Tratamento da endometriose

Inovações para o tratamento da endometriose e para a melhora dos sintomas.

Endometriose

A endometriose é uma doença comum que causa dor e/ou infertilidade em mulheres nos seus anos reprodutivos, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio – glândulas e estroma- fora da cavidade uterina. A princípio, existem diferentes opções de tratamento da endometriose, por utilização de medicamentos ou por métodos cirúrgicos, sendo necessário em alguns casos a combinação de ambos.

As medicações mais comumente utilizadas são:

    • Anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs);
    • Antagonistas GnRH, derivados androgênicos como o Danazol;
    • Pílulas combinadas de contraceptivos orais;
    • Progesterona;
    • Levonorgestrel.

A endometriose retrovaginal (ERV) é uma das formas mais severa de endometriose, muito menos comum que a ovariana e peritoneal, e afeta entre 3,8% e 37% de todos os pacientes com endometriose. A ERV é uma endometriose de infiltração profunda que atinge a vagina, o reto e o septo retovaginal, e destrói a bolsa de Douglas.

(MOAWAD & CAPLIN, 2013; STREULI et al., 2013)

A patologia inflamatória da endometriose é caracterizada pelo aumento do fator nuclear kappa–β (NF-Kβ), ciclooxigenase (COX)-2, e expressão de aromatase no endométrio eutópico. Estas alterações funcionais criam um ciclo vicioso de aumento da inflamação e produção de estrogênio local, que ajuda a perpetuar a sobrevivência de células endometriais em locais ectópicos.

(MAIA et al., 2012).

Tratamento da endometriose

A princípio, os contraceptivos orais são utilizados no tratamento da endometriose. Porém seu mecanismo de ação é complexo pois envolve um efeito bloqueador central da ovulação e ações locais como a inibição de aromatase e inibidores da COX, que são necessários para a progressão da endometriose.

No entanto, nem todas as mulheres permanecem com amenorreia. A ocorrência de hemorragias é associada a ativação de NF-kB no endométrio, iniciando uma cascata de eventos inflamatórios e levando a uma expressão persistente de aromatase e COX no tecido, o que leva a um aumento da inflamação. Esta hipótese pode explicar a eficácia da associação dos contraceptivo oral com os inibidores de aromatase nos pacientes com endometriose.

(AMSTERDAM et al., 2005; MAIA et al., 2012)

Resveratrol

O Resveratrol, um componente polifenólico isolado da uva, consegue atuar como um inibidor natural de aromatase. Além de suas propriedades anti-inflamatórias, o resveratrol regula sua transcrição gênica.

Além disso, o resveratrol também inibe a expressão de COX-2 no endométrio, o que mostra o estudo conduzido com 42 mulheres com endometriose que comparou as propriedades da associação do contraceptivo oral com resveratrol. O resultado apontou uma melhora na dor e nos parâmetros da endometriose.

(MAIA et al., 2012)

Picnogenol

O Picnogenol, uma mistura de procianidinas e componentes polifenólicos, possui atividade anti-inflamatória e antitrombótica, pois inibe COX 1 e 2. Atua também na inibição de NF-kB, impedindo a ativação da cascata de inflamação.

Sendo assim, um estudo conduzido com pacientes com endometriose comparou a utilização de contraceptivo oral com ou sem a utilização de picnogenol. O grupo que recebeu associação com o picnogenol apresentou melhoras significativas da dor a partir de 3 meses de tratamento quando comparado ao outro grupo em uso isolado.

(MAIA et al., 2013)

O danazol é uma progestina androgênica, efetivo para o tratamento da dor pélvica associada a endometriose. Um estudo observacional piloto incluiu 15 mulheres que apresentavam sintomas de dor causados pela endometriose retrovaginal, que persistia após a inserção de um dispositivo intrauterino de levonorgestrel. O objetivo era avaliar a efetividade do tratamento com danazol vaginal na melhora destes sintomas.

O danazol vaginal (100mg por dia) foi administrado por 6 meses e 12 mulheres mostraram-se satisfeitas ou muito satisfeitas com o tratamento. Após 3 meses, já houve uma significativa redução da intensidade da dor, comparado ao período antes do tratamento e, além disso, o volume dos nódulos retrovaginais diminuíram durante o tratamento.

Contudo, os efeitos adversos foram mínimos e toleráveis. Embora não possa desconsiderar o efeito placebo, os resultados indicam que o danazol reduz significativamente a severidade dos sintomas relacionados a endometriose.

Entretanto, outro estudo realizado com camundongos examinou os efeitos do danazol, do faslodex e do cetrorelix em ratos animais que desenvolveram endometriose interna após enxerto pituitário. O cetrorelix, antagonista de GNRH, e o faslodex, antagonista de receptor de estrogénio, interferiram negativamente na sinalização mediada pelo estrogênio, inibindo completamente a endometriose interna. Da mesma forma que o danazol mostrou uma atividade terapêutica significativa na maioria dos ratinhos.

Conclui-se que este modelo murino de endometriose interna pode ser um complemento valioso para modelos endometriose externa estabelecidos para apoiar a pesquisa de drogas na endometriose humana.

Mais estudos referentes ao Danozol

A angiogênese e a inflamação são processos cruciais no desenvolvimento de endometriose na cavidade peritoneal. O objetivo do presente estudo foi avaliar estes dois processos em mulheres com endometriose que tinham sido tratadas com danazol para determinar a sensibilidade de um teste não invasivo para o diagnóstico de endometriose.

O estudo de acompanhamento clínico foi realizado em um grupo de 103 mulheres diagnosticadas com endometriose por laparoscopia. Trinta e cinco pacientes foram selecionados para o tratamento com danazol. A dor foi avaliada através de uma escala visual analógica, enquanto a endometriose foi avaliada através de uma escala revisada pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (SAMR).

    • O antígeno do câncer (CA) -125 e proteína C- reativa (PCR), tiveram suas concentrações no plasma e no líquido peritoneal determinadas por métodos imuno enzimáticos.
    • As concentrações de fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) e interleucina (IL-1β) no plasma e no líquido peritoneal foram determinados por ELISA.
    • A expressão endometrial de IL – 8 e derivados de plaquetas fator alfa de crescimento polipeptídico (PDGF-A) foram determinados utilizando o método de PCR (SZUBERT et al., 2014).

As mulheres com endometriose (68,9 % dos pacientes) apresentaram concentrações plasmáticas mais elevadas de CA- 125, bem como as concentrações mais elevadas de ambos CA- 125 e VEGF no fluido peritoneal. A expressão endometrial de mRNA de IL-8 foi significativamente mais elevada, enquanto que a de PDGF-A era significativamente mais baixo, em contraste.

Após o tratamento com danazol, os pacientes relataram menores escores de dor; além disso, CA- 125 em concentrações no plasma foram reduzidas enquanto a concentração de VEGF no plasma aumentou. Para o diagnóstico de endometriose, nenhuma das combinações de determinados marcadores tinha uma sensibilidade > 60 %.

O tratamento com Danazol é altamente eficaz no alívio da dor e diminuição do CA-125 nas concentrações no plasma. Maiores concentrações plasmáticas de VEGF após o tratamento podem implicar na estimulação da angiogênese.

(SZUBERT et al., 2014)

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Referências

Na escrita do post fizemos o uso de algumas referências de literaturas que se encontram neste link Referências post.

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