Tratamento da Doença de Peyronie

Coadjuvantes para resultados satisfatórios no tratamento da Doença de Peyronie.

Peyronie

A Doença de Peyronie (DP) é uma desordem do tecido conjuntivo do pênis que consiste em uma lesão fibrosa localizada e cicatricial na face interna da túnica albugínea do corpo cavernoso do pênis. Dessa forma, promovendo dor, deformidade e disfunção erétil peniana, o que traz dificuldades para desenvolver uma relação sexual satisfatória e prazerosa. O tratamento da doença de Peyronie com coadjuvantes tem resultados satisfatórios.

É uma patologia benigna, porém debilitante, do ponto de vista funcional e psicológico. A princípio apresenta-se clinicamente com uma combinação de dor peniana, deformação do pênis e disfunção erétil. Sendo assim o diagnóstico é baseado na história sexual e exame físico cuidadoso do pênis (KO et al., 2014; BARRETT-HARLOW & WANG, 2016).

Estudiosos entrevistaram 385 urologistas praticantes a um tempo médio de 12 anos de profissão. Em relação ao curso natural, 87% dos entrevistados acreditavam que a DP é uma doença progressiva e 82 % responderam que a cura espontânea da DP ocorreram em menos de 20% dos pacientes.

Quanto ao diagnóstico da DP, os métodos utilizados foram, em ordem:

    1. A história sexual junto com o exame físico (98%);
    2. Os questionários do índice internacional de função erétil (40%);
    3. A injeção intracavernosa de estimulação (35%);
    4. E a ultrassonografia duplex (28%) (KO et al., 2014).

Sendo assim, a vitamina E foi a mais preferida como um tratamento médico inicial (80,2 %), seguida por inibidores da fosfodiesterase (27,4%) e potaba (aminobenzoato de potássio) (20,1 %). Para os urologistas que administram injeção intralesional, os medicamentos utilizados são corticosteróide (72,2 %), verapamil (45,1 %), e o interferon (3,2 %). O procedimento cirúrgico mais realizado é a de plicatura (84,1%), seguido de excisão e enxerto (42,9%) e implantação de prótese peniana (14,2%).

Portanto, entre os tratamentos mais populares de cada modalidade, as percepções dos urologistas em relação à adequação do tratamento e a satisfação do paciente foram significativamente diferentes (KO et al., 2014).

Tratamento oral da Doença de Peyronie

Durante a fase aguda inicial (6-18 meses) da DP, ela pode progredir, estabilizar ou regredir. Por esta razão, estudiosos recomendam uma abordagem de tratamento mais conservadora, com uma experimentação da farmacoterapia oral e/ou intralesional, antes de considerar a reconstrução cirúrgica.

As terapias de uso oral mais comumente utilizadas incluem tocoferol (vitamina E) e para-aminobenzoato de potássio (Potaba), com colchicina, tamoxifeno e acetil-L-carnitina (HELLSTROM 2008).

Potaba (para-aminobenzoato de potássio)

A princípio, a Potaba é um para-aminobenzoato de potássio que tem sido utilizado em uma variedade de condições caracterizadas por inflamação crônica e fibrose. Entre estas, inclui-se o escleroderma, a dermatomiosite, a morfeia, a fibrose pulmonar e a doença de Peyronie.

Alguns benefícios da potaba são:

    • Inibir a proliferação fibroblástica anormal, secreção de mucopolissacarídeo ácido e glicosaminoglicana;
    • Reduzir fibroses;
    • Impedir a formação de colágeno por diminuição dos níveis de serotonina;
    • Atuar no aumento da atividade da monoamino oxidase.

Como efeitos adversos foram apontados hipoglicemia, desordens gastrintestinais e erupções cutâneas (BARRETT-HARLOW & WANG, 2016).

Um estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, foi realizado com pacientes com diagnóstico de DP por 12 meses, em tratamento com potaba. Além disso, foram incluídos no estudo 105 pacientes com placas não calcificadas e sem pré-tratamento. Destes, 51 foram direcionados para receber potaba e 52 placebo 12g/dia. A resposta foi definida através da regressão do tamanho da placa e/ou redução da curvatura peniana em até 30% (WEIDNER et al., 2005).

A princípio, os resultados mostraram que não ocorreram nenhum efeito adverso. No grupo tratado houve redução do tamanho da placa de 259mm para 142 mm, enquanto no grupo placebo houve aumento de 259mm a 303mm.

Sendo assim, os indivíduos em uso de potaba tiveram um efeito protetor significativo na deterioração da curva peniana, mostrado pela estabilização da mesma. Logo, a potaba mostra-se útil para estabilizar a doença e prevenir a progressão da curvatura peniana (WEIDNER et al., 2005).

Outros estudos também mostram melhora dos pacientes com DP, quanto a dor, tamanho da placa e angulação (Tabela 1) (MYNDERSE & MONGA 2002).

Resultado da terapia com potaba na doença de Peyronie (Adaptado de MYNDERSE; MONGA 2002).       
Estudos
Pacientes
Melhora na dor
Melhora no tamanho da placa
Melhora no tamanho da placa

Zarafonetis

21

100%

76%

82%

Hasche-Klunder

25

100%

100%    

71%

Riley

18

100%

11%

75%

Carson

32

44%

56%

58%

Pentoxifilina

A princípio, estudos in vitro têm mostrado que a pentoxifilina atenua a deposição de fibra de colágeno e a elastogênese. Isso ocorre por meio de um mecanismo relacionado a alfa-1-antitripsina na túnica albugínea normal derivado de fibroblastos expostos a TGF-β1 sugerindo um possível papel da pentoxifilina na doença de Peyronie.

A pentoxifilina é um inibidor não específico da fosfodiesterase, com propriedades anti-inflamatória e anti-fibrótica combinadas, por regular o TGF-β e o aumento da atividade fibrinolítica (SHINDEL, 2010; STEPHEN, 2011; BARRETT-HARLOW & WANG, 2016).

Em um estudo duplo-cego controlado por placebo, foi avaliado a eficácia e segurança do fármaco em 228 pacientes com doença de Peyronie crônica precoce, que receberam 400mg do mesmo durante 6 meses. Os resultados mostram que 36,9% dos pacientes tiveram uma resposta positiva, comparado ao placebo (4,5%).

A melhora na curvatura peniana e volume de placas foi significativamente melhor nos pacientes tratados com o fármaco. A população em estudo foi composta por indivíduos que tinham fracassado em terapias anteriores, incluindo a administração oral de potaba, carnitina, colchicina, tamoxifeno, vitamina E, ou a combinação de ambos (SAFARINEJAD, 2010).

Quando tratados com pentoxifilina, a curvatura ventral (40%), dorsal (22,2%) e lateral (20%), estiveram diminuídas. Este é um estudo único, sendo assim, são necessários mais estudos para otimizar esquemas de tratamento e confirmar os resultados. Os estudos apontam que não há uma terapia oral confiável e clinicamente significativa para a redução da deformação peniana (SAFARINEJAD, 2010).

Coenzima Q-10

Um estudo verificou a eficácia e segurança da coenzima Q10 em pacientes com doença de peyronie precoce crônica. Os pacientes receberam 300mg da coenzima Q10 ao dia, ou regime similar de placebo durante 24 semanas.

No tratamento, a média de pontuação da dor avaliada pela escala visual analógica e a função erétil avaliada pelo índice internacional de função erétil (IIFE) melhoraram significativamente nos pacientes fizeram o uso de CoQ10. A média de tamanho de placa e o grau de curvatura peniana diminuíram no grupo CoQ 10, enquanto um ligeiro aumento foi observado no grupo de placebo.

Portanto, a terapia com CoQ10 leva a uma redução do tamanho da placa e da curva peniana, e melhora a função erétil (SAFARINEJAD, 2010).

L-carnitina

A carnitina é um inibidor de acetil coenzima A, aumentando a respiração mitocondrial, levando a diminuição da formação de radicais livres. Estudiosos comparam a utilização da acetil-L-carnitina comparado ao Tamoxifeno. O estudo incluiu 48 pacientes com DP (15 agudo e 33 em inicio crônico) divididos em dois grupos:

    • O primeiro grupo utilizou tamoxifeno 20mg;
    • O segundo, acetil-L-carnitina 1g.

Ambos administrados duas vezes ao dia por 3 meses (BIAGIOTTI & CAVALLINI 2001; BARRETT-HARLOW & WANG, 2016).

A acetil-L-carnitina mostrou-se significativamente mais efetivo em reduzir a dor e inibir a progressão da doença. Ela reduziu significativamente a curvatura peniana, enquanto no uso do tamoxifeno não apresentaram-se melhoras. Ambos os tratamentos reduziram o tamanho da placa, entretanto o tamoxifeno induziu a mais efeitos adversos.

Estes resultados mostram que a acetil-L-carnitina foi significativamente mais efetiva e segura que o tamoxifeno na DP (BIAGIOTTI & CAVALLINI 2001; BARRETT-HARLOW & WANG, 2016).

Inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (Inibidores da PDE-5)

A princípio, embora os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 sejam comumente usados para o tratamento da disfunção erétil, alguns estudos apontaram para a seu uso também no tratamento da doença de Peyronie. Os inibidores de PDE-5 aumentam o monofosfato de guanosina cíclico (GMPc) inibindo a degradação de GMPc a GMP.

Dessa forma, aumentaram os níveis de GMPc e de óxido nítrico (NO), assim a síntese e a deposição de colágeno são inibidas e ocorrendo apoptose de fibroblastos e miofibroblastos. Meio desta propriedade, os inibidores de PDE-5 podem revelar-se vantajosos para a remodelação da cicatriz. 

Vitamina E

A vitamina E é um antioxidante solúvel em gordura, atua na inativação dos radicais livres que saturam o óxido nítrico (NO) e, assim, mantém os níveis de NO ativos elevados para permitir a cicatrização adequada da ferida. Ao limitar o estresse oxidativo, também oferece potencialmente um efeito anti-inflamatório.

A vitamina E já foi utilizada em estudos e não demonstrou melhora na redução da dor e na diminuição da curvatura. Seu uso é feito em associação a outras terapias para tratamento da doença de Peyronie, para potencial sinergismo na terapia (BARRETT-HARLOW & WANG, 2016).

 
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Referências

    1. Barrett-Harlow, B., & Wang, R. Oral therapy for Peyronie’s disease, does it work?. Translational andrology and urology. 5(3), 296–02, 2016.
    2. Biagiotti G, Cavallini G. Acetyl-L-carnitine vs tamoxifen in the oral therapy of Peyronie’s disease: a preliminary report. BJU Int.  88(1), 63-67, 2001.
    3. Hasche-Klunder R. Treatment of induratio penis plastica, Urologe. 6, 335–36, 1970.
    4. Hellstrom WJ. Medical manegent of Peyronie’s disease. J Androl. 30(4), 397-05, 2009.
    5. Ko YH, Moon KH, Lee SW, Kim SW, Yang DY, et al. Urologists’ Perceptions and Practice Patterns in Peyronie’s Disease: A Korean Nationwide Survey Including Patient Satisfaction. Korean J Urol. 55(1), 57-63, 2014.
    6. Safarinejad M R, et al. A double-blind placebo-controlled study of the efficacy and safety of pentoxifylline in early chronic Peyronie’s disease. BJU Int. 106(2), 240-48, 2010.
    7. Shindel A W, Lin G, Ning H, et al. Pentoxifylline attenuates transforming growth factor- 1-stimulated collagen deposition and elastogenesis in human tunica albuginea-derived fibroblasts part 1: impact on extracellular matrix. J Sex Med. 7(6), 2077–85, 2010.
    8. Stephen M. Peyronie’s Disease: Review of non surgical treatment options. Urol Clin N Am. 38, 195-05, 2011.
    9. Weidner W, Hauck EW, Schnitker J. Potassium para-aminobenzoate (potaba) in the treatment of Peyronie’s disease: a prospective, placebo controlled, randomized study. Eur Urol. 47(4), 530-35, 2005.
    10. Zarafonetis CJD, Horrax TM. Treatment of peyronie’s disease with potassium para-aminobenzoate (Potaba). J Urol. 81, 770-74, 1959.
    11. Riley AJ. Peyronie’s disease a report on a series of 18 patients treated with potassium para-aminobenzoate. Br J Sex Med. 6, 29-33, 1979.
    12. Hasche-Klunder R. Conservative treatment of peyronie’s disease with potassium para-aminobenzoate. Prog Reprod Biol Med. 9, 57-64, 1983.

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