Gymnema sylvestre no tratamento da Diabetes Mellitus

A Diabetes Mellitus é uma desordem metabólica causada por insuficiência ou ineficiência à resposta a secreção de insulina, e é caracterizada por elevados níveis de glicose no sangue. Existem três defeitos chaves para o aparecimento de hiperglicemia na DM, o aumento da produção de glicose hepática, diminuição da secreção de insulina, e ação deficiente da insulina. Os fármacos tradicionais para o tratamento da DM agem melhorando a sensibilidade à insulina, aumentando a produção e/ou diminuindo a quantidade de glicose no sangue. A Gymnema sylvestre (GS) age aumentando a secreção de insulina, melhorando a recaptação de glicose pelo tecido adiposo e pela musculatura esquelética, inibindo a absorção de glicose intestinal e inibindo a produção hepática de glicose (PRABHAKAR, et al., 2011).

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Estudos mostram que o extrato metanólico das folhas e caule da GS desenvolvem uma atividade anti-diabética, com regeneração de células β. A utilização do extrato em estudo in vitro e in vivo em ratos, levou a um aumento significativo do peso do fígado, pâncreas e do conteúdo glicogênico no fígado de ratos com diabetes induzida. O ácido gimênico presente no caule e folhas da planta aumentou significativamente a regeneração de células β em ratos tratados, quando comparado aos ratos diabéticos controle não tratados. Estes resultados mostram que a GS pode ser um potencial farmacêutico para o tratamento de DM dependentes de insulina (AHMED, et al., 2010).

Gymnema sylvestreUm estudo avaliou a eficácia da GS em pacientes com DM tipo2. Para tal, o grupo foi suplementado com 500mg do extrato seco da planta por dia, por um período de 3 meses, e a eficácia da planta foi avaliada por meio de exames clínicos e bioquímicos. A suplementação resultou em diminuição da polifagia, fadiga, glicose no sangue (pós prandial e jejum) e hemoglobina glicada. Houve também uma melhora no perfil lipídico dos pacientes (KUMAR, et al., 2010).

A administração oral de extrato de GS 1g/dia durante 60 dias em um grupo de pacientes com DM tipo 2, induziu um aumento significativo na circulação de insulina e peptídeo C, que estão associadas a uma significativa redução dos níveis de glicose no sangue em jejum e pós prandial. Medidas in vitro, utilizando Ilhotas de Langerhands isolados de humanos, demonstraram os efeitos estimulatórios direto da GS na secreção de insulina, pelas céluas β humana, resultado consistente com o modelo in vivo de estimulação da secreção de insulina. Todas as observações dos estudos in vitro e in vivo sugerem que a GS pode ser uma alternativa de terapia potencial para o tratamento da hiperglicemia em pacientes com DM tipo 2 (AL-ROMAIYAN, et al., 2010).

camundongosRatos albinos foram induzidos a obesidade, a partir de uma dieta oral rica em gordura (DRG), por um período de 28 dias. Após este período, os animais foram divididos em 5 grupos de 8 pessoas: Grupo I (controle normal saudável) dieta padrão por 28 dias; Grupo II (DRG controle) dieta com DRG por 28 dias; Grupo III (grupo tratado com GS) dieta com DRG por 28 dias + 8º dia extrato de GS (200mg/Kg) por 28 dias; Grupo IV (grupo tratado com Rimonabanto) dieta com DRG por 28 dias + 8º dia Rimonabanto (10mg/Kg) por 28 dias; Grupo V dieta normal por 28 dias + 8º dia extrato de GS, 200mg/Kg durante 28 dias (KUMAR, et al., 2012).

Após 4 semanas de tratamento, IMC, ganho de peso, ingestão de alimentos, e todos os parâmetros hemodinâmicos (pressão sistólica e diastólica, batimentos cardíacos) aumentaram significativamente no grupo tratado com DRG (grupo II), quando comparado ao grupo controle (grupo I). Além destes, aumentaram os níveis de colesterol total, triglicerídeos, LDL, VLDL e índice aterogênico, níveis de leptina, insulina, glicose, enquanto que o HDL, Na k ATPase no fígado e coração, diminuiram significativamente. Os parâmetros hemodinâmicos, IMC diminuíram significativamente nos grupos III e IV, houve também melhora no perfil lipídico nstes grupos. Os níveis de insulina, glicose, apolipoproteína B diminuíram significativamente nos grupos III e IV,quando comparado ao grupo II, e não houve nenhuma alteração significativa no grupo V. Os níveis das enzimas antioxidantes glutationa e catalase, aumentaram significativamente nos grupos III e IV. Os pesos das camadas de gordura visceral perirenal, mesentérica e  epididimal reduziram significativamente no grupo III. Assim, podemos concluir que o possível mecanismo para um efeito antiobesidade do extrato de G. sylvestre pode ser via supressão dos níveis de leptina, insulina, dislipidemia, apolipoproteínas, lipídios, pesos gordura visceral abdominal e estresse oxidativo em ratos obesos alimentados com DRG. Além disso, ele evita apoptose do miocárdio, diminuindo níveis cardíacos da caspase-3, fragmentação do DNA cardíaca, e aumento dos níveis de Na-K ATPase cardíacos. Assim, a GS pode ser um potencial fármaco antiobesidade (KUMAR, et al., 2012).

Gymnema sylvestre e efeitos na proteção gástrica

Al-Rejaie e colaboradores (2012) investigaram o efeitos protetor em danos da mucosa gástrica em ratos. Para tal, foi induzido um dano gástrico em ratos, com 80% de etanol em 36 horas, com os animais em jejum. O efeito da G. sylvestre em secreções gástricas induzidas, em ratos foi estimada. No estômago, a parede de muco, grupos de proteínas não-sulfidrila (NP-SH), malondialdeído (MDA), proteínas totais e níveis de ácidos nucléicos foram estimados. Foram observadas também alterações histopatológicas. O pré-tratamento com G. sylvestre com doses de 100, 200 e 400 mg / kg, promoveu uma proteção contra o efeito ulcerogênico do etanol de 27, 49, e 63%, respectivamente. O pré-tratamento com G. sylvestre inibiu significativamente o volume de secreções e acidez de um modo dependente da dose. O Etanol causou uma depleção significativa na mucosa da parede do estômago (p <0,001), proteínas totais (p <0,01), ácidos nucleicos (p <0,001) e os níveis de NP-SH (p <0,001). O pré-tratamento com G. sylvestre mostrou proteção contra a depleção destes, de maneira dose-dependente. Os níveis de MDA aumentou de 19,02 para 29,22 nmol / g por ingestão de etanol e diminuiu com a G. sylvestre de maneira dose-dependente. Logo, o efeito protetor observada no estudo, da GS é atribuída ao seu efeito na produção de muco, aumento da produção de ácidos nucléicos e dos níveis de NP-SH, que parece ser mediada por sua capacidade de eliminar os radicais livres e/ou por suas possíveis propriedades citoprotetoras.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Ahmed AB, Rao AS, Rao MV. In vitro callus and in vivo leaf extract of Gymnema sylvestre stimulate β-cells regeneration and anti-diabetic activity in Wistar rats. Phytomedicine. 2010 Nov;17(13):1033-9. doi: 10.1016/j.phymed.2010.03.019. Epub 2010 Jul 27.

Al-Rejaie SSAbuohashish HMAhmed MMAleisa AMAlkhamees O. Possible biochemical effects following inhibition of ethanol-induced gastric mucosa damage by Gymnema sylvestre in male Wistar albino rats. Pharm Biol. 2012 Dec;50(12):1542-50. doi: 10.3109/13880209.2012.694894. Epub 2012 Sep 15.

Al-Romaiyan ALiu BAsare-Anane HMaity CRChatterjee SKKoley NBiswas TChatterji AKHuang GCAmiel SAPersaud SJ,Jones PMA novel Gymnema sylvestre extract stimulates insulin secretion from human islets in vivo and in vitro. Phytother Res. 2010 Sep;24(9):1370-6. doi: 10.1002/ptr.3125.

Prabhakar PK; Doble M. Mechanism of action of natural products used in the treatment of diabetes mellitus. Chin J Integr Med. 2011 Aug;17(8):563-74. doi: 10.1007/s11655-011-0810-3. Epub 2011 Aug 9.

Kumar SN; Mani, UV; Mani I. An open label study on the supplementation of Gymnema sylvestre in type 2 diabetics. J Diet Suppl. 2010 Sep;7(3):273-82. doi: 10.3109/19390211.2010.505901.

Kumar VBhandari UTripathi CDKhanna GEvaluation of antiobesity and cardioprotective effect of Gymnema sylvestre extract in murine model. Indian J Pharmacol. 2012 Sep-Oct;44(5):607-13. doi: 10.4103/0253-7613.100387.

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