Probióticos na dermatologia

Utilização de probióticos na dermatologia

Relação entre a microbiota e doenças dermatológicas

A nossa pele está exposta a diversos agentes biológicos, e estes, podem afetar diretamente a saúde do ser humano. As exposições podem ser maléficas ou benéficas, como exemplo desta última podemos citar a utilização de probióticos na dermatologia.

Um número considerável de estudos clínicos sugerem, que as estratégias com probióticos na dermatologia induz efeitos sistêmicos que se estendem para além do intestino e podem mesmo afetar funções específicas da pele (ROUDSARI et al.,2015).

A utilização de probióticos possui grande potencial na dermatologia para prevenção e tratamento das doenças da pele, incluindo eczema, dermatite atópica, acne, rosácea, inflamação alérgica ou hipersensibilidade cutânea, danos à pele induzidos por UV, proteção contra ferimentos e produtos cosméticos.

Estudos apontam para a diminuição da incidência de dermatite atópica com o uso de probióticos

(ROUDSARI,2015; BAQUERIZO., 2014)

Uso tópico e oral

O uso de probióticos na dermatologia pode ser tanto por uso tópico quanto por via oral. Seus efeitos podem ser na prevenção ou na terapêutica para tratar as desordens que acometem a pele.

O uso de probióticos orais se mostrou benéfico em animais com regulação das citocinas inflamatórias na pele através de sua interação com o tecido linfoide associado ao intestino, mostrando que os probióticos orais se relacionam com saúde e bem-estar da pele, tratando as condições alteradas que aparecem na pele (KOBER & BOWE, 2015).

Indicação e benefícios

    • Restaura as barreiras da pele;
    • Redução e prevenção de dermatite atópica;
    • Regula presença de células T;
    • Prevenção e tratamento da rosácea;
    • Prevenir e tratamento da acne;
    • Diminuição de danos causados pela fotoexposição;
    • Fotoproteção contra raios UV;
    • Agente anti-aging no tecido cutâneo;
    • Prevenção e tratamento das doenças inflamatórias da pele;
    • Acelera as barreiras funcionais do tecido cutâneo;
    • Potencial de reduzir a inflamação na acne;
    • Eleva a produção de ceramidas;
    • Propriedades antimicrobianas.

Mecanismos de ação

Modulação da expressão gênica e a diferenciação celular do sistema imunológico, com troca de informações entre epitélio, macrófagos, células dendríticas e microrganismos no trato gastrointestinal resulta em diferenciação de células T e ainda desenvolvimento do sistema imune inato e adaptativo visando a homeostase e tolerância à microbiota comensal (KOBER & BOWE, 2015; SALEM et al., 2018).

A utilização de probióticos na dermatologia estimula as células de defesa, fazendo alterações na regulação de moléculas envolvidas nos processos inflamatórios e aumenta as barreiras de defesa sobre o tecido cutâneo, sendo a regulação por vias endógenas, por inibição e liberação de citocinas sobre as vias de sinalização (BAQUERIZO et al., 2014).

Na dermatite atópica, a exposição a alérgenos sobre a pele consequentemente aumenta a expressão de linfopoietina estromal tímica (TSLP) na pele. Células dendríticas estimuladas com TSLP induz células T naive (células B ou T virgens) para se diferenciarem em células Th2 e células Th17, que induzem inflamação alérgica na pele.

Células T reg

Por indução das células T reg nos nódulos linfáticos mesentéricos, as células T reg vão migrar para a superfície dos gânglios e suprimir Th2, Th17 e TSLP na pele.

(KIM,2013)

Por meio da regulação do TGF-β e do ativador de proteína 1 e redução metaloproteinases (MMPs) há a redução de flacidez cutânea.

(CINQUE, 2010; ULISSE, 2001; RICCIA, 2007; DORHKIND, 2009)

A evidência apresentada sugere que L. johnsonii, através de ativação do sistema imunológico no intestino, pode ser considerado um imunoprotetor contra o efeito imunossupressor de UV sobre o sistema imune da pele.

Em particular, a ingestão probiótico foi capaz de permitir uma reação de hipersensibilidade cutânea protetora, uma densidade de células de langerhans da epiderme normal, bem como para manter ou restaurar a produção sistêmica de IL 10 (GUÉNICHE et al.,2006; CINQUE, et el.,2010).

Já para o mecanismo da acne, está relacionada com fator de crescimento semelhante a insulina I (IGF-I) que pode ser absorvida através do tecido do cólon. As bactérias probióticas utilizam IGF-I ao longo da fermentação, diminuindo assim a sua quantidade disponível e consequentemente levando a redução da acne.

(KANG et al., 2006)

Estudo I

Um estudo piloto, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo foi realizado com 20 indivíduos adultos, com a acne. Ao longo de um período de 12 semanas, o grupo probiótico (n = 10) consumiram um suplemento líquido contendo Lactobacillus rhamnosus a uma dose de 3 × 109 UFC / dia, enquanto que o grupo do placebo (n = 10) recebeu um líquido sem probióticos probióticos.

Resultados

Em comparação com os valores basais, o grupo utilizando probiótico mostrou uma redução de 32% do fator de crescimento semelhante a insulina, bem como um aumento de fatores de transcrições Forkhead Box O1 (FOXO1) 65%. A suplementação com o probiótico normaliza a expressão de genes da pele envolvidos na sinalização da insulina e melhora a aparência da acne no adulto.

Estudo II

Um estudo duplo-cego, controlado por placebo foi realizada em 49 pacientes adultos com dermatite atópica. Um grupo recebeu Lactobacillus acidophilus e o outro placebo, por 8 semanas.

Resultados

No grupo que utilizou tratamento com probiótico na dermatologia 70,8%mostraram uma melhoria segundo pontuação SCORAD e 44% mostraram uma melhora no grupo placebo. E a contagem de eosinófilos foi significativamente menor no grupo tratado com L. acidophilus comparado ao placebo.

Referências

Na escrita do post fizemos o uso de algumas referencias de literaturas que se encontram neste Referências post

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