Lactoferrina - Cadeia de ferro

Lactoferrina promove melhores resultados em desempenho físico, imunidade e reposição dos níveis de ferro

Lactoferrina

A Lactoferrina (Lactoferrin protein) ou Lactotransferrina (LTF) é uma glicoproteína de ligação ao ferro comumente presente em secreções exócrinas e nos grânulos dos neutrófilos. Lactoferrina promove melhores resultados em desempenho físico, a suplementação do organismo para prevenir e reduzir a incidência de distúrbios do organismo tem se tornado cada vez mais comum.

Os avanços tecnológicos têm permitido a sintetização de moléculas que são intrínsecas ao organismo humano, pelos benefícios que essas moléculas produzem e pela necessidade e interesse em suplementar indivíduos que tem dificuldades de manter uma nutrição adequada e, ainda, aumentar a imunidade e resistência em atletas devido a prática de atividade física, tanto naqueles que fazem por lazer quanto nos atletas profissionais sendo assim gerando melhores resultados no desempenho físico.

Benefícios da Lactoferrina

  • É vantajosa na melhora dos índices de ferro;
  • Melhores resultados no desempenho físico
  • Auxilia na terapia para tratar doenças alérgicas;
  • Possui potencial imunomodulador com ação na resposta bacteriana e viral;
  • Consegue atuar na elevação da oxigenação tecidual e sanguínea
  • Pode ajudar no tratamento de desordens metabólica;
  • Promove melhores resultados em desempenho físico, imunidade e reposição dos níveis de ferro, influenciando positivamente no bem-estar e saúde de modo geral.
(Griffiths et al., 2019; Shakai et al., 2017)

Atuação e impactos da Lactoferrina no organismo

A Lactoferrina pode atuar como agente antimicrobiano, imunomodulador, antioxidante, anti-inflamatório e regulador dos níveis de ferro, desenvolvimento embrionário, controle dos níveis de leucócitos no sangue, equilibrando a proporção da linhagem mielocítica e na adesão e produção celular e liberação de citocinas.

Como antibacteriano a atuação e impactos da Lactoferrina no organismo está relacionada ao rompimento da membrana e inibição do fornecimento de ferro. Outra propriedade relevante da Lactoferrina está em estimular a produção de bactérias benéficas, imunomodulação e potencial anti-inflamatório na mucosa intestinal com benefícios para o tecido intestinal. A ação anti-inflamatória está ligada em inibir a produção de citocinas pro-inflamatórias.

A atuação e benefícios da Lactoferrina são possíveis em diversos tecidos do organismo com resultados significativos na terapêutica e melhora do desempenho físico

(Siqueiros-Cendón et al., 2014; Hu et al., 2017).

Lactoferrina (LF) ou Lactotransferrina (LTF)

A Lactoferrina (Lactoferrin protein) é uma glicoproteína multifuncional de ligação ao ferro, pertencente a família da transferrina, presente nas secreções exócrinas e nos grânulos dos neutrófilos.

É importante na resposta imune inata e adaptativa, sendo capaz de ativar o sistema imune inato através de sinalização de vários receptores de superfície e ainda fisiologicamente atua no equilíbrio dos níveis de ferro, melhorando a oxigenação sanguínea, regulando a absorção de ferro no intestino e a entrega de ferro para as células levando a resposta anti-inflamatória, destruição de microrganismos e regulação dos níveis de ferro no organismo.

Sendo ainda um potente antioxidante e atuante na prevenção da fadiga na prática de atividade física dando melhores resultados no desempenho físico.

(Griffiths et al., 2019; Shakai et al., 2017; Moreno-Expósito et al., 2018; Siqueiros-Cendón et al., 2014)Lactoferrina ferro

N e C são regiões de ligação da molécula de lactoferrina ao ferro

Tendo ainda interação direta com células dendríticas e monócitos/macrófagos, modulando seus papéis funcionais em processos inflamatórios e infecciosos.

(Hu et al., 2017; Shakai et al., 2017; Siqueiros-Cendón et al., 2014; Giansanti et al., 2016)

Agente bactericida

Sua atividade como agente bactericida se dá por vários mecanismos, ruptura das membranas celulares, sequestro de ferro, inibição da adesão microbiana às células do hospedeiro e prevenção da formação de biofilme. A lactoferrina promove o crescimento de bactérias probióticas, estimula a diferenciação e a proliferação de enterócitos e a expressão de enzimas digestivas intestinais, e tem ações imunomoduladoras e anti-inflamatórias intestinais diretas, incluindo a supressão da atividade dos radicais livres.

(Griffiths et al., 2019; Siqueiros-Cendón et al., 2014; Hao et al., 2019)

Sua capacidade bacteriana está em se ligar a grandes quantidades de ferro, impedindo assim, a célula hospedeira de inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6 e IL-8) e com a liberação de citocinas pró-inflamatórias aumenta a fagocitose e a adesão celular conferindo proteção contra patógenos e seus metabólitos.

A LF na sua função antimicrobiana direta, limita a proliferação e adesão de bactérias, vírus e parasitas, devido a sua capacidade de sequestrar ferro em fluidos biológicos e desestabilizar as membranas dos microrganismos levando a sua destruição.

(Griffiths et al., 2019; Siqueiros-Cendón et al., 2014)

Imunomoduladora

Sua atividade imunomoduladora pode está ligada a existência de múltiplos mecanismos incluindo a modulação na síntese de citocinas e quimiocinas, regulação da produção de espécies reativas de oxigênio e no recrutamento de células imunes. Tem a capacidade de modificar as vias da resposta imune adaptativa e inata aumentando ou diminuindo os componentes do sistema imunológico.

Na imunidade se relaciona ainda com interferon tipo 1 (IFN α / β) afetando a capacidade dos macrófagos de apresentar antígenos para linfócitos T CD4, pode ainda aumentar a atividade fagocitária dos macrófagos infectados ou ativá-los.

Inibe fortemente a expressão de moléculas de adesão intercelular (ICAM-1) que são estimuladas pelo TNF-α pela competição com o fator nuclear kappa B (NF-jB) nas células endoteliais, o que sugere que a lactoferrina reduz eventos inflamatórios e o desenvolvimento de doenças inflamatórias, como a aterosclerose, podendo ainda reduzir a expressão das citocinas Th1, evitando respostas inflamatórias excessivas.

Quanto as modulações por meio das células dendríticas pode está relacionado a mediação da diferenciação e ativação de linfócitos T e redirecionar as funções de linfócitos T de memória, levando a secreção da citocina Th1. A lactoferrina atua como um alarme para promover o recrutamento e ativação de células apresentadoras de antígenos (APCs) e respostas imunes antígeno específicas, mediadas pelos linfócitos T e B.

(Siqueiros-Cendón et al., 2014; Hao et al., 2019)

Ação anti-inflamatória, antiviral e antifúngica

Tem ação ainda ao promover resposta mediada Th1 enquanto inibe as respostas Th2, e causa a interligação do receptor de linfócitos T inibindo sua ativação, reduzindo assim, a liberação de fatores inflamatórios, como IL-5 e IL-17, e ainda alivia o grau da inflamação. O aceleramento no processo de maturação dos linfócitos T induz a expressão dos marcadores de superfície T CD4 através da ativação de uma via de transdução.

Na sua atividade antiviral pode afetar uma enorme quantidade de vírus de RNA e DNA, sendo mais comum sua ação contra vírus envelopados. Isso se deve a sua capacidade de se ligar a glicosaminoglicanos da membrana celular. A lactoferrina pode aumentar a atividade fagocítica dos macrófagos e por outro lado por se ligar ao receptor DC-SING de células dendríticas bloqueando suas interações e consequentemente inibir a transmissão viral.

Estudos remetem ação antifúngica podendo tratar infecções vaginais causadas por Cândida albicans, a aderência do fungo pode ser impedida por meio da lactoferrina devido a sua capacidade sequestrante de ferro, podendo ainda  induzir a apoptose em leveduras.

Podendo ainda tratar a dermatose causada por Trichophyton mentagrophytes e Trichophyton rubrum impedindo seu crescimento, tendo por ação o aumento da resposta inflamatória envolvida na imunidade mediada por células necessárias para tratar micoses.

(Siqueiros-Cendón et al., 2014; Hao et al., 2019)

Ferro

Está envolvido na homeostase do ferro, sua atuação se dá por regular a quantidade de ferro absorvido no intestino. As regiões de ligação de ferro são encontradas nos terminais N e C da molécula de lactoferrina, possuindo alta afinidade pelo ferro e podem ligá-lo reversivelmente para manter a absorção e uso de ferro no duodeno em grandes intervalos de pH.

Os mecanismos de absorção do ferro são diferentes de acordo com a forma, lactoferrina saturada pelo ferro ou não saturada

(Lepanto et al., 2018; Paesano et al., 2014; Hao et al., 2019).

Os colaboradores (2019) abordaram que a lactoferrina tem ação na regulação da absorção intestinal de glicose, o que pode ser útil na restauração do transporte de glicose, especialmente sob condições inflamatórias. Estudos ainda apontam que a administração oral de lactoferrina por oito semanas reduziu o tecido adiposo, principalmente sobre os órgãos internos. Sugerindo o seu uso como terapia adjuvante para tratar as desordens intestinais.

A LF demonstrou ser benéfica no trato gastrointestinal como moduladora da flora intestinal e prevenindo a diarreia. Sua ação antioxidante está relacionada a sua capacidade de ligação ao ferro, suprimindo os produtos das espécies reativas ao oxigênio (ROS).

Em pH apropriado a LF liga-se ao ferro seletivamente e reversivelmente promovendo a produção de ROS por meio de granulócitos como parte de seu efeito letal sobre patógenos, em contrapartida em pH normal no meio extracelular a lactoferrina inibe a geração de ROS ativando a ligação de ferro por monócitos, o que impede os efeitos da peroxidação lipídica dos neutrófilos, suprimindo assim o dano oxidativo tecidual causado por espécies reativas ao oxigênio (ROS).

Ela ainda atua como um limpador de ROS e protege o DNA dos danos oxidativos diretos. A ligação de lipopolissacarideos (LPS) a molécula de adesão selectina é inibida pela lactoferrina, resultando em reduções na produção de ROS por neutrófilos, tendo como consequência reduções no dano tecidual causado pela liberação excessiva de radicais de oxigênio.

(Hao et al., 2019)

Benefícios e indicação

  • Melhorar parâmetros hematológicos ligados ao ferro;
  • Ação Antioxidante;
  • Melhores resultados no desempenho físico
  • Melhorar resposta imunológica;
  • Atuante na resposta bactericida
  • Aumentar resposta aos antifúngicos;
  • Coadjuvante no tratamento das doenças alérgicas e inflamatórias;
  • Aumenta a oxigenação sanguínea;
  • Adjuvante no tratamento de desordens metabólicas.
(Hu et al., 2017; Shakai et al., 2017; Griffiths et al., 2019; Siqueiros-Cendón et al., 2014; Hao et al., 2019; Giansanti et al., 2016; Lepanto et al., 2018; Paesano et al., 2014)

Possíveis reações adversas

  • Hipersensibilidade ou alergia a lactoferrina;
  • Constipação;
  • Vômitos;
  • Dor epigástrica.
(Paesano et al., 2014; Rezk et al., 2015; Ono et al., 2010)

Estudo I

295 mulheres com idade de 18 a 40 anos com gestação inicial entre 6 e 8 semanas, todas  apresentavam deficiência de ferro.156 mulheres receberam 100 mg de lactoferrina (grupo A) duas vezes ao dia e 139 mulheres receberam 520 mg de sulfato ferroso (grupo B) uma vez ao dia, as pacientes tiveram seus dados hematológicos avaliados mensalmente até o parto, sendo avaliadas antes, durante e após o parto.

Resultados

  • Os parâmetros hematológicos foram significativamente melhores na terapia com lactoferrina comparado a terapia com sulfato ferroso;
  • A lactoferrina se mostrou segura, não apresentou relato de efeito adverso e não houve aborto, já na terapia com sulfato ferroso 16,5% das pacientes apresentaram efeitos adversos e cinco abortos espontâneos foram confirmados.
(Paesano et al., 2014)

gráficos estudo I

Estudo II

139 ambas pacientes recrutadas apresentavam deficiência de ferro, apenas 97 concluíram o estudo, sendo que 49 fizeram uso de 100 mg lactoferrina duas vezes ao dia e 48 mulheres utilizaram 520 mg de sulfato ferroso ao dia, foram acompanhadas por 30 dias, apresentando efeitos colaterais em maior número no grupo de uso de sulfato ferroso.

Resultados

  • Dados hematológicos antes e após 30 dias de tratamento apresentou eficácia com aumento significativo dos valores de hemoglobina (Hb), ferro sérico total e ferritina sérica nos dois grupos, porém com o uso de lactoferrina houve menos efeitos colaterais, melhor tolerabilidade que o sulfato ferroso.
  • A lactoferrina se mostrou significativamente melhor na suplementação de ferro e na adesão do paciente ao tratamento devido a menores efeitos colaterais.
(Nappi et al., 2009)

Grupo A: Lactoferrina| Grupo B: Sulfato ferroso

desempenho físico

desempenho físico

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Referências

Na escrita do post fizemos o uso de algumas referências de literaturas que se encontram neste link Referências post.

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