geradas no organismo, e desse modo, atuar na promoção e recuperação da saúde.

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Referências

Cercato, C., & Fonseca, F. A. (2019). Cardiovascular risk and obesity. Diabetology & metabolic syndrome11, 74.Wharton, S., Lau, D., Vallis, M., Sharma, A. M., Biertho, L., Campbell-Scherer, D., Adamo, K., Alberga, A., Bell, R., Boulé, N., Boyling, E., Brown, J., Calam, B., Clarke, C., Crowshoe, L., Divalentino, D., Forhan, M., Freedhoff, Y., Gagner, M., Glazer, S., … Wicklum, S. (2020). Obesity in adults: a clinical practice guideline. CMAJ : Canadian Medical Association journal = journal de l’Association medicale canadienne192(31), E875-91.

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