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Doenças osteoarticulares

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Ativos potencialmente úteis como nova associação para tratamento e prevenção de doenças osteoarticulares.

Doenças osteoarticulares

O processo de envelhecimento vem ocorrendo de forma crescente nas últimas décadas e encontra-se associado ao aumento das doenças crônico-degenerativas. Entre essas doenças, estão as osteoarticulares; sendo as mais frequentes nos idosos a osteoporose, osteoartrite e artrite reumatoide. Este artigo contém novas opções para o tratamento e prevenção de doenças osteoarticulares.

A princípio, a artrite é uma doença crônica que resulta da inflamação de uma ou mais articulações. Geralmente resulta em uma desregulação das citocinas pró-inflamatórias (TGF, IL-1β) e de enzimas pró-inflamatórias que mediam a produção de prostaglandinas (COX-2) e leucotrienos (lipoxigenase), junto com expressão de moléculas de adesão e metaloproteinases de matriz (GRUPTA et al., 2013).

Já a osteoartrite é uma alteração com falha da articulação sinovial, com perda de cartilagem articular, formação de osteófitos, lesão meniscal, frouxidão ligamentar e alterações ósseas subcondrais. É uma condição crônica resultante da interação de múltiplos fatores, incluindo genético, metabólico, bioquímico e biomecânico. Sendo a obesidade uma das condições que mais impactam na osteoartrite do joelho (YU & HUNTER, 2015).

Curcuma longa

As propriedades para tratamento e prevenção de doenças osteoarticulares da Curcuma longa estão associadas às propriedades antioxidante, anti-inflamatória e quimioprotetora. A Curcuma longa possui entre seus principais curcuminóides: curcumina (principal constituinte e responsável pela cor amarela da planta), demetoxicurcumina e bisdemetoxicurcumina.

Pesquisas recentes têm mostrado que a curcumina regula

    • A expressão de citocinas inflamatórias (TNF, IL-1);
    • Fatores de crescimento;
    • Receptores para os fatores de crescimento e enzimas (COX-2, LOX, MMP9, MAPK);
    • Moléculas de adesão (ELAM-1, ICAM-1, VCAM-1);
    • Proteínas relacionadas a apoptose e proteínas do ciclo celular.

 

Além disso, devido sua capacidade de atuar em vários alvos, a curcumina é utilizada para o tratamento e prevenção de várias alterações, incluindo atrites, alergias, aterosclerose, doenças neurodegenerativas, desordem hepática, obesidade, diabetes, psoríase e doenças auto imunes (SHISHODIA, 2013; PARI et al., 2008; JURENKA, 2009).

Na artrite reumatoide (RA) a C. longa exerce efeito anti-proliferativo sobre os fibroblastos, com indução de apoptose das células, com ativação proteolítica de caspase 3 e 9. Além disso, a curcumina diminui o nível de expressão de mRNA COX-2, sem causar mudanças em COX-1, o qual está relacionado à inibição de prostaglandinas E2, tendo resultados na redução da hiperplasia dos fibroblastos sinoviais (PARK et al., 2007).

Estudos

    • Estudo I

Um estudo duplo-cego, controlado por placebo, avaliou a utilização do extrato de Curcuma longa, onde 120 pacientes com osteoartrite (AO) primária no joelho foram divididos em grupos para receber, durante 42 dias:

    1. Placebo (400mg 2x ao dia) ou
    2. Extrato de C. longa (500mg 2x ao dia) ou
    3. Sulfato de glucosamina (750mg 2x ao dia) isolada ou em combinação com o extrato de Curcuma longa.

 

Foi avaliada a diminuição da gravidade dos sintomas e da função do joelho através de testes VAS e WOMAC. A associação da glucosamina e extrato de C. longa mostrou uma diminuição significativa dos sintomas da AO, acompanhado de melhora clínica e diminuição da utilização de medicamentos de resgate.

O perfil de tolerabilidade e aceitabilidade foi bom e os resultados mostram que a segurança e a eficácia do extrato de C. longa no tratamento da osteoartrite (MADHU et al., 2013).

    • Estudo II

Outro estudo realizado com 50 pacientes com osteoartrite avaliou a dose correspondente de 200mg de Curcuma longa por dia. Os sinais e sintomas da osteoartrite (AO) foram avaliados com o uso de Scores WOMAC, indicador do nível de dor. A mobilidade foi medida através da performance na caminhada.

Dessa forma, após 3 meses de tratamento, o score global WOMAC diminuiu em 58% a distância percorrida, passou de 76m para 332m. Em geral, estes resultados sugerem a eficácia do extrato no manejo da osteoartrite (BELCARO et al., 2010a).

    • Estudo III

Em um estudo subsequente, a Curcuma foi avaliada no tratamento a longo prazo (8 meses), envolvendo 100 pacientes com osteoartrite. Os pacientes foram divididos em 2 grupos: grupo controle e grupo tratado com 1g/dia Curcuma longa, por 8 meses.

Sendo assim, os Scores WOMAC reduziram mais de 50%, considerando que o desempenho de caminhada na esteira quase triplicou. Os biomarcadores de inflamação do soro como IL-1β, IL-6 e ligante CD40, molécula de adesão vascular-1 e a taxa de sedimentação de eritrócitos também foram significativamente menores no grupo tratado.

Além disso, houve diminuição marcada das complicações gastrointestinais, edema distal, e do uso de anti-inflamatórios não esteroidal (AINES) pelos pacientes, durante o tratamento. A necessidade de hospitalização e consultas diminuíram após o tratamento. Os autores do estudo concluem que o fitoterápico pode ser uma boa alternativa na terapia da AO (BELCARO et al., 2010b).

Curcuma longa associada a AINEs

Os anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) são uma das medicações mais comumente utilizadas para o tratamento de osteoartrite no joelho, pois possuem atividades anti-inflamatórias e analgésica, pela inibição da síntese de prostaglandinas via COX-1 e COX-2. O problema do uso prolongado de AINEs são os efeitos adversos nos rins, fígado e sistema gastrointestinal.

Muitos estudos tem defendido a combinação de AINES e C. longa na terapêutica para tratar osteoartrite com aumento da eficácia e segurança e menos efeitos adversos comparado a monoterapia (PINSORNSAK et al., 2012).

Um estudo avaliou a eficácia da Curcuma longa como uma terapia coadjuvante à terapia com diclofenaco de sódio na osteoartrite primária no joelho. 44 pacientes receberam diclofenaco (75mg/d) com placebo, e outros 44 pacientes receberam diclofenaco (75mg/dia) associado com 1000mg/dia de Curcuma longa, por 3 meses.

Os resultados mostraram uma tendência da associação de Curcuma longa e AINES ser melhor nos resultados e na tolerância quanto a dor e seu impacto na função física na rotina diária, mas os resultados não foram estatisticamente diferentes nos grupos (PINSORNSAK et al., 2012).

Condrobio

O Condrobio é um importante componente da matriz extracelular das cartilagens, permitindo o desenvolvimento da resistência e elasticidade. A suplementação com condrobio traz benefícios como proteção e reconstrução de cartilagens e, ainda, é detentor de propriedades anti-inflamatórias.

A princípio, o Condrobio é um ativo que tem sido apontado com melhor tolerância e segurança para tratamento da osteoartrite. Ele possui uma alta pureza, pois é de origem vegetal, e tem como vantagem a ausência de contaminação comparado ao sulfato de condrobio, obtido a partir de modelo animal (VOLPI et al., 2018; ZHU et al., 2018).

Um estudo de metanálise Zhu e colaboradores (2018), apontou que o condrobio teve efeito superior ao placebo na percepção de tratamento da dor e em melhora da função em pacientes com doenças osteoarticulares. Isso se dá devido a condroitina ser integrante da matriz extracelular da cartilagem articular e participando na síntese da pressão osmótica e com isso fornece resistência e elasticidade a cartilagem, permitindo que suporte grandes pressões.

 

Faça o download do arquivo no link abaixo e saiba mais sobre o assunto.

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Referências

    1. Belcaro G, Cesarone MR, Dugall M, Pellegrini L, Ledda A, Grossi MG, et al. Product-evaluation registry of Meriva(R), a curcumin-phosphatidylcholine complex, for the complementary management of osteoarthritis. Panminerva Med. 52(1), 55–62, 2010.
    2. Belcaro G, Cesarone MR, Dugall M, Pellegrini L, Ledda A, Grossi MG, et al. Efficacy and safety of Meriva(R), a curcumin-phosphatidylcholine complex, during extended administration in osteoarthritis patients. Altern Med Rev. 15(4), 337–44, 2010.
    3. Grupta SC, Patchva S, Aqqarwal BB. Therapeutic roles of curcumin: lessons learned from clinical trials.AAPS J. 15(1), 195-18, 2013.
    4. Jurenka JS. Anti-inflammatory properties of curcumin, a major constituent of Curcuma longa: a review of preclinical and clinical research.Altern Med Rev. 14(2), 141-53, 2009.
    5. Kertia N, Asdie EH, Rochmah W, Marsetyawan. Ability of curcuminoid compared to diclofenac sodium in reducing the secretion of cycloxygenase-2 enzyme by synovial fluid’s monocytes of patients with osteoarthritis.Acta Med Indones.  44(2), 105-13, 2012.
    6. Madhu K, Chanda K, Saji MJ. Safety and efficacy of Curcuma longa extract in the treatment of painful knee osteoarthritis: a randomized placebo-controlled trial.Inflammopharmacology. 21(2), 129-36, 2013.
    7. Pari L, Tewas D, Eckel J. Role of curcuminin health and desease. Arch Physiol Biochem. 114(2), 127-49, 2008.
    8. Park C, Moon DO, Choi IW, Nam TJ, Rhu CH, et al. Curcumin induces apoptosis and inhibits prostaglandin E(2) production in synovial fibroblasts of patients with rheumatoid arthritis.Int J Mol Med. 20(3), 365-72, 2007.
    9. Pinsornsak P, Niempooq S. The efficacy of Curcuma Longa L. extract as an adjuvant therapy in primary knee osteoarthritis: a randomized control trial.J Med Assoc Thai. 95(1), 51-58, 2007.
    10. Shishodia S. Molecular mechanisms of curcumin action: gene expression.Biofactors. 39(1), 37-55, 2013 2013.
    11. Zhu, X., Sang, L., Wu, D., Rong, J., & Jiang, L. Effectiveness and safety of glucosamine and chondroitin for the treatment of osteoarthritis: a meta-analysis of randomized controlled trials. Journal of orthopaedic surgery and research13(1), 170, 2018.
    12. Volpi, N., Mantovani, V., Galeotti, F., Bianchi, D., Straniero, V., Valoti, E., & Miraglia, N. Oral Bioavailability and Pharmacokinetics of Nonanimal Chondroitin Sulfate and Its Constituents in Healthy Male Volunteers. Clinical Pharmacology in Drug Development. 00(0), 1-10, 2018.
    13. Yu, S. P., & Hunter, D. J. Managing osteoarthritis. Australian prescriber38(4), 115–19, 2015.

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