Probióticos na síndrome metabólica

Probióticos podem ser usados no tratamento da obesidade e síndrome metabólica que estão cada vez mais presentes na população mundial.

Vários tratamentos estão sendo estudados para garantir um melhor resultado com efeitos colaterais mínimos, entre eles está o uso de probióticos na síndrome metabólica e obesidade.

Sendo que estes problemas podem influenciar em distúrbios como hipertensão arterial, diabetes melitus tipo 2, dislipidemia e desordens cardiovasculares. Estudos tem apontado para a funcionalidade da microbiota intestinal na homeostase energética e no acúmulo de gordura corporal

(PRADOS-BO, 2015)

Relação entre a microbiota e a síndrome metabólica

A microbiota intestinal tem um papel fundamental no funcionamento normal de diversos sistemas, entre eles, o metabólico e o imunológico. Por isso, consegue desempenhar um papel importante em doenças relacionadas a este sistema.

As bactérias comensais levam ao desenvolvimento do sistema imune do intestino através de interações específicas entre antígenos bacterianos e moléculas receptoras de padrões expressos por uma variedade de células hospedeiras.

(SANZ et al.,2015; ARRIETA et al.,2014; SALEM, 2018)

Relação microbiota e síndrome metabólicaA plasticidade da flora intestinal permite a criação de várias estratégias de intervenção que promovem um ecossistema intestinal saudável para reduzir o risco de doença.

(TREMAROLI; BÄCKHED, 2012)

Características da obesidade

Desta forma, estudos vêm demonstrando que pessoas obesas tem populações especificas de bactérias. Estas podem ser Prevotellaceae, coccoides Blautia, rectale Eubactéria, Lactobacillus e Bifidobacterium.

Consequentemente, acredita-se que a modulação da microbiota intestinal para um perfil de “não-obesos” saudáveis pode apresentar uma ferramenta promissora para a prevenção de obesidade.

(SÁEZ-LARA,2016)

Além disso, outro estudo foi capaz de revelar que indivíduos com baixa variedade bacteriana ganham mais peso, aumentam a resposta inflamatória (proteína C reativa e leptina) e resistência à insulina e dislipidemia em comparação com indivíduos com contagens elevadas de genes bacterianos.

(LE CHATELIER et al.,2013)

Além de melhorar a qualidade de vida, atuais evidencias também sugerem que a variação da microbiota intestinal pode ter uma grande função na variação da patogênese da obesidade, tendo interação direta com fatores ambientais

(LE CHATELIER et al.,2013)

Indicação e benefícios

    • Redução de peso, gordura corporal;
    • Auxilio na perda de peso;
    • Prevenção da elevação da gordura corporal;
    • Diminuição dos níveis de leptina;
    • Reduz resistência à insulina;
    • Melhora parâmetros ligados a síndrome metabólica;
    • Coadjuvante para tratar a esteatose hepática;
    • Interferência no estimulo de células do sistema imune;
    • Regulação de moléculas benéficas na promoção da homeostase intestinal.

Mecanismos de ação

A microbiota intestinal auxilia diretamente no metabolismo, promovendo hidrólise de polissacáridos complexos a partir de fibra dietética. Consequentemente, aumentam a produção de energia.

Ela também é capaz de contribuir para a geração de ácidos graxos de cadeia curta (butirato, acetato, e propionato), que afetam o metabolismo do hospedeiro de diferentes maneiras.

(SANZ et al.,2015; TURNBAUGH et al.,2006)

Os ácidos graxos tem ação direta ou indireta tanto na obesidade como em outras doenças metabólicas por vários mecanismos distintos. O aumento e diminuição da concentração de ácidos graxos de cadeia curta nas fezes e no plasma pode estar associado com a superalimentação, obesidade e síndrome metabólica.

Efeitos

Dessa forma, o tipo de microbiota presente no hospedeiro e a alimentação são capazes de regular a quantidade e o tipo de ácidos graxos de cadeia curta produzidos (PERRY et al.,2016; SONNENBURG & BÄCKHED, 2016).

Um dos mecanismos de ação do butirato está relacionado à sua capacidade de aumentar a saciedade e diminuir a ingestão de calorias e glicemia pós-prandial. Além de ser a principal fonte de energia para enterócitos, e, portanto, regular a proliferação e diferenciação celular e induz a produção de GLP-2. Isso reforça completamente a função da barreira intestinal.

(FERNANDES et al.,2012; CANI et al.,2009; SANZ et al.,2015)

Processo de efeitos

Uma via proposta também é em que esses ácidos graxos estimulam a secreção do péptido YY (PYY), um hormônio inibidor de apetite, relacionada com a obesidade (KOOTTE et al.,2012).

Mudanças da composição e capacidade metabólica da microbiota intestinal em promover mudanças na síntese, armazenagem ou o metabolismo dos lipídeos no tecido adiposo, fígado e músculo. Moléculas microbianas também aumentam a permeabilidade intestinal, conduzindo a inflamação sistêmica e a resistência à insulina (TREMAROLI & BÄCKHED, 2012).

Estudo

Um estudo, realizado por Kadooka et al.(2010), avaliou 87 indivíduos considerados acima do peso com índice de massa corporal (IMC > 24) e área de circunferência abdominal entre 81,2 cm a 178,5.

    • Grupo 1: 44 pessoas receberam leite fermentado com L. gasseri.
    • Grupo 2: 43 pessoas receberam placebo

Resultados

    • No Grupo 1, a área de gordura visceral reduziu significativamente, em média, 5,8cm na circunferência abdominal e 7,4 cm na gordura subcutânea;
    • O peso corporal e outras medidas também diminuíram significativamente, sendo o peso corporal, reduzido em 1,4%, o IMC, 1,5% e medidas da cintura, 1,8% menor;
    • No grupo de controlo, pelo contrário, nenhum destes parâmetros diminuiu significativamente.

Referências

Na escrita do post fizemos o uso de algumas referências de literaturas que se encontram neste link Referências post

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