Indicações para o Ômega 3

Indicações para o Ômega 3 e os benefícios de cada uso

Os ácidos graxos poliinsaturados do Ômega-3 (PUFAs) são conhecidos por aliviar a rigidez e a dor em pacientes com artrite reumatoide. Embora os mecanismos através dos quais estes exercem os seus efeitos benéficos não tenha sido completamente explorados. Outras indicações para o ômega 3 são importantes.

Uma nova classe de mediadores lipídicos bioativos, que são enzimaticamente biosintetisadas in vivo a partir do ômega-3, do ácido eicosapentanóico (EPA) e do docosahexanóico (DHA), podem exercer ações anti-inflamatórias e são mais potentes do que os seus precursores. Os ácidos graxos poliinsaturados são armazenados em fosfolipídios de membrana, responsáveis ​​por numerosas funções celulares.

Dentre estas funções estão a manutenção da estrutura da membrana celular, fluidez, sinalização e interação célula a célula (LEE et al., 2012; GAMMONE et al., 2019; MOLOUDIZARGARI et al., 2018; Chanda et al., 2018).

Vários estudos evidenciaram importantes propriedades do ômega 3 polinsaturado de cadeia longa:

    • Atuam na atividade imunomoduladora, anti-inflamatória e antioxidante;
    • Influência sobre o metabolismo do músculo esquelético, principalmente em atletas em prática de atividade física com alta intensidade e competidores;
    • Tem ação sobre a homeostasia do organismo em diversos parâmetros fisiológicos (MOLOUDIZARGARI et al., 2018; GAMMONE et al., 2019; Chanda et al., 2018).
    • Prevenção e/ou tratamento de várias condições inflamatórias crônicas (desordens inflamatórias intestinais e artrite reumatoide);
    • Potencial benéfico sobre as doenças neurodegenerativas (LORENTE-CEBRIÁN et al., 2015; GAMMONE et al., 2019; Chanda et al., 2018).

Além disso, uma grande quantidade de estudos utilizando espécies de roedores demonstraram que o óleo de peixe na dieta reduz as respostas pró-inflamatórias. Isso acontece, em parte, devido a diminuição da capacidade proliferativa das células T em resposta a estímulos miogênicos e estimulação antigénica,  e por redução das espécies reativas ao oxigênio (ROS) (GAMMONE et al., 2019).

Os mediadores pró-resolução especializados (protectinas, resolvinas e maresinas) são gerados a partir de ácidos graxos do ômega-3, através de várias reações enzimáticas. Estes mediadores contrarregulam a inflamação eosinofílica das vias aéreas e promove a resolução da inflamação (MIYATA et al., 2015).

A formação destes mediadores pode ser aumentada através da utilização de medicamentos anti-inflamatórios e cardioprotetores (aspirina e estatinas), mecanismo que se dá através da modificação da atividade enzimática da ciclo-oxigenase-2 (COX-2).

Dessa forma, estes bioativos mediadores lipídicos fornecem uma lógica adicional para os efeitos benéficos da suplementação da dieta com o ômega 3 e também oferecem novos caminhos para o desenvolvimento de terapêuticas para condições inflamatórias, como a artrite reumatóide (NORLING et al., 2013).

Alguns estudos

Estudos mostram que pacientes com artrite reumatóide tratados com uma dose diária >2,7g por mais de três meses reduziram o consumo de fármacos antiinflamatórios não-esteroidais e tenderam a melhorar o inchaço das articulações e a função física, comparado ao placebo (LEE et al., 2012).

O ômega 3 (ω-3) apresentou um papel importante no ajuste do perfil lipídico em um estudo fixo com 201 crianças e adolescentes obesos, todos com resistência à insulina. Estes pacientes foram divididos em dois grupos: o primeiro recebeu 500mg de metformina e o segundo 1,8g de ω-3, ambos fizeram o tratamento por 12 semanas. O tratamento para os dois grupos foi bem tolerado.

Sendo assim, no fim da intervenção, apresentaram-se os resultados:

    • No perfil de resistência à insulina, os resultados indicaram que o ω-3 reduziu significativamente as concentrações de glicose e insulina. Enquanto isso, os níveis de insulina dos pacientes que utilizaram metformina foram insignificativamente afetados.
    • Quanto aos lípidos, a metformina aumentou os níveis da lipoproteína de alta densidade (HDL-C) e diminuiu os níveis da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C). Mas os triglicerídeos não foram afetados e foram reduzidos significativamente por ω-3.
    • Os efeitos sobre o índice de massa corpórea (IMC) foram marginais sob a metformina, mas significativos com o ω-3. Assim, os resultados do trabalho sugerem que o ω-3 pode ser um adjuvante na terapia de crianças e adolescentes obesos com resistência à insulina (JUÁREZ-LÓPEZ et al., 2013).

Outro estudo foi realizado em ratos com esteatose induzida. Estes receberam tratamento com ω-3 ou solução salina por duas semanas. Os ácidos graxos de ω-3 também possuem ação na redução da esteatose hepática e proteção do fígado de lesões de isquemia de reperfusão em ratos.

Os resultados mostram que o ω-3 reduziu efetivamente a esteatose severa, associado a uma melhora na regeneração do fígado e recuperação funcional após hepatectomia parcial, podendo este ser um importante coadjuvante no tratamento de esteatose em humanos (MARSMAN et al., 2013).

Além destes, um recente trabalho avaliou a supressão de esteatose aguda induzida por álcool em ratos tratados com DHA (250mg/Kg) em 3 administrações com intervalos de 12h, com ou sem gavagem oral de etanol (4,7g/Kg) diluído em água (60%, v/v). Comparado com o controle, o grupo que recebeu DHA foi protegido da acumulação de triglicerídeos no fígado induzida pelo álcool (através da regulação de biossíntese de TG pelo fígado).

Conforme significativa redução da expressão hepática da estearil-CoA desnaturase-1, da atividade da alanina aminotransferase e dos níveis de citocinas inflamatórias (IL-6 e TNF-α), os resultados foram:

    • A expressão da heme oxigenase-1 (enzima que melhora a sobrevida celular do tecido hepático) foi marcadamente aumentada com a suplementação com DHA nos ratos, comparado ao grupo controle.
    • Não houve diferença nos níveis de TG no soro e na produção hepática de espécies reativas de oxigênio (ROS) entre os dois grupos.
    • Os resultados mostram, então, que a suplementação com DHA leva a uma proteção hepática contra a esteatose hepática aguda induzida por álcool (HUANG et al., 2013).

Gammone e colaboradores (2019) verificaram que os mecanismos envolvidos na atividade cardioprotetora do ômega 3, por meio de redução de fatores de risco cardiovascular e por meio de redução dos níveis de triglicerídeos, impedem variações no ritmo cardíaco, que pode levar a morte e prevenção de anormalidades ventricular. Ação do ω-3 nas articulações está envolvida na manutenção da saúde.

A dor articular se desenvolve por meio da degeneração articular normalmente desenvolvida por infiltração de células inflamatórias no sinóvio, com secreção de citocinas, eicosanóides e outros mediadores inflamatórios. Estudos apontaram que a suplementação de ômega 3 reduziu tanto a incidência, de 93% para 69%, quanto a severidade de artrite induzida por colágeno tipo II. Além disso, o início da artrite em roedores foi retardado de 25 dias a 34 dias (GAMMONE et al., 2019).

Indicação e benefícios

    • Alto potencial anti-inflamatória;
    • Atividade cardioprotetora;
    • Agente antirreumático;
    • Inibição de mediadores inflamatórios;
    • Modulação de canais de sódio, cálcio, potássio para a controle de arritmias;
    • Prevenção e retardamento da aterosclerose;
    • Saúde endotelial e arterial;
    • Potente redutor de espécies reativas ao oxigênio;
    • Ajuda na prevenção de diversas desordens metabólicas.

 

Mecanismo de ação

As resolvinas (termo relacionado aos produtos formados na fase de resolução) foram primeiramente descritas para indicar a formação de moléculas mediadoras com capacidade anti-inflamatória e com propriedades imunomodulatórias.

Isso inclui, também, a redução de migração dos neutrófilos e citocinas pró-inflamatórias quanto diminuindo a resposta inflamatória in vivo. A designação de protectina ou neuroprotectina (quando formada no tecido nervoso) foi dada inicialmente em relação ao efeito anti-inflamatório dos mediadores resultantes de DHA nos sistemas neuronais, na doença de alzheimer e no infarto.

Em macrófagos, as resolvinas promovem fagocitose de neutrófilos (clearence de neutrófilos apoptóticos) e promovem a migração de macrófagos de locais inflamados para os órgãos linfáticos. Em células dendríticas, inibem a indução de TNF-α e NF κβ e a liberação de IL-6 e IL-2 (MARCHESELLI et al., 2003; BARBALHO et al., 2011; Chanda et al., 2018).

A suplementação com ômega 3 por meio das concentrações de pode levar a maior fluidez das membranas por meio de interação com vários receptores nucleares. Os receptores ativados por proliferadores de peroxissomas (PPAR), são ativados em concentrações micromolares de EPA.

Curiosamente, estes também podem inibir repostas inflamatórias mediadas por NF-ĸB e ainda podem levar à redução na produção de interleucina-2 (IL-2) em células mononucleares do sangue periférico (PBMC), podendo melhorar função endotelial e arterial (KLIEWER et al.,1997; PASCUAL et al., 2005; CHAPKIN et al., 2009; GAMMONE et al., 2019; MOLOUDIZARGARI et al., 2018). Mecanismo de ação

Modelo molecular proposto por que EPA e DHA modular a função imune celular e inflamação (CHAPKINA et al.,2009)

O mecanismo de ação cardioprotetor se dá por meio da modulação dos canais de cálcio, sódio, potássio e tipo L, pela inibição da produção de tromboxane e pelo controle das alterações arrítmicas, por diminuir a excitação de células do tecido cardíaco por modulação de canais iônicos.

A sua ação anti-inflamatória parece ser a chave para a cardioproteção, pois diminuem a produção de mediadores pró-inflamatórios eicosanóides a partir do ácido araquidônico. Sendo que isso pode ser relacionado à redução tanto das respostas quimiotáticas dos leucócitos quanto da adesão da expressão molecular nos leucócitos e nas células endoteliais.

Além disso, eles também diminuem as interações adesivas intercelulares, o que pode beneficiar a ação inibidora sobre a aterosclerose. A ação do ômega 3 está ligada a prevenção e tratamento da aterosclerose com retardo no desenvolvimento de placa e coágulos de sangue nas artérias (GAMMONE et al., 2019; MOLOUDIZARGARI et al., 2018; Chanda et al., 2018).

Abaixo alguns estudos resumidos envolvendo a utilização de Ômega 3 em atividades anti-inflamatória.

Estudos

    • Estudo I

Um estudo resolveu testar as hipóteses de que o ômega 3 reduz fatores pro- inflamatórios in vitro e com cultura in vivo, com ratos de 6 semanas, durante 30 dias. Resultado Os resultados suportam a noção de que a suplementação de ômega na dieta pode aumentar a resistência ao ataque de radicais livres e também que os ácidos gordos do ômega 3 podem ser suplementos dietéticos eficazes na gestão de várias doenças em que o equilíbrio oxidante / antioxidante é perturbado, como em uma neuro inflamação (MIYATA et al., 2015).

    • Estudo II

Realizou-se uma revisão de artigos que avaliaram a capacidade anti-inflamatória de ômega-3 em síndromes metabólicas e cardiovasculares. Resultados

    1. DHA isoladamente ou em combinação exerce um potente efeito anti-inflamatório, diminuindo o fator de necrose tumoral-α (TNF – α);
    2. EPA diminuí significativamente de IL – 6 e inibi ativação de NF-Κb;
    3. Ambos os ácidos diminuem também significativamente a expressão de IL-1 (TORTOSA-CAPARRÓS et al., 2016).

 

    • Estudo III

Cinquenta e quatro pacientes em manutenção de hemodiálise foram randomizados para ingerir ômega 3 (cada um contendo 180 mg de ácido eicosapentaenoico e ácido docosahexaenóico 120 mg) ou placebo em cápsulas, três vezes por dia durante 4 meses. Resultado O nível de IL-6 e IL-10 mostrou mudanças significativas em favor do ômega 3 ingerido, foi um preditor significativo da redução da PCR no soro, ferritina, e os níveis de iPTH, além de aumento de IL-10 a relação de IL-6 (GHAREKHANI et al., 2014).

Referências

    1. Barbalho SM, Bechara MD, Quesada KR, Goulart RA. Papel dos ácidos graxos ômega 3 na resolução dos processos inflamatórios Medicina (Ribeirão Preto) 44(3): 234-40, 2011.
    2. Barbalho SM, Goulart RA, Quesada KR, Bechara DM and Carvalho ACA. Inflammatory bowel disease: can omega-3 fatty acids really help?. Ann Gastroenterol. 29(1): 37–43, 2016.
    3. Chanda W, Joseph TP, Guo XF, et al. Effectiveness of omega-3 polyunsaturated fatty acids against microbial pathogens. J Zhejiang Univ Sci B. 19(4): 253–262, 2018.
    4. Chapkin Robert S,b, Wooki Kima,b, Joanne R. Luptona,b, and David N. McMurraya. Dietary docosahexaenoic and eicosapentaenoic acid: Emerging mediators of inflammation. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 81(2-3): 187–91, 2009.
    5. Gammone MA, Riccioni G, Parrinello G, D’Orazio N. Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids: Benefits and Endpoints in Sport. Nutrients. 11(1): 46, 2018.
    6. Huang LL, et al. Suppression of acute ethanol-induced hepatic steatosis by docosahexaenoic acid is associated with downregulation of stearoyl-CoA desaturase 1 and inflammatory cytokines. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 3278(13): 00043-4, 2013.
    7. Juárez-López C, et al. Omega-3 polyunsaturated fatty acids reduce insulin resistance and triglycerides in obese children and adolescents. Pediatr Diabetes. 2013.
    8. Lee YH, et al. Omega-3 polyunsaturated fatty acids and the treatment of rheumatoid arthritis: a meta-analysis. Arch Med Res. 43(5): 356-62, 2013.
    9. Marsman HA, et al. Hepatic regeneration and functional recovery following partial liver resection in an experimental model of hepatic steatosis treated with omega-3 fatty acids. Br J Surg. 100(5): 674-83, 2013.
    10. Moloudizargari M, Mortaz E, Asghari MH, Adcock IM, Redegeld FA, Garssen J. Effects of the polyunsaturated fatty acids, EPA and DHA, on hematological malignancies: a systematic review. Oncotarget. 9(14):11858–75, 2018.
    11. Norling LV, et al. The role of omega-3 derived resolvins in arthritis. Curr Opin Pharmacol. 4892(13): 00018-0, 2013.

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