Reposição de testosterona na prática clínica - Centro de Pesquisa
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Reposição de testosterona na prática clínica - homem faz barra

Reposição de testosterona na prática clínica

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A importância da reposição de testosterona na prática clínica para homens e mulheres

A testosterona é o principal hormônio circulante no sexo masculino, porém também está presente, em um grau inferior, no sexo feminino. É produzida pelas células de leydig nos homens, enquanto nas mulheres em idade fértil sua produção é realizada nos ovários, e em mulheres na pós-menopausa vai depender da transformação da dehidroepiandrosterona (DHEA) por mecanismos endócrinos.

Nos homens, 44% da testosterona circulante estão ligados a uma proteína de transporte, a Sex Hormone-binding Globulin (SHBG), 50% estão ligados à albumina, 4% à globulina ligadora de cortisol e 2% permanecem livres.

A testosterona ativa ou biodisponível engloba as frações livre e ligada à albumina visto que a afinidade da testosterona à albumina é mil vezes superior a fração que se liga a SHBG (SRINIVAS-SHANKAR et al., 2010; RAISANEN et al., 2018).

O benefício da testosterona está em sua ação sobre os tecido muscular, nas vesículas seminais e no sistema neural. As apresentações disponíveis são em uso tópico e oral, promovendo saúde e bem estar aos mais diversos públicos e principalmente aqueles que se encontram com maior idade.

Em homens as elevações nos níveis do antígeno prostático especifico (PSA) é uma das grandes preocupações, levando ao recuo muitas vezes na sua utilização clínica.

Porém sua contribuição e benefícios para a saúde são notáveis tanto para o público masculino como para o feminino (MINER et al., 2013; WYLIE et al., 2010)

A testosterona total decresce com a idade em uma taxa de 0,4 a 1% ao ano. Isto resulta em uma prevalência de 20% a 50% de deficiência de testosterona em homens com idade superior a 60 anos, respectivamente. A prevalência na andropausa é proporcional ao aumento da idade, atingindo 5% dos indivíduos com idades entre 70 e 79 anos (SAMARAS et al., 2014).

O declínio da testosterona tem sido associado a diversas condições relacionadas com o envelhecimento. A redução da força e da massa muscular, bem como a redução do status funcional são mais frequentes em homens mais velhos com níveis reduzidos deste hormônio.

Além disso, a redução da testosterona, associada ao uso de álcool e de glicocorticoides, é uma das causas mais frequentes de osteoporose. Estudos também sugeriram uma relação entre baixos níveis de testosterona e o declínio leve da função cognitiva e a doença de alzheimer (SAMARAS et al., 2014).

Indicação e benefícios da reposição de testosterona

    • Aumento de força e massa muscular em idosos;
    • Melhora disfunções do desejo em mulheres e em homens;
    • Diminuição da perda óssea;
    • Reduz gordura corporal;
    • Promove aumento da massa magra;
    • Melhora distúrbios do humor;
    • Prevenção da osteoporose.

Estudos

  • Estudo I

Um estudo prospectivo e observacional foi realizado com duração de 12 meses, em homens que começariam ou já estavam sob tratamento de reposição de testosterona, foi utilizado a reposição por via tópica com um gel comercial de testosterona a 1% (MINER et al., 2013).

Resultados

    1. Os níveis de testosterona total e livre aumentaram significativamente depois de 3 meses (16,8nmol/L e 286,3 nmol/L);
    2. Houve um aumento médio do antígeno prostático específico (PSA) de 1,12 mcg/L para 1,26 mcg/L após 12 meses de uso do gel tópico, permanecendo dentro dos limites de segurança;
    3. Melhoras significativas na função sexual e no humor/depressão após 3 meses, também foram observadas.

 

  • Estudo II

O objetivo de um estudo conduzido por Kurth e colaboradores (2014) foi avaliar os efeitos do tratamento com testosterona sobre as alterações locais no volume da substância cinzenta na esclerose múltipla.

Resultados

A aplicação tópica de 10 g/dia de gel contendo 100 mg de testosterona promoveu retardo e até mesmo reversão da neurodegeneração associada à EM. Este foi o primeiro relato do papel neuroprotetor da testosterona, após aplicação tópica, foi capaz de promover um aumento da substância cinzenta no tratamento da esclerose múltipla.

  • Estudo III

Segundo Mitkov e colaboradores (2013) conduziram um estudo com o objetivo de avaliar os efeitos da testosterona trandérmica (50 mg/dia) sobre a disfunção erétil e a qualidade de vida de pacientes com diabetes tipo 2, em comparação com o ácido alfa-lipoico.

Resultados

    1. A reposição de testosterona por via transdérmica promoveu redução significativa do índice de massa corporal (IMC);
    2. Aumento das concentrações de testosterona e dos níveis de SHBG (sex hormone-binding globulin);
    3. Melhora do controle glicêmico e do perfil lipídico;
    4. Melhora da função erétil;
    5. Melhora da função física (redução das limitações).

 

  • Estudo IV

Segundo Fooladi e colaboradores (2014) em um estudos com objetivo de avaliar a eficácia da reposição de testosterona por via transdérmica como uma opção terapêutica para a perda de libido em mulheres submetidas à terapia antidepressiva com inibidores seletivos de receptação de serotonina (ISRS).

44 mulheres, idades entre 35 e 55 anos, que faziam uso de doses estáveis de ISRSs ou de SNRI e que apresentavam disfunção sexual, realizaram um protocolo de tratamento baseado na aplicação transdérmica de testosterona (300 mcg/dia).

Resultados

Após 4 semanas houve um aumento significativo no número de eventos sexuais satisfatórios e melhora das desordens do desejo, a avaliação foi feita pela escala Female Sexual Distress Scale-Revised (FSDSR) e não houve relato de eventos adversos que levassem ao abandono do tratamento.

  • Estudo V

Srinivas-Shankar e colaboradores (2010) conduziram um estudo para determinar os efeitos da reposição de testosterona por via transdérmica (50 mg/dia) sobre a perda de força muscular em homens idosos.

Resultados

    1. Após o tratamento, verificou-se aumento da força muscular;
    2. Aumento da massa magra corporal;
    3. Redução da gordura corporal;
    4. Melhora da função física entre os idosos, principalmente aqueles que apresentavam fragilidade muscular.
    5. Além disso, os sintomas sexuais e somáticos foram reduzidos com o tratamento com a testosterona.

 

Faça o download dos arquivos nos links abaixo e saiba mais sobre o assunto.


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Referências

  1. Raisanen, J C, Chadwick, S B, Michalak, N, & van Anders, S M. Average associations between sexual desire,
  2. testosterone, and stress in women and men over time. Archives of Sexual Behavior, 47(6), 1613–31, 2018.
  3. Wylie, K, Rees, M, Hackett, G, Anderson, R, Bouloux, P-M, Cust, M, Wu, F. Androgens, health and sexuality in women and men. Maturitas. 67(3), 275–89, 2010.
  4. Buvat J, Montorsi F, Maggi M, Porst H, Kaipia A, Colson M H, Cuzin B, Moncada I, Martin-Morales A, Yassin
  5. A, Meuleman E, Eardley I, Dean J D, Shabsigh R. Hypogonadal men nonresponders to the PDE5 inhibitor tadalafil
  6. benefit from normalization of testosterone levels with a 1% hydroalcoholic testosterone gel in the treatment of
  7. erectile dysfunction (TADTEST study). J Sex Med. 8(1), 284-93, 2011.
  8. Davison S., Bell R, Gavrilescu M, Searle K, Maruff P, Gogos A, Rossell S, Adams J, Egan G, Davis S. Testosterone improves verbal learning and memory in postmenopausal women: Results from a pilot study. Maturitas. 70, 307– 11, 2011.
  9. Fooladi E, Bell R J, Jane F, Robinson P J, Kulkarni J, Davis S R. Testosterone improves antidepressant-emergent loss of libido in women: findings from a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Sex Med. 11(3), 831-39, 2014.
  10. Kurth F, Luders E, Sicotte N L, Gaser C, Giesser B S, Swerdloff R S, Montag M J, Voskuhl R R, Mackenzie-Graham A. Neuroprotective effects of testosterone treatment in men with multiple sclerosis. Neuroimage Clin. 4, 454-60, 2014.
  11. Miner M M, Bhattacharya R K, Blick G, Kushner H, Khera M. 12-month observation of testosterone replacement effectiveness in a general population of men. Postgrad Med. 125(2), 8-18, 2013.
  12. Mitkov M D, Aleksandrova I Y, Orbetzova M M. Effect of transdermal testosterone or alpha-lipoic acid on erectile dysfunction and quality of life in patients with type 2 diabetes mellitus. Folia Med (Plovdiv). 55(1), 55-63, 2013.
  13. Samaras N, Papadopoulou M A, Samaras D, Ongaro F. Off-label use of hormones as an antiaging strategy: a review. Clin Interv Aging. 9, 1175-86, 2014.
  14. Srinivas-Shankar U, Roberts S A, Connolly M J, O’Connell M D, Adams J E, Oldham JA, Wu FC. Effects of testosterone on muscle strength, physical function, body composition, and quality of life in intermediate-frail and frail elderly men: a randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Clin Endocrinol Metab. 95(2), 639-50, 2010.

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