Ação neuro protetora da Vimpocetina nas doenças cerebrais

Para tratamento de doenças cerebrovasculares e do comprometimento cognitivo tem-se utilizado vimpocetina, um ativo que tem ação anti-inflamatória, indicado para o tratamento de doenças neuroinflamatórias (ZHAO, et al., 2011). Possui também ação neuroprotetora, um de seus mecanismos de ação envolve a proteção do cérebro contra os efeitos citotóxicos causados pela grande exposição ao glutamato, dentre esses efeitos está a desregulação da função mitocondrial e do metabolismo neuronal (TÁRNOK, et al., 2008).

[slideshow_deploy id=’1795′]

Estudos comprovam que o uso de vimpocetina no tratamento de doenças neurodegenerativas, tais como Parkinson e Alzheimer, é eficaz,  pois aumenta o nível de neurotransmissores relacionados à memória. Utiliza-se vimpocetina para tratamento de AVC (Acidente Vascular Cerebral) isquêmico também, pois age como inibidor da agregação de plaquetas e da deformabilidade dos eritrócitos, o que diminui a viscosidade sanguínea. Vimpocetina atua em acidentes vasculares cerebrais, demência, problemas circulatórios cerebrais, que foi relacionada a um aumento no metabolismo cerebral, esse aumento acontece por uma vasodilatação que facilita o consumo de glicose e oxigenio pelo cérebro, e como consequencia aumenta os níveis de neurotransmissores. Um estudo realizado em ratos mostrou que a vimpocetina é eficaz para o tratamento de convulsões, além de reduzir seus efeitos adversos (PATYAR, et al., 2011).

Vorob’eva e Tamarova (2010) realizaram um estudo para avaliar a eficácia e segurança do uso da combinação de vimpocetina com piracetam em vinte pacientes com sinais iniciais de isquemia crônica cerebral, com idades entre 50 e 78 anos, durante 30 dias, 2 capsulas ao dia. Dos pacientes, 7 foram diagnosticados com encefalopatia discirculatória, fase 1, e os outros 13 com encefalopatia discirculatória, fase 2. Ao final do tratamento observou-se resultados muito bons ou bons em 75% dos pacientes, houveram também resultados positivos nos testes neuropsicológicos, teste de fala, aumento da atenção, melhora na autopercepção de saúde e humor. Durante o tratamento o estado emocional de 50% dos pacientes estabilizaram e não houveram relatos de efeitos adversos.

cerebro

Outro estudo realizado com o objetivo de avaliar a ação da combinação de vimpocetina com piracetam em 349 pacientes com encefalopatia discirculatória fases 1 e 2, teve resultado satisfatório. Durante o tratamento a dose dos ativos, vimpocetina 5 mg e piracetam 400 mg, foi administrada em cápsulas 3 vezes ao dia, durante 3 meses. Testes neuropsicológicos foram aplicados ao final do tratamento, houve melhora significativa nos comprometimentos cognitivos ligados às disfunções nos lobos frontais. Essa melhora também está ligada a regressão dos sintomas como dor de cabeça, tontura, zumbino, fadiga e insônia. A associação foi considerado seguro e com boa tolerabilidade, incluindo os pacientes idosos (ZAKHAROV,  2010).

Hipoperfusão cerebral crônica é um fator de risco para o desenvolvimento de demências e o mecanismo de ação da vimpocetina tem um papel importante em sua melhora. Assim, foi feito um estudo com o objetivo de avaliar a eficácia e segurança do fármaco em pacientes com comprometimento cognitivo leve. As avaliações foram feitas em 6 visitas durante o tratamento, que durou 18 meses. Utilizaram-se testes psicométricos para comparar as funções cognitivas dos pacientes antes e após o tratamento, CICC-PGIC para a avaliação no estatuto da doença, o teste ADL para avaliar as atividades diárias e a escala Hamilton para observação da estabilidade emocional dos pacientes. Os testes psicométricos mostraram uma melhora significativa ao final do tratamento, com melhora nas atividades diárias, no humor e no quadro geral dos pacientes, essas melhoras foram relatadas pelos próprios pacientes e também pelos médicos. Vimpocetina mostrou ser um tratamento seguro, eficaz e com boa tolerabilidade para hipoperfusão cerebral crônica (VALIKOVICS, et al., 2012).

camundongosRealizou-se um estudo para avaliar a eficácia do uso de vimpocetina em ratos com streptozotocina intracerebroventricular, uma demência induzida do tipo Alzheimer, que dificulta a aprendizagem, a memória e aumenta o estresse oxidativo. O tratamento durou 21 dias, a vimpocetina foi administrada nas doses de 5, 10 e 20 mg/kg, e mostrou melhoras significativas na memória e aprendizado (DESHMUKH, et al., 2009). O resultado do tratamento foi testado pelo método do labirinto aquático de Morris, que avalia a aprendizagem espacial de ratos e consiste em uma piscina redonda, com uma plataforma no centro que fica escondida pela água opaca, os animais são colocados na água e nadam até acharem a plataforma, com a repetição do procedimento o tempo para achar a plataforma diminui (GARTHE, et al., 2013). Os ratos utilizados para o estudo não se lembravam da plataforma, e com a utilização do ativo vimpocetina os resultados melhoraram significativamente, e o estresse oxidativo diminuiu. A vinpocetine mostrou ter uma boa capacidade reparadora prevenindo os danos neuronais (DESHMUKH, et al., 2009).

Feher e colaboradores (2009) realizaram um estudo duplo-cego para avaliar as mudanças hemorreológicas em isquemias cerebrovasculares após o tratamento com vimpocetina. 40 pacientes com isquemia cardiovascular cronica foram avaliados. Todos os pacientes receberam uma dose intravenosa diária de 1 mg/kg de vimpocetina, 20 pacientes, com idade média de 61 anos, receberam doses orais de 30 mg de vimpocetina por 3 meses, os outros 20 pacientes, idade média 59 anos, receberam um placebo. Avaliou-se os hematócritos, fibrinogenio no plasma, a viscosidade do sangue, agregação de glóbulos vermelhos e deformidade, nos meses 1 e 3. Em todos os pacientes houveram melhora na agregação de globulos vermelhos e na viscosidade sanguinea, os pacientes que utilizaram o ativo oral tiveram uma melhora significativamente maior do que os pacientes que utilizaram o placebo. Os fatores hemorreológicos estão relacionados diretamente com desordens isquemicas cerebrovasculares, pois esses fatores são uma predisposição para acidentes vasculares cerebrais. O uso de vimpocetina mostrou um resultado benéfico quanto a prevenção e tratamento dessas desordens.

SNCUm estudo in vitro avaliaou o uso da associação de piracetam e vimpocetina na prevenção de estresse exidativo e hipóxia- reoxigenada em cultura de células do hipocampo primário. A cultura de células foi deixada em condição de hipóxia (95% de N2, 5% de CO2)  por um périodo de 3 horas, ao final desse tempo as células foram expostas a reoxigenação por 1 hora (21% O2, e 5% de CO2). Após administrar de forma independente doses de piracetam e vimpocetina, as culturas foram divididas em 6 grupos: controle e normóxia no primeiro, hipóxia no segundo, hipóxia e piracetam no terceiro, hipóxia e vimpocetina no quarto, normóxia e piracetam no quinto e normóxia e vimpocetina no sexto. Avaliou-se o estresse oxidativo das células das 6 culturas, as que  utilizaram 1 mM de piracetam ou 500 nM de vimpocetina mostraram uma prevenção eficaz da lesão causada pela hipóxia-reoxigenada, o uso desses dois ativos preveniu também a queda de potencial da membrana mitocondrial, levou a redução dos niveis de antioxidantes e ao aumento da geração de ROS (Espécies Reativas de Oxigêno). Logo, o estudo mostra que a associação vimpocetina e piracetam são eficientes como neuroprotetores contra lesões hipóxia-reoxigenada (SOLANKI, ET AL., 2011).

Chukanova (2009) realizou um estudo com 236 pacientes com encefalopatia discirculatória, sendo que 138 foram tratados com o ativo vimpocetina em uma dose oral de 30 mg, e os outros 98 com um placebo. O tratamento com o ativo durou 90 dias e, além do medicamento, todos os pacientes receberam uma terapia suplementar com medicamentos hipotensores, antitrombóticos e com o neuprotetor glicina. Avaliou-se a eficácia do ativo através de testes neuropsicológicos antes e após 3, 6 e 12 meses de tratamento. Houve melhora significativa nos sintomas das sindromes neurológicas, diminuição do risco de progressão da encefalopatia discirculatória, derrames e desenvolvimeto de ataques isquemicos transitórios no grupo tratado com o ativo em comparação ao grupo controle.

avc

Os efeitos de vimpocetina e tocoferol foram avaliados em ratos com isquemia cerebral aguda. Depois do período de tratamento pode-se confirmar que vimpocetina diminui a acumulação de lisofosfolipidos nas membranas plasmáticas cerebrais, bloqueou a acumulação de dienos conjugados e diminuiu a manisfestação dos parâmentros alterados pela isquemia. O tocoferol apresentou as mesmas características que a vimpocetina, mas não conseguiu diminuir o acumulo de lisofosfolipidos. A vimpocetina mostrou-se mais eficaz que tocofenol no tratamento de isquemia cerebral aguda (VISHNEVSKII, et al., 2009).

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Chukanova EI. Cavinton in the complex treatment of patients with chronic cerebrovascular insufficiency. Zh Nevrol Psikhiatr Im S S Korsakova. 2009;109(9):35-9.

Deshmukh R, et al. Amelioration of intracerebroventricular streptozotocin induced cognitive dysfunction and oxidative stress by vinpocetine — a PDE1 inhibitor. Eur J Pharmacol. 2009 Oct 12;620(1-3):49-56. doi: 10.1016/j.ejphar.2009.08.027. Epub 2009 Aug 21.

Feher G, et al. Effect of parenteral or oral vinpocetine on the hemorheological parameters of patients with chronic cerebrovascular diseases. Phytomedicine. 2009 Mar;16(2-3):111-7. doi: 10.1016/j.phymed.2008.10.014. Epub 2009 Jan 8.

Garthe AKempermann G. An old test for new neurons: refining the Morris water maze to study the functional relevance of adult hippocampal neurogenesis. Front Neurosci. 2013 May 3;7:63. doi: 10.3389/fnins.2013.00063. Print 2013.

Patyar S, et al. Role of vinpocetine in cerebrovascular diseases. Pharmacol Rep. 2011;63(3):618-28.

Solanki P, et al. Preventive effect of piracetam and vinpocetine on hypoxia-reoxygenation induced injury in primary hippocampal culture. Food Chem Toxicol. 2011 Apr;49(4):917-22. doi: 10.1016/j.fct.2010.12.015. Epub 2010 Dec 28.

Tárnok K, et al. Effects of Vinpocetine on mitochondrial function and neuroprotection in primary cortical neurons. Neurochem Int. 2008 Dec;53(6-8):289-95. doi: 10.1016/j.neuint.2008.08.003. Epub 2008 Aug 28.

Valikovics A, et al. Study of the effects of vinpocetin on cognitive functions. Ideggyogy Sz. 2012 Mar 30;65(3-4):115-20.

Vishnevskiĭ AA, et al. Membrane and functional effects of vinpocetine and tocopherol in rats with experimental cerebral ischemia. Biomed Khim. 2009 Sep-Oct;55(5):635-42.

Vorob’eva O V e Tamarova E S. Efficacy of vinpotropile in the therapy of initial signs of cerebrovascular pathology. Zh Nevrol Psikhiatr Im S S Korsakova. 2010;110(9):39-42.

Zhao YY, et al. TSPO-specific ligand Vinpocetine exerts a neuroprotective effect by suppressing microglial inflammation. Neuron Glia Biol. 2011 May;7(2-4):187-97. doi: 10.1017/S1740925X12000129. Epub 2012 Jul 6.

Zakharov VV. Vinpotropil in the treatment of dyscirculatory encephalopathy with cognitive impairment without dementia. Zh Nevrol Psikhiatr Im S S Korsakova. 2010;110(11 Pt 1):13-6.

Veja outros artigos

Imunomodulação do sistema imune

Imunomodulação do sistema imune para uma resposta eficaz que pode atuar na prevenção e na redução de infecções das vias respiratórias.    O sistema imune

Sistema-Imune
Geriatria

Suplementação para reforço do sistema imune

Suplementação para reforço do sistema imune com diferentes moléculas propícia melhora da imunomodulação e pode atuar contra infecções das vias aéreas superiores por patógenos.  

Deixe um comentário