Succinato de Sumatriptana

Sumatriptana é eficaz na terapêutica para tratar enxaqueca

O sumatriptana (3- [2- (dimetilamino) etil] -N-metilindole-5-metanossulfonamida), no entanto, é um agonista seletivo de receptores do tipo 5-hidroxitriptamina1-D com atuação no tratamento da enxaqueca por impedir a liberação de mediadores da vasodilatação intracraniana e no controle da vasoconstrição e primordialmente consegue atuar promovendo alívio rápido das dores, eficaz na terapia aguda da enxaqueca e redução da frequência das crises. Ou seja, a sumatriptana é eficaz na terapêutica para tratar enxaqueca.

(Brar & Saadabadi, 2019; Antonaci et al., 2016)

Caracterização do quadro de enxaqueca

A princípio o histórico do padrão de enxaqueca possui 3 estados, enxaqueca com presença de aura (distúrbios neurológicos prodrômicos), enxaqueca com ausência de aura ou apenas a aura. Certamente os episódios de enxaqueca primordialmente apresentam espaçamentos e podem ainda apresentar variação na intensidade.

Todavia o padrão de crise no individuo é sempre o mesmo, variando apenas na intensidade da dor. Acima de tudo nas doses de 25 e 50 mg de sumatriptana houve boa tolerância com o uso de sumatriptana oral em crianças e adolescentes diagnosticadas com enxaqueca. A medida que o tempo se estende os efeitos benéficos são aumentados para alívio da enxaqueca como resultado ao uso de sumatriptana.

(Fujita et al., 2013; Brar & Saadabadi, 2019; Maghbooli et al., 2013)

Como acontece a enxaqueca

Com efeito a enxaqueca primordialmente é um distúrbio neurológico crônico com episódios de cefaleia, bem como outros sintomas associados, eventualmente e são acompanhados por alodinia cutânea e podem ser precedidos eventualmente por aura e/ou sintomas de premonição. Todavia a enxaqueca apresenta crises recorrentes, pode não apenas estar associada a vômitos, náuseas, como também irritabilidade ao barulho (fonofobia) e a luminosidade (fotofobia).

(Landy et al., 2018; Brar & Saadabadi, 2019; Silberstein et al., 2008)

Ora, suspeita-se que a ação responsável pela cefaleia (enxaqueca) ou seja, uma resposta do cérebro e de seus vasos sanguíneos a algum gatilho de origem externa, bem como a ativação de nociceptores meníngeos e vasculares associada a modificações na modulação central da dor.

(Brar & Saadabadi, 2019; Silberstein et al., 2008)

Mecanismo migranea

Mecanismo de desenvolvimento da enxaqueca

Em suma o mecanismo está ligado ao peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), neuropeptídeo relacionado na fisiopatologia da enxaqueca. Evidências recentes sugerem que o tronco cerebral é o local das principais disfunções subjacentes à enxaqueca. Pensa-se que alterações corticais, alterações do tronco cerebral, ou ambas, levam à ativação do sistema trigêmeo. Entretanto, os neuropeptídeos são liberados das terminações nervosas do trigêmeo nas meninges, induzindo vasodilatação e desencadeando dor sensorial no trigêmeo.

Assim sendo, a dilatação excessiva das artérias cranianas extracerebrais (durais ou meníngeas), derivações arteriovenosas ou ambas e o extravasamento neurogênico de plasma dural ou uma combinação desses mecanismos é sugestivo serem os responsáveis pelo aparecimento dos sintomas da enxaqueca. Com efeito a sumatriptana é eficaz na terapêutica para tratar enxaqueca.

(Brar & Saadabadi, 2019; Silberstein et al., 2008)

 

Tratamento da enxaqueca

O tratamento da enxaqueca tem por objetivo, promover a redução da crise, com efeito é utilizado a terapia aguda para abortar os ataques, assim sendo as terapias para tratamento da enxaqueca incluem medicamentos específicos (derivados de ergot e triptanos) e não específicos (analgésicos e AINEs) para quadros de enxaqueca leve a moderada.

(Antonaci et al., 2016; Smith et al., 2019; Silberstein et al., 2008; McCrory & Gray 2003; Faber et al., 2017)

O manejo clínico da enxaqueca pode ser de modo agudo (durante a crise) ou prolongado nos períodos inter crises ou impedir novos episódios. Na terapia para tratamento e controle das crises de enxaqueca utiliza-se analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e os tiptanos, considerados a primeira linha de escolha, para melhora dos sintomas de trinta minutos a duas horas após a administração.

(Antonaci et al., 2016; Brar & Saadabadi, 2019; Derry & Moore, 2012)

Tratamento com succinato de sumatriptana

O succinato de sumatriptana demonstrou ser um medicamento eficaz para o tratamento de crises agudas de enxaqueca, dessa maneira a administração oral de sumatriptana e consequentemente seus efeitos são percebidos no alivio da crise de enxaqueca. Eventualmente o inicio da ação dá-se cerca de 30 minutos após a administração bem como por até 2 horas.

(Brar & Saadabadi, 2019; Smith et al., 2019)

A sumatriptana de uso oral mostrou-se com resultados promissores na eficácia com uma dose de 100 mg, embora a dose de 50 mg forneça uma combinação de eficácia e tolerabilidade também aceitáveis. Todavia os benefícios podem ser mais acentuados quando administrados no início da dor de cabeça (crise), porém a dor de cabeça pode persistir nos pacientes (15 a 40%). Por outro lado para uma maior eficácia seria a associação de triptanos a um AINEs.

(Antonaci et al., 2016)

Mecanismo de ação do succinato de sumatriptana

Succinato de sumatriptana é um agonista seletivo de receptores do tipo 5-hidroxitriptamina1 que atua no bloqueio do vazamento de plasma da dura e dos seios venosos, uma vez que essa ação é estimulada por fibras trigeminais perivasculares responsáveis por liberar substância P, um peptídeo relacionado à calcitonina G e neurocinina A.

Com efeito a sumatriptana 5-HT1B /1D leva a vasoconstrição na artéria basilar e nos vasos sanguíneos da dura-máter e com efeito consegue reduzir a sensibilidade periférica por vasoconstrição seletiva ou por um efeito nos nervos trigemino vasculares. O succinato de sumatriptana inibe o terminal pré-sináptico do núcleo trigeminal caudal, o que leva à reversão da alodinia facial (dor ou incômodo com estímulos que normalmente não causariam dor).

(Brar & Saadabadi, 2019; Antonaci et al., 2016)

Efeito dos triptanos

Os triptanos não apenas diminuem a transmissão dos impulsos da dor para o núcleo caudal do trigêmeo, mas também liberam mediadores anti-inflamatórios dos nervos trigêmeos, reduzindo assim, a vasodilatação mediada por peptídeos relacionados ao gene da calcitonina.

(Brar & Saadabadi, 2019; Antonaci et al., 2016; Smith et al., 2019)

Evidência de estudos

Estudos apontam que a sumatriptana melhora a dor e também consegue atuar tanto nos sintomas da enxaqueca quanto nos sintomas da náusea, sensibilidade a luz e ao barulho. Por consequência o uso de sumatriptana está relacionado a melhora das crises de enxaqueca, sendo muito eficaz no tratamento da dor de intensidade de moderada a severa.

(Derry & Moore, 2012; Smith et al., 2019)

Com efeito a sumatriptana é eficaz na terapêutica para tratar enxaqueca no tratamento da enxaqueca em crianças e adolescentes (idade de 10 a 17 anos), diagnosticados com enxaqueca acompanhada ou não de aura. O estudo foi analisado e da mesma forma  mostrou resultados significativos 4 horas após o uso de sumatriptana, com o propósito de aliviar a dor e o incômodo com a luminosidade e barulho comparado ao placebo, além disso as doses de sumatriptana foram bem toleradas em crianças e adolescentes.

(Fujita et al., 2013)

Indicação e benefícios

  • Alivio da dor, fotofobia, fonofobia;
  • Tratamento e alívio dos sintomas da cefaleia, com ou sem aura;
  • Melhora do quadro de enxaqueca;
  • Efetividade em diferentes fases da crise de enxaqueca.
(Brar & Saadabadi, 2019; Smith et al., 2019; Thokagevistk et al., 2019; Miljkovic et al., 2018)

Reações adversas

  • Efeito sedativo leve (sonolência e fadiga);
  • Pode levar a aumento da pressão arterial;
  • Precipita a síndrome de vasoconstrição cerebral reversível.
(Brar & Saadabadi, 2019; Antonaci et al., 2016; Derry & Moore, 2012; Sheftell et al., 2005)

Contraindicação

  • Insuficiência hepática ou renal grave;
  • Uso concomitante com inibidores da MAO;
  • Pacientes com cardiopatia isquêmica;
  • Indivíduos  com doença vascular periférica;
  • Associação de ergotamida e triptanos;
  • Gestantes e lactantes;
  • Hipertensão não controlada.
(Brar & Saadabadi, 2019; Antonaci et al., 2016; Smith et al., 2019)

Recomendações importantes para uso de sumatriptana

  • É recomendável que a dose seja administrada após o início da cefaleia (crise de enxaqueca), embora o paciente possa usá-lo a qualquer momento durante a crise de enxaqueca;
  • Um segunda dose não deve ser tomada, se a primeira não aliviar os sintomas.
  • Como terapia preventiva não deve ser utilizado;
  • Não fazer uso de succinato de sumatriptana em período inferior a 24 horas após o uso qualquer medicamento que contenha ergotamina e diidroergotamina;
  • A dose total de 300 mg no intervalo de 24 horas não dever ser ultrapassada.
(Sheftell et a., 2005)

Estudo I

Dois estudos randomizados, duplo-cego e de grupos paralelos, com um total de 2696 pacientes, 902 receberam 50 mg de sumatriptana, 902 sumatriptana 100 mg e 892 receberam placebo. A idade média dos pacientes foi de 40 anos. Os resultados evidenciaram que a sumatriptana é eficaz na terapêutica para tratar enxaqueca de acordo com os dados apresentados com estudo.

Resultados

  • Pacientes que receberam sumatriptana (50 e 100 mg) tiveram alivio da cefaleia de enxaqueca,2 horas após a administração e ainda tiveram alívio da dor sustentado por 24 horas em comparação aos pacientes em uso de placebo;
  • A utilização de sumatriptana proporcionou significativo alívio da dor em comparação ao placebo, sendo 20 minutos para início da ação do fármaco após a administração de 100 mg e 30 minutos após a administração de 50 mg

Percentual de pacientes com alivio da dor em diferentes intervalos de tempo

grafico resultados sumatriptana

Fonte: Sheftell et al., 2005
  • Nos resultados de estudos , no entanto, se apresentam da seguinte forma, no estudo I, o uso de sumatriptana 100 mg mostrou início dos efeitos em 25 minutos após e 30 minutos após administrar 50 mg;
  • Os resultados foram de 17 minutos para início do efeito com 100 mg de sumatriptana e 30 minutos para a dose de sumatriptana 50 mg;
  • Com efeito, 72% dos pacientes utilizando 100 mg de sumatriptana tiveram resposta positiva sobre os sintomas da enxaqueca;
  • 67% dos pacientes em uso de 50 mg de sumatriptana também obtiveram resposta no alívio dos sintomas e apenas 42% dos pacientes que utilizaram placebo tiveram resposta
(Sheftell et a., 2005)

Graf. 1- Resultados de alívio da dor após o uso de sumatriptana em diferentes intervalos de tempo

sumatriptana percentual de melhora

Entretanto, a sumatriptana é eficaz na terapêutica para tratar enxaqueca, pois mostrou-se benéfico no tratamento da enxaqueca aguda de intensidade moderada a grave, com início de ação rápido e consequentemente alívio  dos sintomas.

Estudo II

Sumatriptana associada ao naproxeno

Estudou randomizado, duplo cego controlado por placebo, avaliou a eficácia da sumatriptana 85 mg associada ao naproxeno 500 mg no tratamento da enxaqueca. A população em seguida foi analisada e dividida em 2 estudos, assim sendo, 576 pacientes no estudo 1, com 280 indivíduos em uso de sumatriptana e 296 em uso de placebo. No estudo 2 foram, 535 pacientes, 276 receberam sumatriptana e 259 receberam placebo. A idade dos pacientes foi de 18 a 65 anos. Com o propósito de analisar o efeito sobre a enxaqueca, os pacientes apresentaram histórico de enxaqueca por mais de 6 meses com ou sem presença de aura.

Resultados do estudo uso de sumatriptana associada ao naproxeno 

  • Não só em um como nos dois estudos, os pacientes tratados com sumatriptana associada a naproxeno 51% (estudo 1) e 52% (estudo 2) tiveram alivio da dor, 2 horas após a administração quando comparado ao placebo, 17% (estudo 1) e 15% (estudo 2);

Graf. 1 e 2- Percentual de pacientes livres da dor nos 2 estudos

ESTUDO SUMATRIPTANA

 

Graf. 3- Resultados após o uso da sumatriptana 2 e 24 horas

resultados sumatriptana 2 e 24 apos uso

  • Com efeito a incidência de enxaqueca associada a náusea, fono e fotofobia foi significativamente reduzida, no períodos de 2 a 4 horas após a administração da sumatriptana associada ao naproxeno; ·
  • Semelhantemente os estudos demonstraram que sumatriptana associado ao naproxeno é eficaz no tratamento da enxaqueca aguda, com resultados significativos quando administrado no inicio da dor;
  • De acordo com os resultados sumatriptana associada ao naproxeno demonstrou resultado superior no alívio da dor, 30 minutos, 1, 2 e 4 horas após a administração, sendo sustentado por período de  2 a 24 horas.
(Silberstein et al., 2008)

 

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Referências

Antonaci, F., Ghiotto, N., Wu, S., Pucci, E., & Costa, A. (2016). Recent advances in migraine therapy. SpringerPlus, 5, 637.

Brar, Yudhveer and Saadabadi, Abdolreza. (2019). StatPearls Publishing Last Update.

Derry, C. J., Derry, S., & Moore, R. A. (2012). Sumatriptan (oral route of administration) for acute migraine attacks in adults. The Cochrane database of systematic reviews, 2012(2), CD008615.

Faber, A. J., Lagman-Bartolome, A. M., & Rajapakse, T. (2017). Drugs for the acute treatment of migraine in children and adolescents. Paediatrics & child health, 22(8), 454–458.

Fujita, M., Sato, K., Nishioka, H., & Sakai, F. (2013). Oral sumatriptan for migraine in children and adolescents: A randomized, multicenter, placebo-controlled, parallel group study. Cephalalgia, 34(5), 365–375.

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Maghbooli, M., Golipour, F., Moghimi Esfandabadi, A., & Yousefi, M. (2013). Comparison Between the Efficacy of Ginger and Sumatriptan in the Ablative Treatment of the Common Migraine. Phytotherapy Research, 28(3), 412-15.

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Ortiz, F., Raffaelli Jr, E., et al., Cefaléias Primárias: Aspectos Clínicos e Terapêuticos”. (Ed. 2). Editora Zeppelini, São Paulo, 2002.

SHEFTELL, F., DAHLOF, C., BRANDES, J., AGOSTI, R., JONES, M., & BARRETT, P. (2005). Two replicate randomized, double-blind, placebo-controlled trials of the time to onset of pain relief in the acute treatment of migraine with a fast-disintegrating/rapid-release formulation of sumatriptan tablets. Clinical Therapeutics, 27(4), 407-17.

Silberstein, S. D., Mannix, L. K., Goldstein, J., Couch, J. R., Byrd, S. C., Ames, M. H., Lener, S. E. (2008). Multimechanistic (sumatriptan-naproxen) early intervention for the acute treatment of migraine. Neurology, 71(2), 114-21.

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Thokagevistk, K., François, C., Brignone, M., & Toumi, M. (2019). From investigational product to active reference: evolution of oral sumatriptan efficacy versus placebo for the treatment of acute migraine episodes and potential impact in comparative analyses. Journal of market access & health policy, 7(1), 1603538.

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