Crisina

Uso de crisina na saúde para tratamento e prevenção de alterações no organismo.

Crisina

A crisina é derivada da Passiflora caerulea e pertence à classe das flavonas. A princípio, é uma rica fonte de flavonóide natural presente em vegetais e está presente em grandes quantidades no mel e no própolis. Além disso, apresenta atividades anticâncer, antioxidante e anti-inflamatória, ansiolítica, fitoestrogênio e é agente protetor para terapia de reposição hormonal.

Contudo, a crisina tem sido reportada como um inibidor de aromatase.  A aromatase é uma enzima que catalisa a conversão de androstenediona e testosterona em estrona e 17β-estradiol, respectivamente. A crisina também apresenta possível uso na redução da celulite e gordura localizada, e também pode tratar distúrbios hormonais (Dhawan & Sharma, 2002; GAMBELUNGHE et al., 2003; OLIVEIRA et al., 2012).

Sendo assim, um estudo verificou se a ingestão diária durante 21 dias de mel e própolis contendo crisina seria capaz de alterar a concentração urinária de testosterona em homens voluntários. De fato, a inibição da aromatase pela crisina pode bloquear a conversão de androgênios em estrogênios com consequente aumento da testosterona, mensurada em amostras de urina dos voluntários (GAMBELUNGHE et al., 2003).

Além deste, outro estudo realizado em ratos avaliou o efeito da crisina no sistema reprodutivo destes animais. Foram avaliados

    • Substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico no tecido (TBARS) e os níveis de glutationa;
    • Atividade de enzimas antioxidantes (CAT, SOD e GSH-P);
    • Parâmetros de espermatozoides (mobilidade, concentração e taxa de espermatozoide anormal)
    • Peso do órgão reprodutivo (testículos, epidídimo, vesícula seminal e próstata)
    • Níveis séricos de testosterona foram determinados.

 

Os resultados indicaram que a crisina aumentou significativamente os níveis de CAT, SOD e GSH-P, mas não houve nenhuma mudança significativa na formação de TBARS. Além disso, houve aumento da mobilidade dos espermatozoides, concentração de espermas e níveis séricos de testosterona.

Os autores concluíram que o tratamento com crisina pode afetar de forma positiva o sistema reprodutivo em ratos, e pode ser utilizado para o tratamento da infertilidade (CIFTCI et al., 2012).

Ação farmacológica

A princípio possui ação inibidora sobre a aromatase e parece ter atividade fitoestrogênica, antioxidante e ansiolítica. Além disso, também é tida como isoflavona anabólica, devido ao seu efeito estrogênico e consegue promover níveis maiores de testosterona, bloqueando a conversão em estrogênio.

Crisina na endometriose

Embora os ovários sejam a fonte primária de estrógeno no corpo, a produção local de estrógenos por outros tecidos têm demonstrado uma ocorrência de doença dependente de estrógenos, como o câncer de mama e endometriose. A endometriose é uma desordem ginecológica, caracterizada pela presença de glândulas endometriais e estroma fora da cavidade uterina. É uma doença dependente de estrógeno, que afeta aproximadamente 14% de toda a população feminina em idade reprodutiva, e 30-50% de mulheres inférteis (RICE, 2002).

A produção local de estrógenos pelos implantes endometriais ectópicos em mulheres com endometriose pode explicar a falha no tratamento e a permanência de endometriose recalcitrante em mulheres na pós-menopausa. A inibição da produção local de estrogênio nas lesões endometrióticas, pela inibição da atividade da aromatase pode ter um papel no manejo da doença (EDMUNDS et al., 2005).

Um estudo avaliou a inibição da atividade da aromatase por uma interação direta com uma dieta de fitoestrógenos genisteína, daidzeina, crisina e naringenina. Foram testados em ensaio de células de estroma endometrial. Além disso, foi testado o efeito dos componentes na atividade da aromatase nas culturas de células.

A genisteína e daidzeina estavam inativos no ensaio com aromatase, enquanto a crisina e a naringenina inibiram a atividade. Dessa forma, o estudo ressaltou que a crisina pode ter uma ação favorável par o tratamento da endometriose (EDMUNDS et al., 2005).

Crisina - dor

Papel neuroprotetor da crisina

    • Estudo I

Kandhare e colaboradores (2014) avaliaram o efeito neuroprotetor da crisina em experimento com modelo animal, em ratos com lesão medular. Os animais receberam placebo ou crisina (10, 20 ou 40mg/Kg) por 28 dias.

O tratamento crônico com crisina (20 e 40mg) melhorou de forma significativa o limiar nociceptivo, a velocidade de condução dos nervos motor e sensorial. A diminuição da atividade da superóxido dismutase (SOD), redução da glutationa (GSH) e o fosfato inorgânico ligado à membrana foram significativamente restaurados pelo tratamento com crisina.

A lesão medular resultou em um aumento significativo da peroxidase lipídica, do óxido nítrico, do fator de necrose tumoral alfa e da interleucina-1β, enquanto a expressão de Bcl-2 e caspase-3 foi reduzida também com grande significância através do tratamento com crisina (20 e 40mg/Kg). Sendo assim, a crisina é um potente antioxidante e mostrou uma ação importante na inibição da incidência de deficiências neurológicas causadas pela lesão medular.

    • Estudo II

Outro estudo avaliou o efeito antioxidante e neuroprotetor da crisina quanto aos efeitos neurotóxicos causados pela acrilamida. A acrilamida é um polímero utilizado na indústria, e é uma substância tóxica, com conhecidos efeitos de degeneração neuronal central e periférica.

O efeito da crisina na indução de toxicidade da acrilamida foram avaliados em testes in vivo e in vitro. Células PC12 foram expostas à crisina (0,5-5µM) e depois foram adicionadas acrilamida em concentração DL50 e, assim, foi avaliada a viabilidade das células.

Já os estudos em ratos tratados com acrilamida (50mg/Kg por 11 dias) isolado ou em combinação com crisina (12,5, 25 e 50 mg/Kg), o índice de comportamento foi avaliado. Os resultados apontaram que a acrilamida reduziu a viabilidade das células e o pré-tratamento com crisina reduziu de forma significativa a citotoxicidade da acrilamida de maneira dependente do tempo e da dose.

A redução dos efeitos neurotóxicos também foi apresentada nos ratos tratados com a crisina. Em conclusão, a crisina exibe um papel neuroprotetor importante, nos estudos in vitro e in vivo (MEHRI et al., 2014).

Propriedade hepatoprotetora da crisina

O metotrexato é um agente quimioprotetor usado para o tratamento de uma vasta gama de tumores e doenças auto-imunes. Entretanto, o seu uso clinico é limitado devido a hepatotoxicidade. Vários estudos confirmaram que o estresse oxidativo desempenha um papel importante na patogênese da lesão induzida pelo metotrexato em vários órgão, especialmente no fígado.

 

Crisina-Passiflora_caerulea

Um estudo avaliou o efeito protetor da crisina contra o estresse oxidativo hepático induzido pelo metotrexato em ratos. Os resultados mostraram que a crisina melhorou a hepatotoxicidade, por melhorar o estresse oxidativo, alterações histopatológicas e a apoptose nos ratos (ALI et al., 2014).

Outro trabalho também mostrou a ação hepatoprotetora da crisina quanto a toxicidade induzida pela d-galactosamina em ratos. A crisina mostrou uma redução nos marcadores de atividade enzimática hepática (aspartato aminotransferase, alanina aminotransferase, fosfatase alcalina e gama-glutamil-transpeptidase), comprovando sua ação hepatoprotetora e antioxidante (PUSHPAVALI et al., 2010).

Ação antioxidante da crisina

A nefrotoxicidade induzida pela cisplatina é uma das causas que limita seu uso nos vários tipos de câncer, resultando em dano renal agudo através da geração de espécies reativas de oxigênio.

Estudos realizados em ratos mostrou que o pré-tratamento com crisina atenuou significativamente o dano renal induzido pela cisplatina pela diminuição dos danos ao DNA e marcadores de toxicidade, como creatinina, peroxidação lipídica e atividade da xantina oxidase, acompanhado do aumento das enzimas antioxidantes (catalase, glutationa peroxidase, glutationa redutase e glutationa s-transferase).

Os resultados de diminuição dos danos das células renal, também foram confirmados através de exames histológicos (SULTANA et al., 2012).

 

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Referências

    1. Dhawan, K., Kumar, S., & Sharma, A. Beneficial Effects of Chrysin and Benzoflavone on Virility in 2-Year-Old Male Rats. Journal of Medicinal Food. 5(1), 43-48, 2002.
    2. Edmunds KM, Holloway AC, Crankshaw DJ, Agarwal SK, Foster WG. The effects of dietary phytoestrogens on aromatase activity in human endometrial stromal cells.Reprod Nutr Dev. 45(6), 709-20, 2005.
    3. Gambelunghe C, Rossi R, Sommavilla M, Ferranti C, Ciculi C, Gizzi S. Effects of chrysin on urinary testosterone levels in human males.J Med Food. 6(4), 387-90, 2003.
    4. Kandhare AD, Shivakumar V, Rajmane A, Ghosh P, Bodhankar SL. Evaluation of the neuroprotective effect of chrysin via modulation of endogenous biomarkers in a rat model of spinal cord injury.J Nat Med. 68(3), 586-03, 2014.
    5. Mehri S, karami HV, Hassani SV, Hosseinzadeh H. Chrysin reduced acrylamide-induced neurotoxicity in both in vitro and in vivo assessments. Iran Biomed J. 18(2), 101-06, 2014.
    6. Oliveira GA, Ferraz ER, Souza AO, Lourenço RA, Oliveira DP, Dorta DJ. Evaluation of the mutagenic activity of chrysin, a flavonoid inhibitor of the aromatization process.J Toxicol Environ Health A. 75(16-17), 1000-11, 2012.
    7. Rice VA. Conventional medical therapies for endometriosis. Ann N Y Acad Sci. 955, 343-352, 2002.
    8. Sultana S, Verma K, Khan R. Nephroprotective efficacy of chrysin against cisplatin-induced toxicity via attenuation of oxidative stress.J Pharm Pharmacol. 64(6), 872-81, 2012.

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