TDAH em adultos e crianças - Centro de Pesquisa e Inovação
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Tratamento do TDAH em adultos e crianças

TDAH em adultos e crianças

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Os sintomas do TDAH são resultados da disfunção dos neurotransmissores cerebrais, principalmente dopamina, noradrenalina e serotonina (MANEETON et al., 2014; TOPZEWSKI, 2014; COELHO et al., 2018).

Sintomalgia do TDAH

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição clínica de alta relevância da área psiquiátrico, comum em crianças, adolescentes e adultos. A taxa de prevalência em todo o mundo é de 5,29%, sendo 5 a 10% para crianças e adolescentes e 2,5 a 4,4% para adultos.

O sexo masculino é o mais afetado. Inicialmente, o TDAH é caracterizado pela impulsividade, hiperatividade e déficit de atenção, sendo que estes podem se apresentar de forma associada ou isolada. Esta condição é decorrente de uma alteração neurológica que pode sofrer influências do ambiente de convívio do paciente.

Além disso, os sintomas do TDAH estão associados à outras comorbidades:

    • Desarranjos;
    • Transtornos do humor;
    • Ansiedade;
    • Compulsão;
    • Transtorno comportamental;
    • Transtorno compulsivo crônico (TOC);
    • Enxaqueca;
    • Alterações no sono;
    • Incontinência urinaria noturna e reações incomodas;
    • Agressividade em situações de oposição;
    • Desempenho ruim nas atividades escolares, nas relações familiares, mas principalmente nas sociais.

 

Sendo assim, o TDAH impactos na vida emocional do paciente, também na autoestima e na autoaceitação. O tratamento padrão inicial se dá por utilização de psicoestimulantes, mas nem todos os pacientes seguem o tratamento e acabam até mesmo abandonando-o, devido a presença de efeitos colaterais (TOPZEWSKI, 2014; COELHO et al., 2018).

Sobre possíveis tratamentos

Topzewski (2014) apontou que o uso de antidepressivos tricíclicos é uma opção interessante e eficiente para o tratamento TDAH, especialmente em pacientes que tem comorbidades associadas. Outro benefício é o custo, sendo vantajoso com o uso de antidepressivo tricíclico, que consegue agir sobre as mais diversas alterações decorrentes do TDHA.

O uso de antidepressivo associado a ansiolíticos em uma formulação traz melhores benefícios ao tratamento do TDHA. O tratamento do sono também se mostra um fator importante a se considerar, visto que a perda de sono ou o sono interrompido trazem desgastes e, consequentemente, geram irritação e desconforto ao indivíduo ao longo do dia.

A proposta do tratamento é melhorar as alterações no comportamento da hiperatividade, impulsos, agressividade e modo de lidar com a frustração.

Dessa forma, o tratamento trará melhoras na falta de atenção e nos relacionamentos interpessoais, benefícios na memorização e proporcionará melhorias como um todo no equilíbrio dos aspectos emocionais e autoestima (TOPZEWSKI, 2014).

A dopamina e a noradrenalina são os principais neurotransmissores envolvidos na fisiopatologia do TDAH. O tratamento farmacológico inclui psicoestimulantes, inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina, agonistas α2 e inibidores da monoaminoxidase (IMAO) (BOKOR & ANDERSON, 2014).

Mecanismo de ação

    • Os antidepressivos tricíclicos bloqueiam a recaptação de serotonina e norepinefrina, sendo sua ação sobre a dopamina muito mais frágil (TOPZEWSKI, 2014).
    • As vias adrenérgicas exercem importante ação na manutenção da atenção, concentração e motivação (TOPZEWSKI, 2014).
    • A ansiedade pode estar relacionada à hiperatividade do sistema adrenérgico ou a uma disfunção serotoninérgica (TOPZEWSKI, 2014).
    • A depleção de serotonina interfere no mecanismo do sono e nos distúrbios subseqüentes, podendo se manifestar em muitos pacientes com TDAH (TOPZEWSKI, 2014).

Indicação e benefícios

    • Redução de 42% dos sintomas após 6 semanas de tratamento;
    • Maior aceitabilidade e tolerabilidade que outros tratamentos;
    • 76% dos indivíduos apresentaram melhora do quadro;
    • Controle de sintomas do TDHA;
    • Ação na manutenção da atenção, concentração e motivação;
    • Redução de ansiedade e depressão.

Os psicoestimulantes são considerados como tratamento primário do TDAH. No entanto, cerca de 40% dos pacientes não respondem a esse tratamento. Sendo assim, a frequência de efeitos adversos, como insônia e diminuição do apetite, pode ser a principal causa de descontinuação do tratamento (MANEETON et al., 2014).

A bupropiona, um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina-dopamina, é indicada para o tratamento do transtorno depressivo e da dependência de nicotina. Evidências sugerem que este fármaco também pode ser eficaz no tratamento de pacientes com TDAH (MANEETON et al., 2014).

Um estudo conduzido por Wilens e colaboradores (2001) demonstrou que a bupropiona reduziu em 42% os sintomas do TDAH em adultos, após 6 semanas de tratamento. Além deste, outro estudo mais recente demonstrou que a bupropiona foi mais efetiva que o placebo no tratamento do TDAH, também em adultos (HAMEDI et al., 2014).

Estudo

Hamedi e colaboradores (2014) conduziu um estudo com o objetivo de avaliar a eficácia da bupropiona no tratamento do TDAH em adultos. bupropiona estudo Cada paciente preencheu um questionário TDHA Rating Scales-Self-Report-Screening version (CAARS) antes de começar a tomar a medicação e nas semanas 3 e 6 depois do estudo.

Resultados

    • A pontuação média dos grupos que receberam bupropiona ou placebo diminuiu ao longo das 6 semanas de estudo;
    • Houve uma diferença entre os dois grupos na pontuação CAARS, após 6 semanas, sendo mais significativa no grupo que recebeu bupropiona;
    • Bupropiona é mais efetiva que o placebo no tratamento do TDAH;
    • Com base nos resultados, os pesquisadores concluíram que a bupropriona foi mais efetiva que o placebo no tratamento de adultos com TDHA.

 

Referências

    1. Opczewski A. Attention deficit and hyperactivity disorder: a therapeutic option. Einstein (São Paulo, Brazil)12(3), 310–13, 2014.
    2. Coelho, R., Mattos, P., & Tannock, R. Attention-Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) and narrative discourse in older adults. Dementia & neuropsychologia. 12(4), 374–79, 2018.
    3. Maneeton N1, Maneeton B1, Intaprasert S1, Woottiluk P2. A systematic review of randomized controlled trials of bupropion versus methylphenidate in the treatment ofattention-deficit/hyperactivity disorder. Neuropsychiatr Dis Treat. 10, 1439-49, 2014.
    4. Bokor G1, Anderson PD2. Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. J Pharm Pract. 27(4), 336-49, 2014.
    5. Hamedi M1, Mohammdi M1, Ghaleiha A2, Keshavarzi Z1, Jafarnia M1, Keramatfar R3, Alikhani R1, Ehyaii A1, Akhondzadeh S1. Bupropion in Adults with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: a Randomized, Double-blind Study. Acta Med Iran. 52(9), 675-80, 2014.
    6. Manor I, Magen A, Keidar D, Rosen S, Tasker H, Cohen T, Richter Y, Zaaroor-Regev D, Manor Y, Weizman A. The effect of phosphatidylserine containing Omega3 fatty-acids on attention-deficit hyperactivity disorder symptoms in children: A double-blind placebo-controlled trial, followed by an open-label extension.  Eur Psychiatry. 2011.
    7. Starobrat-Hermelin B, Kozielec T. The effects of magnesium physiological supplementation on hyperactivity in children with attention deficit hyperactivity disorder (ADHD). Positive response to magnesium oral loading test. Magnes Res. 10(2), 149-56, 1997.

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