Quitosana e Gymnema silvestre - Centro de Pesquisa e Tecnologia
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Quitosana e Gymnema silvestre

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Papel multifuncional no combate a obesidade da Quitosana e Gymnema silvestre

Obesidade

A princípio, a obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo de gordura nos adipócitos, frequentemente associada a diabetes tipo II, inflamação, hipertensão e doenças cardiovasculares. Estudos sugerem que a Quitosana e a Gymnema silvestre possuem efeitos contra a obesidade.

Quitosana

A Quitosana é um polissacarídeo compreendendo copolímeros de glucosamina e N-acetilglucosamina, derivado das fibras de crustáceos (WALSH et al., 2013). Tem sido geralmente aceito que seus efeitos antiobesidade originam-se devido a sua capacidade de ligação às moléculas de gordura, o qual interfere na absorção de lipídeos da dieta, no trato gastrointestinal.

Entretanto, estudos mais recentes sugerem um mecanismo de ação mais complexo da quitosana. Foi apontado que a quitosana promove diminuição na ingestão de alimentos, depois de um experimento feito com ratos suplementados com ela (RAHMAN et al., 2010).

Da mesma forma, alguns estudos in vitro mostram que a exposição de pré-adipósitos a quitooligossacarídeos modulou a secreção de adipocinas e inibiu a adipogênese que, por meio de dessas adipocinas, a leptina, o fator de necrose tumoral alfa, a interleucina 6 e a proteína C reativa, através da sua ação local e sistêmica, regulam o metabolismo energético, a inflamação e a sensibilidade a insulina (WALSH et al., 2013; BAHAR et al., 2011).

Estudos

Estudo I

Um estudo publicado em 2012 mostrou que o uso de Quitosana a longo prazo deve ser feito com cautela e acompanhamento. Os resultados do trabalho mostram que o microambiente rígido formado pela Quitosana pode modificar as propriedades fotofísicas da vitamina B12. Assim, a quitosana é capaz de eliminar a vitamina B12 e, com base nessas informações, o tratamento prolongado deve ser acompanhado junto aos níveis de vitamina B12 (RODRIGUES & OLIVEIRA 2012).

A administração de quitosana em porcos mostrou uma redução no peso corporal dos animais, bem como a diminuição na ingestão de alimentos. A proteína C reativa aumentou os níveis de leptina circulante no soro. O tratamento exibiu propriedades antiobesidade (WALSH et al., 2013).

Estudo II

Outro trabalho também avaliou a suplementação em ratos de quitosana quanto a sua ação na obesidade e diabetes. Os animais foram divididos em 4 grupos: controle, diabéticos, diabéticos + 5% de Quitosana e diabéticos + 7% de quitosana.

Após 10 semanas de ingestão de quitosana, os níveis plasmáticos elevados de glicose, do fator de necrose tumoral alfa e IL-6 e dos baixos níveis de adiponectina causados pelo diabetes foram efetivamente revestidos com o tratamento. Os ratos alimentados com 7% de quitosana apresentaram diminuição da resistência à insulina.

Além disso, neste grupo notou-se intensidades menores de adipócito granular e taxas de lipólise mais elevadas. A quitosana também reduziu os níveis de triglicérides e colesterol hepáticos nos ratos. Todos os resultados indicam que a administração a longo prazo de quitosana pode reduzir a resistência periférica à insulina, através da supressão da acumulação de lipídeos no fígado e tecido adiposo, e melhora na inflamação crônica em ratos diabéticos (HSIEH et al., 2012).

Estudo III

Um estudo randomizado e controlado por placebo foi realizado com 12 adultos obesos, com ausência de diabetes mellitus, para avaliação da suplementação de quitosana. Durante um período de 3 meses, 6 pacientes receberam quitosana (750mg, 3 vezes ao dia) 30min antes das refeições, e os outros 6 receberam placebo.

A sensibilidade à insulina foi estimada antes e após a intervenção e, dessa forma, constatou-se que sensibilidade a insulina aumentou significativamente no grupo tratado. Além disso, houve redução no peso corporal, na circunferência abdominal, no índice de massa corporal e nos níveis de triglicerídeos.

Sendo assim, a suplementação se mostrou benéfica para reduzir os índices de parâmetros envolvidos na obesidade e que podem levar a síndrome metabólica. A administração de quitosana por 3 meses aumentou a sensibilidade a insulina em pacientes obesos e diminuiu os parâmetros ligados a obesidade (HERNÁNDÉZ-GONZÁLEZ et al., 2010).

Peso corporal Inicial
Índice de massa corporal
Circunferência abdominal
Níveis de triglicerídeos

90.7 X 84.7 kg

34.3 x 31.6 kg/m2

106 X 99 cm

2.4 X 1.6 mmol/L

Gymnema silvestre

A princípio, a Gymnema sylvestre (GS) age aumentando a secreção de insulina, melhorando a recaptação de glicose pelo tecido adiposo e pela musculatura esquelética, inibindo a absorção de glicose intestinal e inibindo a produção hepática de glicose (PRABHAKAR, et al., 2011; TIWARI et al., 2014).

As propriedade das G. sylvestre permitem sua atuação na estimulação da ação da insulina no organismo e o aumento da sensibilidade a insulina. Além disso, ainda consegue atuar na redução dos níveis lipídicos. G. sylvestre pode ser uma alternativa ou coadjuvante para o tratamento de indivíduos obesos e naqueles com predisposição para desenvolvimento da síndrome metabólica.

Além de seus efeitos sobre a obesidade, ela pode atuar ainda sobre a perda de peso e alergias. Também possui ação antimicrobiana, diurética e na redução de níveis lipídicos (ZUÑIGA et al., 2017).

Um estudo avaliou a eficácia da G. sylvestre em pacientes com diabetes mellitus (DM) tipo 2. Para tal, o grupo foi suplementado com 500 mg do extrato seco de Gymnema sylvestre, por um período de 3 meses, e a eficácia da planta foi avaliada por meio de exames clínicos e bioquímicos.

A suplementação resultou em diminuição da polifagia, fadiga, glicose no sangue (pós-prandial e jejum) e a hemoglobina glicada. Houve também uma melhora no perfil lipídico dos pacientes (KUMAR et al., 2010).

Em um outro estudo, onde foi feita a administração oral de extrato de GS 1g/dia por um período de 60 dias em um grupo de pacientes com DM tipo 2, os resultados apontaram para um aumento significativo na circulação de insulina e peptídeo C, que estão associadas a uma significativa redução dos níveis de glicose no sangue em jejum e pós-prandial.

Medidas in vitro, utilizando ilhotas de Langerhands isolados de humanos, demonstraram os efeitos estimulatórios direto da GS na secreção de insulina pelas células β pancreáticas em humanos. Sendo assim, a atuação da G. sylvestre consiste na estimulação da secreção de insulina.

Todas as observações dos estudos in vitro e in vivo sugerem que a GS pode ser uma alternativa de terapia potencial para o tratamento da hiperglicemia em pacientes com DM tipo 2 (AL-ROMAIYAN et al., 2010).

 

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Referências

    1. Al- Romaiyan, et al. A novel Gymnema sylvestre extract stimulates insulin secretion from human islets in vivo and in vitro.Phytother Res. (9), 1370-76, 2010.
    2. BaharB, O’Doherty JV, Sweeney T. Apotential role of IL-6 inthechito- Oligosaccharide –mediated inhibition of adipogenesis. Br J Nutr. 106, 1142-53, 2011.
    3. Hernández-Gonzáles SO, Gonzáles-Ortiz M, Martínez-Abundis E, Robles-Cervantes JÁ. Chitosan improves insulin sensitivity as determined by the euglycemic-hyperinsulinemic clamp technique in obese subjects.Nutr Res. 30(6), 392-95, 2010.
    4. Hsieh YL, Yao HT, Cheng RS, Chiang MT. Chitosan reduces plasma adipocytokines and lipid accumulation in liver and adipose tissues and ameliorates insulin resistance in diabetic rats.J Med Food. 15(5), 453-60, 2012.
    5. Kumar SN, et al. An open label study on the supplementation of Gymnema sylvestre in type 2 diabetics. J Diet Suppl. 7(3), 273-82, 2010.
    6. Prabhakar PK; Doble M. Mechanism of action of natural products used in the treatment of diabetes mellitus. Chin J Integr Med. 17(8), 563-74, 2011.
    7. Rahman MA, Kumar SG, Yun JW. Proteome analysis in adipose tissue of ob/ob mice in response to chitosan oligosaccharides treatment. Biotechnol Bioprocess Eng. 15, 559-71, 2010.
    8. Rodrigues MR, Oliveira HP. Use of chitosan in the treatment of obesity: evaluation of interaction with vitamin B12. Int J Food Sci Nutr. 63(5), 548-52, 2012.
    9. Tiwari, P., Mishra, B N., Sangwan. Phytochemical and Pharmacological Properties of Gymnema sylvestre: An Important Medicinal Plant. Biomed Res Int. 2014: 830285, 2014.
    10. Zuñiga, L. Y., González-Ortiz, M., & Martínez-Abundis, E. Effect of Gymnema sylvestre Administration on Metabolic Syndrome, Insulin Sensitivity, and Insulin Secretion. Journal of Medicinal Food, 20(8), 750–54, 2017.
    11. Walsh AM, Sweeney T, Bahar B, O’Doherty JV. Mult-functional roles of chitosan as a potential protective agent against obesity. Plos one. 8(1), e53828, 2013.

 


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