Tratamento da Osteoporose

Suplementação para melhores resultados no tratamento da osteoporose

Tratamento da Osteoporose

A princípio, a osteoporose é um distúrbio osteometabólico caracterizado pela diminuição da densidade mineral óssea (DMO), com deterioração da microestrutura óssea, levando a um aumento da fragilidade esquelética e do risco de fraturas. Sendo assim, as principais manifestações clínicas da osteoporose são as fraturas, sendo mais frequentes nas vértebras, fêmur e antebraço. Dessa forma, a terapêutica ou o tratamento da osteoporose se dão com a suplementação por meio de dietas ou suplementação de cálcio pelas diversas moléculas (NETO et al., 2002).

A osteoporose, a exemplo de outras doenças crônicas, tem etiologia multifatorial. Fatores genéticos contribuem com a condição de perda em cerca de 46% a 62% da densidade mineral óssea e, portanto, 38% a 54% podem ser afetados por fatores relacionados ao estilo de vida, tais como a nutrição.

O papel atribuído à nutrição se relaciona ao desenvolvimento da maior e melhor massa óssea possível durante o crescimento e à proteção do esqueleto contra a perda de cálcio a longo prazo. Porém, a deficiência de Vitamina D também tem um papel no desenvolvimento de uma baixa massa óssea em algumas populações e na falta ou redução de hormônios, como é o casos das mulheres na pós menopausa. Também interfere nos níveis de cálcio endógeno.

A massa óssea adequada a cada indivíduo está associada a uma boa nutrição, que deve ser constituída de uma dieta balanceada, com quantidade de calorias adequada e suplementação de cálcio e vitamina D, quando necessário (NETO et al., 2002; REID & BOLLAND, 2015).

A suplementação ou tratamento da osteoporose normalmente é feito por ingestão de cálcio. Porém, o cálcio já é um constituinte natural do organismo e a sua reposição devido a consequente perda com o avançar da idade, dieta deficiente e alterações hormonais, é tida como fator relevante e benéfica para prevenir e até reduzir a perda óssea (REID & BOLLAND, 2015).

Algumas alterações gástricas foram percebidas com a suplementação de cálcio como cólica, constipação, flatulência, diarreia grave e dores abdominais, em outros sistemas ainda pode aparecer alterações cardíacas e cálculos renais (REID & BOLLAND, 2015).

Indicação e benefícios da suplementação de cálcio

    • Preveni perda óssea em mulheres na pré-menopausa;
    • Ajuda na reposição de cálcio;
    • Previne osteoporose;
    • Retarda perda de massa óssea;
    • Previne perda óssea em mulheres na pós-menopausa;
    • Reduz risco de fraturas devido a quedas, principalmente em idosos;
    • Equilibra os níveis da densidade mineral óssea (DMO).

Suplementação de cálcio

Os suplementos de cálcio são disponíveis em vários tipos de sal. De modo geral, qualquer sal pode ser utilizado, no entanto, o carbonato ou o citrato de cálcio são os mais utilizados devido a melhor biodisponibilidade do cálcio elementar.

O carbonato é o mais utilizado na prática clínica e fornece 40% de cálcio elementar. Além disso, é mais bem absorvido em ambiente ácido e deve ser ministrado logo após as refeições, porém, longe daquelas ricas em proteínas (proteínas diminui a absorção de cálcio).

O citrato fornece apenas 21% de cálcio elementar entretanto, sua absorção é menos dependente do ambiente ácido do estômago. Seu uso é preferível em pacientes com ausência de ácido clorídrico (acloridria). O cálcio quelato é uma alternativa para otimizar a absorção de cálcio e não necessita do pH ácido do estômago ou da vitamina D para ser absorvido.

Alendronato de sódio

Os bisfosfonatos, tais como o alendronato (ALE), são inibidores potentes da reabsorção óssea mediada pelo osteoclastos, que suprimem a renovação óssea através da sua capacidade de prevenir o início de novos locais de erosão e a reduzir a degradação óssea (CHEN et al., 2014).

Um estudo randomizado comparou o efeito da administração semanal de Alendronato 70mg e 5600UI de vitamina D3 (ALN/D5600), com o alendronato isolado (ALN). Participaram do estudo um total de 268 mulheres com osteoporose, 35% delas apresentaram insuficiência de vitamina D no início do estudo.

Após 16 semanas de tratamento, o grupo ALN/D5600 apresentou significativo aumento na concentração sérica de vitamina D, observado já na 8 semana. O mesmo grupo também apresentou redução na magnitude do aumento de PTH (KIM et al., 2014).

Para além disto, muitos indivíduos receptores de transplantes renal desenvolvem osteoporose secundária induzida por medicamentos imunossupressores. Apresentam alto risco de fratura e calcificação da aorta abdominal, podendo levar a um risco de mortalidade cardiovascular.

Sendo assim, em um estudo realizado com 12 receptores de rins estáveis, foi estimado o efeito preventivo do tratamento com bifosfonatos quanto a perda de massa óssea e na progressão da calcificação da aorta (CA). Os participantes foram divididos em 2 grupos: controle e Alendronato (35mg/semana), por mais de 24 meses.

Durante o período de 2 anos de tratamento, os pacientes tratados mostraram significativo aumento da densidade mineral óssea (DMO) de 1,86±0,85%, e todos tiveram uma completa inibição da CA, o que não ocorreu com o grupo placebo. O tratamento da osteoporose mostrou-se eficaz e seguro neste grupo de pacientes (OKAMOTO et al., 2014).

Ranelato de estrôncio

O Ranelato de Estrôncio (RE) é um agente efetivo para o tratamento da osteoporose, reduzindo a incidência de fraturas vertebrais e não vertebrais. Aumenta a formação óssea mediada pelos osteoblastos e diminui a ação dos osteoclastos. A fosfatase alcalina dos osteoblastos é uma enzima chave envolvida no processo de formação e mineralização óssea (FERNANDEZ et al., 2014).

A partir disto, um estudo descreveu as respostas dos marcadores de turnover ósseo (osteocalcina e telo peptídeo C-terminal) nos primeiros 4 meses de tratamento com RE e a sua relação com respostas subsequentes de longo prazo da densidade mineral óssea. O estudo foi realizado em 13 mulheres pós-menopausa com osteoporose, previamente tratadas com bifosfonatos.

Dessa forma, foi observado um aumento de 53,7% nos níveis do tele peptídeo c-terminal e 30,7% nos níveis de osteocalcina. Este aumento dos marcadores ósseos está associado a um aumento médico de 4,8% da densidade mineral óssea da coluna lombar, após 2,5 anos de tratamento com RE. Isso sugere um efeito anabólico do RE deste grupo de mulheres (LIMA et al., 2014).

Entretanto, para avaliar a eficácia do RE na prevenção de fraturas vertebrais em triagem de fase 3, participaram de um estudo 1.649 mulheres na pós menopausa, com osteoporose e até uma fratura vertebral. Estas mulheres receberam 2g de RE ou de placebo por dia, durante 3 anos. Ambos os grupos receberam vitamina D e cálcio antes e durante o estudo.

Sendo assim, houve uma redução de 49% no primeiro ano de tratamento e de 41% durante os 3 anos de estudo no grupo tratado. A densidade mineral óssea aumentou de 14,4% no terceiro ano na espinha lombar e 8,3% no colo do fêmur. O tratamento leva a rápida e sustentada redução no risco de fraturas vertebrais (MEUNIER et al., 2004).

Ranelato de estrôncio e vitamina D

A princípio, a vitamina D (1,25(OH)2D3) é um hormônio esteroide que possui uma gama de funções fisiológicas no tecido esquelético e não esquelético. Esta vitamina pode contribuir para prevenir e/ou tratar a osteoporose, obesidade e diabetes mellitus tipo 2.

No metabolismo ósseo, a vitamina D aumenta os níveis plasmáticos de cálcio e fósforo, regula a atividade dos osteoblastos e osteoclastos e combate a hipersecreção de paratormônio (PTH). Dessa forma, promovendo a formação óssea e prevenindo/tratando a osteoporose (CANDIDO & BRESSAN, 2014).

O cálcio e o estrôncio possuem características químicas em comum e são absorvidos pela mesma via. Assim, estudiosos investigaram se a vitamina D é um fator determinante na absorção do estrôncio, já que possui um papel importante na absorção intestinal do cálcio.

Para tal, 25 pacientes com deficiência de vitamina D e 25 com vitamina D suficiente foram submetidos a uma sobrecarga de estrôncio oral, e avaliaram sua absorção. Ambos os grupos apresentaram aumento de vitamina D. No entanto, não foram encontradas diferenças nos parâmetros utilizados para avaliar a absorção de estrôncio entre os grupos. Além disso, a reposição de vitamina D no grupo deficiente, não resultou em absorção melhorada de estrôncio (VILAÇA et al., 2014).

Um estudo investigou a eficácia e segurança da combinação oral fixa de ranelato de estrôncio (RE) 2g/Vitamina D 1000UI diariamente, versus o RE 2g isolado, para correção da insuficiência de vitamina D na osteoporose. Um total de 518 homens e mulheres com osteoporose primária e nível sérico de vitamina D >22,5 nmol/L participaram do estudo, durante 6 meses.

Após 3 meses, a porcentagem de pacientes com vitamina D >50nmol/L foi maior no grupo tratado com a associação que no grupo isolado (84% vs 44% P<0,001). A eficácia da associação foi mantida por 6 meses (86% vs 40% P<0,001). A média da vitamina D foi de 65,1 e 49,5nmol/L, respectivamente, após 3 meses e 66,9 e 45,4 nmol/L após 6 meses. Este trabalho confirma a eficácia da associação de ralenato de estrôncio associado a vitamina D terapia para tratar a osteoporose (RIZZOLI et al., 2014).

Vitamina D

Os níveis de vitamina D estão interligados com a reposição dos níveis de cálcio, devido a seu auxilio na absorção de cálcio. Sendo assim, estudos apontaram que o risco de fraturas foram reduzidos com a presença de suplementação de cálcio e vitamina D.

A vitamina D é desenvolvida e absorvida por diversos receptores presentes em variados órgãos, tendo, assim, seus benefícios em diversos sistemas. A princípio é formada na pele e logo em seguida é convertida do 7-de-hidrocolesterol em vitamina D3 (colecalciferol) pela presença de radiação ultravioleta. Passando pela hidroxilação, é transformada em 25-OH-D (calcidiol) no fígado e, por último, em 1,25OHD3 (calcitriol) no rim (REID & BOLLAND, 2015; ALOIA et al., 2018; CASTRO, 2011).

Dessa forma, a transcrição é ativada pelo paratormônio (PTH) que por sua vez é secretado pela paratireoide, respondendo à diminuição dos níveis séricos de cálcio e fosfato. O calcitriol leva ao estímulo da absorção intestinal de cálcio e ainda estimula a produção de citocina e secreção do ativador do receptor do fator nuclear k-B (RANKL). Este fator apresenta um papel importante na osteoclastogênese e na ativação de osteoclastos que levam a reabsorção óssea.

O paratormônio e o calcitriol são moléculas indutoras da reabsorção de cálcio pelos túbulos renais. Os receptores de vitamina D (RVD) estão associados a equilíbrios nos índices de fósforo e cálcio, o que leva a melhoras nos índices de cálcio com a suplementação com a associação de vitamina D juntamente com o cálcio. Sendo assim, os resultados são importantes no tratamento da osteoporose, levando a redução de fraturas associadas a fragilidade óssea (CASTRO, 2011; REID & BOLLAND, 2015).

 

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Referências

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