Tratamentos com Arnica

Lychnophora passerina (Asteraceae), popularmente conhecida como “arnica,” é usada para o tratamento de inflamação, dor, reumatismo, contusões e picadas de insetos na medicina tradicional brasileira (CAPELARI-OLIVEIRA, et. al., 2011) e estudos recentes vêm para comprovar a eficácia dos tratamentos com arnica.

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Uso da arnica no tratamento da osteoartrite

Osteoartrite (OA) é uma doença das articulações (geralmente dos joelhos, quadril e mãos). Quando as articulações perdem cartilagem, o osso cresce para tentar reparar os danos, podendo deformar-se e tornar qualquer movimentação dolorosa e limitada. A osteoartrite pode afetar a função física, particularmente a capacidade de usar as articulações (CAMERON; CHRUBASIK, 2013).

Foi realizado um estudo para avaliar as evidências a respeito da eficácia de produtos tópicos de plantas medicinais. Essa pesquisa mostrou que, em pessoas com OA, a Arnica gel melhora a dor e age de forma mais expressiva que os medicamentos anti-inflamatórios não-esteróidais. A Arnica gel foi comparada ao ibuprofeno (fármaco anti-inflamatório) e os seguintes resultados foram observados (CAMERON; CHRUBASIK, 2013):

Dor (pontuações mais altas significam dores mais intensas): pessoas que utilizaram a Arnica avaliaram sua dor mais baixa em 3,8 pontos, menos do que as pessoas que utilizaram ibupofreno. Após três semanas de tratamento, pessoas em tratamento com Arnica estimaram sua dor em 40,4 pontos e as que utilizaram ibuprofeno estimaram sua dor em 44,2 em uma escala de 0 a 100 (CAMERON; CHRUBASIK, 2013).

Função física (pontuações mais baixas significam melhor função): pessoas que fizeram o uso de Arnica avaliaram seu funcionamento físico em 0,4 pontos mais baixo,  do que as que trataram com ibuprofeno. Após 3 semanas de tratamento com a Arnica, o funcionamento físico foi avaliado em 7,1 pontos numa escala de 0 a 30, e com o ibuprofeno a avaliação foi de 7,5 pontos (CAMERON; CHRUBASIK, 2013).

arnicaEm outro estudo, pode-se confirmar a eficácia da utilização de extrato etanólico de  (“arnica brasileira”) na sua ação anti-inflamatória, e estudos indicam que a via tópica é adequada para o seu uso. Para tal, a atividade anti-inflamatória do extrato etanólico a partir das partes aéreas de L. trichocarpha e a sua fração acetilada foi investigada. Lactonas sesquiterpênicas, lychnopholide (Lyc) e eremantolídeo C (EREC), isolados da fração acetato de etila, também foram analisadas em ensaios in vitro, e atividade antiinflamatória in vivo. O tratamento tópico com pomada contendo extrato etanólico, a fração acetato de etila e lactonas sesquiterpênicas levou a uma redução significativa do edema induzido na pata de camundongos. Ensaios in vitro demonstram que  Lyc inibiu Interferon γ/LPS estimulado pela produção de Óxido Nítrico em macrófagos, e aumentou a produção da citocona antiinflamatória IL-10. A redução do fator de necrose tumoral α (TNF-α), a produção tumoral foi acompanhada por um aumento da produção de IL-10 de um modo dependente da concentração nos macrófagos J774A.1. O efeito anti-inflamatório do Lyc parece envolver a inibição da produção de NO e aumentou a produção de IL-10. Logo, os componentes ativos da arnica contribuem para uma redução do processo inflamatório (FERRARI, et. at., 2013).

Arnica no tratamento de feridas na pele, hematomas e contusões

camundongosArnica montana L. e Artemisia absinthium L. (Asteraceae) são plantas medicinais tradicionalmente utilizadas no tratamento de feridas na pele, como hematomas e contusões. E, em determinado estudo, avaliou-se o extrato etanólico de A. montana e a A. absinthium quanto à sua composição química, atividade antioxidante e efeito protetor contra o stress oxidativo induzido por H2O2 em fibroblastos como linha de células NCTC de ratos. Os resultados mostraram que ambos os extratos apresentaram efeito significativo sobre o crescimento das células NCTC gama de 10-100 mg/L A. montana e 10-500 mg/L A. absinthium. Eles também protegeram as células do fibroblasto contra danos oxidativos de peróxido de hidrogênio induzidos, em doses idênticas. Os extratos de A. montana e A. absinthium, ricos em flavonóides e ácidos fenólicos, mostraram uma boa atividade antioxidante e efeito citoprotetor contra danos oxidativos em células de fibroblastos-like. Estes resultados fornecem suporte científico para o uso tradicional de A. montana e A. absinthium no tratamento de doenças de pele (CRACIUNESCU, et. al., 2012).

Outro estudo mostrou que a pomada tópica de arnica 20% pode ser capaz de reduzir os hematomas e contusões na pele,  de modo mais eficaz do que o placebo e com maior eficácia do que a baixa concentração de vitamina K, tais como formulações de 1% de vitamina K com 0,3% de retinol. Para tal, voluntários saudáveis, com faixa etária 21-65 anos, foram inscritos para este estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo. Para cada assunto, quatro contusões padrão de 7 mm de diâmetro cada, foram criadas nos braços internos superiores bilaterais, a 5 cm de distância, dois por braço, usando um corante de laser pulsado a 595-nm. As pomadas foram aplicadas duas vezes ao dia  nas contusões, por duas semanas. Um dermatologista não envolvido avaliou as contusões [escala visual analógica, 0 (menos) -10 (a maioria)] em fotografias padronizadas tiradas imediatamente após a formação da contusão e ao fim do tratamento (LEU, et al.,2010).

Ao final da pesquisa, foi possível observar uma diferença significativa na mudança de pontuação do avaliador em relação aos hematomas associado aos quatro tratamentos (ANOVA, P = 0,016). Comparações par a par indicaram uma melhoria significativa associada a arnica 20% sendo melhor que com petrolato branco (placebo) (P=0·003), e  melhoria maior que com a mistura de 1% de vitamina K e 0,3% de retinol (P=0·01) (LEU, et al., 2010).

 

Uso da arnica no tratamento no cuidado do cortão umbilical

Atualmente, em alguns casos, recém-nascidos saudáveis recebem alta após 48h-72h de vida após a retirada do cordão umbilical (CU). Geralmente, são percebidas complicações em decorrência de um manuseio inadequado do cordão: eritema, edema, sangramento, onfalite e sepse. Daí a importância de um método seguro, eficaz, fácil de fazer e barato (PERRONE S. et al, 2012).

bebe

A eficácia e os efeitos do pó de arnica equinácea no tratamento do cordão umbilical foram avaliados, visando avaliar o tempo de descolamento do cordão e o risco de efeitos secundários em um grupo de 6323 recém-nascidos. Como resultado, foi possível perceber que o desprendimento do CU ocorreu em 89,09% dos recém-nascidos durante os primeiros 4 dias de vida. Esta porcentagem aumenta para 96,13% em 6 dias. Esses dados demonstram o quão eficaz o pó de arnica equinácea é no descolamento do cordão. Não foram encontradas infecções ou proliferação de bactérias nos bebês. O uso da arnica reduziu os custos hospitalares em consequência de complicações e, além disso, é bem recebido pela equipe médica e pelos pais, sendo de baixo custo e muito viável (PERRONE S. et al, 2012).

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Cameron MChrubasik S. Topical herbal therapies for treating osteoarthritis. Cochrane Database Syst Rev. 2013 May 31;5:CD010538.

Capelari-Oliveira PPaula CARezende SACampos FTGrabe-Guimarães ALombardi JASaúde-Guimarães DA. Anti-inflammatory activity of Lychnophora passerina, Asteraceae (Brazilian “Arnica”). J Ethnopharmacol. 2011 May 17;135(2):393-8.

Craciunescu OConstantin DGaspar AToma LUtoiu EMoldovan L. Evaluation of antioxidant and cytoprotective activities of Arnica montana L. and Artemisia absinthium L. ethanolic extracts. Chem Cent J. 2012 Sep 9;6(1):97.  

 

Ferrari FCFerreira LCSouza MRGrabe-Guimarães APaula CARezende SA,Saúde-GuimarãesDAAnti Inflammatory Sesquiterpene Lactones from Lychnophora trichocarpha Spreng. (BrazilianArnica). Phytother Res. 2013 Mar;27(3):384-9.

 

Leu SHavey JWhite LEMartin NYoo SSRademaker AWAlam M. Accelerated resolution of laser-induced bruising with topical 20% arnica: a rater-blinded randomized controlled trial. Br J Dermatol. 2010 Sep;163(3):557-63.

 

Perrone SCoppi SCoviello CCecchi SBecucci ETataranno MLBuonocore G. Efficacy of Arnica Echinacea powder in umbilical cord care in a large cohort study. J Matern Fetal Neonatal Med. 2012 Jul;25(7):1111-3.

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