Fotoproteção oral e tópica

Coadjuvantes atuantes na fotoproteção por via tópica ou oral

Fotoproteção

A fotoproteção pode ser fornecida não só por bloqueadores da radiação UV, mas também por substâncias orais. Foram identificadas associações entre alimentos, câncer de pele e substância orais que são foto protetoras em humanos. Dessa forma, é possível adquirir fotoproteção oral e tópica.

A radiação UV inibe a produção de ATP, causando uma crise energética, o que impede a imunidade ótima da pele e o reparo do DNA. Sendo assim, aumentar a produção de ATP com nicotinamida oral protege da imunossupressão causada pela radiação UV, aumenta o reparo do DNA e reduz a ocorrência de câncer de pele em humanos.

As espécies reativas de oxigênio (EROs) também contribuem para o foto dano, mas pode-se proteger a pele com substâncias que possuem polifenóis em frutas, legumes, vinho, chá e alimentos que contém cafeína. Substâncias consumidas por via oral, seja por dieta ou por suplementos, pode influenciar as respostas cutâneas a radiação UV (CHEN et al., 2014; WEILL et al., 2013).

O envelhecimento acontece de modo progressivo e é comum a todos os indivíduos, promovendo redução na capacidade e funcionalidade de diversos sistemas do organismos, incluindo a pele. Os antioxidantes neutralizam os radicais livres que são produzidos por diversos fatores, sendo estes endógenos ou exógenos (PAI et al., 2014).

Por sua vez, os radicais livres são compostos formados quando moléculas de oxigênio se combinam com outras moléculas, produzindo um número ímpar de elétrons e estes se elevam no organismo, podendo afetar moléculas e causar danos ao DNA e a funcionalidade da mitocôndria. As moléculas que são centradas no oxigênio são espécies reativas ao oxigênio (ROS) e aquelas que têm nitrogênio são espécies reativas de nitrogênio (RNS).

Os radicais livres com um elétron desemparelhado buscam e apreendem elétrons de componentes vitais, como DNA, proteínas e membranas celulares, resultando em dano celular (PAI et al., 2014; WEILL et al., 2013).

Apesar de também promover efeitos danosos nas células, os radicais livres são efetores indispensáveis ​​nas vias homeostáticas, que levam à proliferação celular, diferenciação, senescência e morte celular. O potencial antioxidante de moléculas endógenas é utilizado para propiciar a neutralização de radicais livres e levar a uma homeostasia interna e a redução de danos as membranas celulares.

Quando este equilíbrio na eliminação de radicais livres é perdido, resulta no estresse oxidativo, levando a diversas desordens no organismo. O estresse oxidativo também desempenha um papel em vários distúrbios dermatológicos, como envelhecimento da pele, como por exemplo:

    • Elastose solar;
    • Rugas profundas;
    • Textura grosseira;
    • Telangiectasia e pigmentação;
    • Psoríase;
    • Dermatite alérgica de contato;
    • Dermatite atópica;
    • Vitiligo;
    • Acne vulgaris;
    • Líquen plano;
    • Alopecia areata;
    • Melanomas (PAI et al., 2014).

 

Entretanto, outro mecanismo responsável ​​por desordens do tecido cutâneo é a indução de fatores de transcrição, que incluem a proteína ativadora (AP-1) e o fator nuclear κB (NF-κB). Estes são responsáveis ​​por alterações inflamatórias; metaloproteinases (MMP), como a colagenase, que diminui a produção de colágeno, o aumento da degradação do colágeno e eleva o acúmulo de elastina, resultando em características de envelhecimento; e, por último, proteína quinase ativada mitogênica (MAPK), que é um dos fatores responsáveis ​​pelos cânceres de pele (PAI et al., 2014; AQUILERA et al., 2013).

A atuação de ativos com potencial antioxidante está ligado a proteção de membranas e tecidos, envolvidos na redução de fotodano, a redução de espécies reativas e a diminuição da estimulação de citocinas envolvidas em processos inflamatórios (PAI et al., 2014; AQUILERA et al., 2013).

Polypodium leucotomos

O câncer de pele está entre as principais malignidades humanas, com mais de 1 milhão de casos nos EUA. Vários processos patológicos são responsáveis pelo aumento da incidência de câncer em peles expostas a radiação UV.

Algumas das respostas prejudiciais da radiação UV incluem a imunossupressão, que pode permitir que as células tumorais escapem da apoptose. Além disso, a inflamação e o eritema podem produzir espécies reativas ao oxigênio (ERO) que podem atuar promovendo o crescimento tumoral. A regulação da expressão de COX-2 pode também ser afetada (ZATTRA et al., 2009).

A enzima ciclo-oxigenase- 2 (COX-2) participa ativamente nos processos de diferenciação celular e apoptose. Além disso, a inibição de COX-2 leva a supressão de crescimento de células epidérmicas (TRIPP et al., 2003).

A administração oral de extrato de Polypodium leucotomos induz mecanismos foto protetores pela redução de espécies reativas ao oxigênio (ROS) e de radicais livres, o qual por sua vez, reduz a inflamação, o fotodano e a foto toxicidade (GONZALEZ et al., 2007).

Um estudo realizado com camundongos suplementados com Polypodium leucotomos proporcionou os seguintes efeitos fotoprotetores, ativação de p53 e redução de inflamação aguda por inibição da COX-2, aumento da remoção de dímero de pirimidina ciclobutano, e redução de danos oxidativos ao DNA (ZATTRA et al., 2009).

A radiação UV e a presença de Nevo melanocítico são fatores de risco para a ocorrência de melanoma esporádico (ME). Um total de 61 pacientes (25 com ME familiar e/ou múltiplo, 20 com ME e 16 com nevo displásico) foram submetidos a um estudo, com exposição a doses variadas de radiação UVB artificial sem a administração oral de PL (1080mg/dia) e também após utilizarem. O tratamento reduziu significativamente a sensibilidade a radiação UV em todos os pacientes (AQUILERA et al., 2013).

A erupção polimórfica a luz (EPL) é uma das fotodermatoses idiopáticas mais comuns. Um estudo realizado com 35 pacientes com EPL de longa data foi realizado para avaliar a eficácia da administração oral de Polypodium leucotomos.

Para tal, a EPL foi induzida por luz artificial UVA e UVB após iniciado o tratamento oral com Polypodium leucotomos. Duas semanas depois, foi realizada uma segunda foto provocação com os pacientes ainda em uso de Polypodium leucotomos.

trinta pacientes desenvolveram lesões EPL na segunda repetição de radiação UVA. Destes, 18 responderam também ao UVB. Os resultados apontaram que após o tratamento com PL, 9 (30%) e 5 (28%) dos pacientes, respectivamente, foram indiferentes a exposição repetida a UVA e UVB.

Nos casos restantes, o número médio de irradiações UVA e UVB necessárias para provocar EPL aumentou significativamente 1,95-2,62 (P = 0,005) e 2,38-2,92 (P = 0,047), respectivamente. Assim, a administração de Polypodium leucotomos mostra-se benéfica para a prevenção de EPL (TANEW et al., 2012).

Vitaminas C, E e carotenoides

Antioxidantes endógenos estão diminuídos na pele e no sangue durante a exposição à radiação ultravioleta (UV). Um estudo randomizado, controlado por placebo foi realizado em jovens voluntárias saudáveis do sexo feminino (fototipo II) investigou o efeito preventivo e fotoprotetor com a suplementação de uma combinação de antioxidantes, com carotenoides (beta-caroteno e licopeno), vitaminas C e E, selênio e proantocianidinas (GREUL et al., 2002).

O tratamento mostrou-se bem tolerado e os parâmetros avaliados foram as metaloproteinases 1 (MMP-1) que estavam com aumento significativo no grupo placebo, e diminuido no grupo tratado com os ativos antioxidantes, importante nos processos foto protetores. A combinação de antioxidantes pode alcançar uma proteção seletiva contra a radiação.

Este fato pode ser importante para futuras recomendações para a supressão imediata da fase inicial do eritema induzido por radiação UV, o que significa prevenção farmacológica de reação a queimadura solar, bem como prevenção a posterior danos à pele demasiadamente exposta ao sol (GREUL et al., 2002).

A suplementação com beta caroteno e vitamina E foi avaliada quanto a redução dos marcadores do estresse oxidativo e eritema, em pele humana exposta a radiação UV. Um estudo com 16 pessoas saudáveis proporcionou uma suplementação com alfa-tocoferol (n=8, 400UI/dia) ou beta caroteno (n=8, 15mg/dia) por 8 semanas. Foram tomadas amostras de biópsia antes e após a suplementação na pele exposta ou não a radiação UV.

Após a suplementação, a vitamina E mostrou-se biodisponível, com aumento da concentração na pele e plasmática. Entretanto, com o beta caroteno, houve aumento na concentração plasmática, mas não na pele. A suplementação mostrou redução significativa na concentração de malondialdeído (MDA) na pele e na glutationa oxidada da pele (MC ARDLE et al., 2004).

Outro estudo avaliou a suplementação com vitamina E (400mg/dia) em pacientes diagnosticados com erupção polimórfica a luz (EPL). Para tal, amostra de sangue foi coletada no primeiro dia de tratamento e, os mesmos foram orientados a utilizar também o foto protetor tópico. Outra amostra de sangue foi coletada 1 semana depois.

Os níveis séricos de malondialdeído foram menores no grupo tratado, em comparação ao placebo. Houve uma diminuição significativa da atividade da superóxido dismutase (SOD), enquanto as atividades das enzimas catalase e glutationa foram maiores no grupo tratado. A vitamina E desempenhou um papel importante, quanto ao estresse oxidativo e a modulação diferencial de enzimas antioxidantes (AHMED et al., 2006).

Lactobacillus rhamnosus

Os probióticos são microrganismos vivos que quando administrados em quantidades adequadas conferem benefícios a saúde do hospedeiro. Moléculas presentes na superfície celular destes microrganismos estão sendo estudados quanto a sua capacidade de interagir com o hospedeiro. A parede celular dos lactobacillus possui ácido lipoteicóico que são moléculas com propriedades imunomoduladoras (WEILL et al., 2013).

Um estudo investigou se a administração oral de L. rhamnosus pode mudar o efeito imunosupressor da radiação UV e no desenvolvimento de tumor de pele em ratos. Para isso, dois modelos de irradiação foram estudados (1) um sistema de irradiação crônica consistindo em irradiações diárias durante 20 dias consecutivos, e (2) um cronograma de irradiação a longo prazo, irradiando os animais três vezes por semana, durante 34 semanas para o desenvolvimento do tumor (WEILL et al., 2013).

Os resultados mostraram que as células T do nódulo linfático inguinal de ratinhos tratados com o lactobacillus produziram níveis elevados de interferon γ e no número de células T totais, auxiliares e citotóxicas, em comparação aos ratinhos não tratados. Além disso, foi observado um atraso significativo no aparecimento tumoral nos camundongos tratados.

Foi encontrado também um aumento de IgA no intestino delgado, junto com um maior número de células dendríticas ativadas nos linfonodos mesentéricos. Estes resultados podem ser indicativos de um efeito direto da suplementação no intestino, que afetam o sistema imune e restauram a homeostase (WEILL et al., 2013).

 

Ativos
Resumo do texto
Estudos científicos
Resultados
Referências

Polypodium leucotomos (PL)

Administração oral de Polypodium leucotomos (PL). Reduz a formação de espécies reativas de oxigênio e radicais livres. Leva a uma redução da inflamação, fotodano e fototoxicidade.

Suplementação com PL em camundongos.

Ativação de p53, inibição de COX-2, aumento da remoção de dímero de pirimidina ciclobutano, e redução de danos oxidativos ao DNA.

(ZATTRA et al., 2009).

Polypodium leucotomos (PL)

 

61 pacientes, 25 com melanoma esporádico (ME) familiar e/ou múltiplo, 20 com ME e 16 com nevo displásico, foram submetidos a um estudo, com exposição a doses variadas de radiação UVB artificial e PL.

O tratamento reduziu significativamente a sensibilidade a radiação UV em todos os pacientes.

(AQUILERA et al., 2013).

Polypodium leucotomos (PL)

 

35 pacientes com erupção polimórfica a luz, foram avaliados quanto a suplementação com PL. Os pacientes foram submetidos a 2 sessões de exposição a luz artificial UVA e UVB.

Após o tratamento, 9 (30%) e 5 (28%) dos pacientes, respectivamente, foram indiferentes a exposição repetida a UVA e UVB. Nos casos restantes, o número médio de irradiações UVA e UVB necessárias para provocar EPL aumentou significativamente 1,95-2,62 e 2,38-2,92, respectivamente. Assim, a administração de PL mostra-se benéfica para a prevenção de EPL.

(TANEW et al., 2012).

 

Ativos
Resumo do texto
Estudos Científicos
Resultados
Referências

 

Vitaminas C, E e carotenóides

A suplementação com beta caroteno e vitamina E foi avaliada quanto a redução dos marcadores do estresse oxidativo e eritema, em pele humana exposta a radiação UV.

Jovens voluntárias saudáveis, do sexo feminino, avaliou o efeito protetivo e fotoprotetor de uma combinação de antioxidantes (licopeno, betacaroteno, vit C e E).

Metaloproteinase 1 (MMP-1) aumentou significativamente no grupo placebo, e diminuiu no grupo tratado, importante nos processos foto protetores. Mostrou prevenção a queimadura solar, bem como posterior danos à pele crônica.

(GREUL et al., 2002).

 

Suplementação com vit E

 

16 pessoas saudáveis fizeram a suplementação com alfa-tocoferol (n=8, 400UI/dia) ou beta caroteno (n=8, 15mg/dia) por 8 semana.

A vit E mostrou-se biodisponível, com aumento da concentração na pele e plasmática. Já com o beta caroteno, houve aumento na concentração plasmática, mas não na pele. A suplementação mostrou redução significativa na concentração de malondialdeido na pele e na glutationa oxidada da pele.

(MC ARDLE et al., 2004).

Suplementação com vit E

 

Suplementação com vit E (400mg/dia) em pacientes diagnosticados com erupção polimórfica a luz.

Houve uma diminuição significativa da atividade da superóxido dismutase (SOD), enquanto as atividades das enzimas catalase e glutationa foram maiores no grupo tratado. A vitamina E desempenhou um papel importante, quanto ao estresse oxidativo e a modulação diferencial de enzimas antioxidantes.

(AHMED et al., 2006).

 

Referências

    1. Ahmed RS, Suke RV, Seth V, Jain A, et al. Impact of oral vitamin E supplementation on oxidative stress & lipid peroxidation in patients with polymorphous light eruption. Indian J Med Res. 123(6), 781-87, 2006.
    2. Aquilera P, Carrera C, Puig-Butille JA, Badenas C, et al. Benefits of oral Polypodium leucotomos extract in MM high-risk patients. J Eur Acad Dermatol Venereol. 27(9), 1095-00, 2013.
    3. Chen AC, Damian DL, Halliday GM. Oral and systemic photoprotection. Photodermatol Photoimmunol Photomed. (2-3), 102-11, 2014.
    4. Gonzalez S, Alonso-Lebrero JL, Del Rio R, Jaen P. Polypodium leucotomos extract: a nutraceutical with photoprotective properties. Drugs Today (Barc). 43, 475–85, 2007.
    5. Greul AK, Grundmann JU, Heinrich F, et al. Photoprotection of UV-irradiated human skin: an antioxidative combination of vitamins E and C, carotenoids, selenium and proanthocyanidins. Skin Pharmacol Appl Skin Physiol. 15(5), 307-15, 2002.
    6. Mc Ardle F, Rhodes LE, Parslew RA, Close GL, Jack CL, Friedmann PS, Jackson MJ. Effects of oral vitamin E and beta-carotene supplementation on ultraviolet radiation-induced oxidative stress in human skin. Am J Clin Nutr. 80(5), 1270-75, 2004.
    7. Tanew A, Radakovic S, Gonzalez S, Venturini M, Calzavara-Pinton P. Oral administration of a hydrophilic extract of Polypodium leucotomos for the prevention of polymorphic light eruption. J Am Acad Dermatol. 66(1), 52-62, 2012.
    8. Tripp CS, Blomme EA, Chinn KS, Hardy MM, LaCelle P, Pentland AP. Epidermal COX-2 induction following ultraviolet irradiation: suggested mechanism for the role of COX-2 inhibition in photoprotection. J Invest Dermatol. 121(4), 853-61, 2003.
    9. Zattra A, Coleman C, Arad S, Helms E, Levine D, et al. Polypodium leucotomos extract decreases UV-induced Cox-2 expression and inflammation, enhances DNA repair, and decreases mutagenesis in hairless mice. Am J Pathol. 175(5):1952-61, 2009.
    10. Weill FS, Cela EM, Paz ML, Ferrari AM, Leoni J, Maglio DH. Lipoteichoic acid from Lactobacillus rhamnosus GG as an oral photoprotective agent against UV-induced carcinogenesis. Br J Nutr. 109(3), 457-66, 2013.

 

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