Fórmulas pós-depilatória para otimizar os resultados e prevenir a hipercromia

A remoção dos pêlos de algumas áreas do corpo é uma preocupação estética que acompanha as mulheres desde épocas muito remotas. Várias técnicas têm sido usadas com essa finalidade: Giletes, ceras, depiladores elétricos,etc. São todas técnicas eficazes, mas acabam por agredir a área depilada, provocando dor, inflamação local, ressecamento da pele, irregularidades na descamação.

O estrato córneo conhecido por sua capacidade protetora da camada superficial da pele, que desempenha um papel fundamental na manutenção do estado fisiológico da pele normal e qualquer sinalização química ou física sobre o estrato córneo, resulta em um  rápido reparo ( HARDING,2004).

  Em alguns indivíduos, a pele axilar pode enfrentar desafios adicionais, incluindo a lixiviação de lipídios e proteínas do estrato córneo por surfactantes de limpeza, ou irritação adicional induzido por raspar ou arrancar o pêlo. Esse fato libera  citocinas pró-inflamatórias  partir da epiderme e da desgranulação dos mastócitos , que por sua vez pode afetar o padrão da proliferação de queratinócitos, ou estimular terminações nervosas que levam à irritação, coceira e eritema.Essas respostas elevar o dano existente e aumentando a  inflamação ( EVANS et al., 2012).

Figura : Estrutura da pele axilar (a) e o ciclo de irritação axilar (b).Fonte: EVANS et al., 2012.

 O esquema (b) mostra os passos pelos quais fatores externos, como raspar o cabelo, arrancando ou depilação e limpeza profunda  ou substâncias com o  pH baixo ( sais de alumínio presente nos anti-transpirantes com pH inferior a 4,0) pode desencadear uma série de eventos que resultam na irritação axilar, que se torna crônico por eventos repetidos.

Descrição do esquema acima:

1) A remoção dos corneócitos no estrato córneo por exemplo ao barbear;

2) Resulta em danos para a pele  (perda de células, dos lípidos, de proteínas e NMF );

3) Que por sua vez, desencadeia a liberação de mediadores pró-inflamatórios e fatores de crescimento de queratinócitos e mastócitos;

4) Provocando alterações na sensibilidade do nervo e resultando em prurido e  dor;

5) Estes mediadores, provocam a irritação da pele e podem causar  eritema;

6) Pode também conduzir a danos físicos adicionais na pele , em consequência de uma resposta tal como coçar. Em detrimento disso, a pele irritada busca uma reparação através de mudanças na diferenciação dos queratinócitos e  proliferação;

7)  Reparação da barreira no caso de danos externos agudos, ou enfraquecimento da barreira da pele, no caso de danos crônicos.

Um estudo avaliou o efeito da raspagem das axilas durante quatro semanas onde foram realizadas  uma raspagem uma vez por semana  e outra uma vez por dia, ambos combinando com a aplicação de um Antitranspirante. Ao final do estudo a avaliação visual da condição da pele mostrou que a raspagem mais frequente promoveu um maior nível de irritação visível (MARTI et al., 2003).

Outro estudo demonstrou claramente que raspar as axilas consistentemente além de remover os pêlos axilares remove também 36,1 % do estrato córneo. Medições posteriores  demonstraram que na área raspada, a espessura da epiderme é mais elevada do que nas zonas não raspadas.  Com base nesses resultados concluiu-se que a raspagem frequente, promove espeçamento da epiderme. No entanto, esta adaptação muitas vezes não é suficiente para proteger totalmente a axila de danos e irritação resultante da raspagem. Nesses casos, foi demonstrado que o uso de uma formulação contendo glicerol e óleo de semente de girassol foi capaz de reduzir a irritação causada pelo impacto da raspagem (TURNER, 2007).

Outro problema muito comum é o Pseudofoliculite da barba que provoca irritação e com potencial de desfiguração, resultado dos procedimentos para a remoção dos pêlos da região, essencialmente durante o barbear. É difícil estabelecer a incidência desta doença, mas alguns estudos sugerem que afeta  um em cada cinco brancos e é ainda muito mais comum em negros. Do ponto de vista clínico é caracterizado pelo aparecimento de pápulas inflamatórias e pústulas. Quando o tratamento pseudofolliculitis já estabelecido envolve a abstenção de barbear e tratamento médico utilizado é semelhante ao da acne. No entanto, para resultados duradouros é muito mais importante a prevenção através da técnica de corte apropriada. Apesar de tudo isso, em casos graves ou quando a pessoa quer uma solução definitiva, depilação é o tratamento de escolha (RIBERA et al.,2010).

Depilação a laser é hoje amplamente aceita como uma técnica bem sucedida para remover pêlos indesejáveis em homens e mulheres. Embora a incidência global de efeitos adversos após a depilação a laser parece ser baixo e transitórios, estes efeitos secundários podem ser mais comuns quando a depilação a laser é realizada por pessoas não qualificadas (GALVAN e JAEN, 2009).

A abundância de melanina na epiderme de pacientes com a cor da pele escura foi considerada perigosa por causa do aumento da incidência de efeitos colaterais nesta população de pacientes. Após a terapia, cremes topicos de corticoides ajudam a minimizar o eritema, edema pós-tratamento e diminuir a duração de hiperpigmentação. Pomada antibiótica é recomendada em caso de lesão epidérmica. Os pacientes devem ser aconselhados a continuar evitando a exposição ao sol. Se lesão epidérmica não tiver ocorrido, a composição pode ser aplicada no dia depois do tratamento (GALVAN e JAEN, 2009).

O uso concomitante de lasers e produtos tópicos que contêm fatores de crescimento, retinóides, e antioxidantes pode melhorar o resultado dos tratamentos (GOLDMAN,2011).

Sabe se a muito tempo, que vários fatores afetam a melanogênese (produção de melanina),  fatores que afetam a melanogênese são derivadas dos queratinócitos, fibroblastos, células endoteliais, hormônios, células inflamatórias e nervosas, uma série de novos fatores que estão envolvidos na regulação que foram recentemente relatados, tais como fatores que regulam o pH melanossoma e transporte de íons (KONDO, HEARING,2011).

—α-MSH é produzido em resposta à exposição à radiação UV, juntamente com a liberação de citocinas pro-inflamatórias (TNF-α – fator de necrose tumoral alfa) e IL-1  (interleucina 1 alfa) (SLOMINSKI et al., 2004).

Diversos mecanismos enzimáticos e não-enzimáticos estão disponíveis para controlar o acúmulo de espécies reativas de oxigênio, sendo a inibição da tirosinase um dos mais importantes sistemas para a eliminação destas espécies, já que esta enzima é capaz de utilizar superóxido para produzir melanina (PERLUIGI et al.; 2003),  assim compostos antioxidantes, capazes de inibir a produção de espécies reativas de oxigênio podem também reduzir a hiperpigmentação ou prevenir a melanogênese.

É obvio que  em comparação com outros locais da pele, a axila é realmente um local biologicamente único. A pele axilar necessita de cuidados especiais, com base no desejo de evitar a umidade, odores e da necessidade  de remover o pêlo,  o que traz o associado risco de eritema, irritação e potencialmente hiperpigmentação. A cosmetologia é uma ciência  capaz de fornecer soluções para esses resultados através de seleção cuidadosa de tecnologia apropriada de cuidados da pele. Pode se usar fórmulas contendo  umectantes e ácidos graxos, anti-irritantes ( EVANS et al., 2012).

Sabendo que o processo inflamatório pode estimular o melanócito  e consequentemente escurecer a região inflamada. Faz-se necessário o uso de produtos anti-inflamatórios,  antioxidantes e calmantes, que aceleram o processo de cicatrização, reduzem o estímulo ao melanócito e inibe a tirosinase.

SUGESTÃO DE  ATIVOS :

BELIDES™

Clareador natural de alta eficácia que atua antes, durante e após a formação de melanina na pele. É um novo ingrediente botânico obtido das flores de Bellis perennis (margarida), rico em diversas moléculas bioativas tais como saponinas, polifenóis, glicosídeos flavônicos, polissacarídeos e inulina, com uma surpreendente capacidade de inibição da melanogênese (COSTA et al.,2010).

Atua em todas as etapas da melanogênese
Comprovadamente inibe a ET-1
ƒ Modula a resposta dos melanócitos humanos em relação à radiação UV
ƒ Proporciona resultados rápidos
ƒ Resultados com duração maior do que o arbutin (efeito “long lasting”)

CONCENTRAÇÃO USUAL:   2 a 5%

TGP-2

É um oligopeptídeo derivado do Fator de Crescimento Transformador (TGFB) que possui ação seletiva: proporciona clareamento da pele e retarda o crescimento de pelos simultaneamente. É um despigmentante anti-inflamatório, combatendo diretamente a recidiva da mancha e seu aprofundamento, principalmente em casos onde a hipercromia se dá em decorrência de processos inflamatórios como peelings, acne, laser e eritema causado pelo sol.

A ação do TGP2 Peptídeo envolve todas as etapas da melanogênese (antes, durante e após a síntese de melanina) com um mecanismo inovador: reduz a liberação do fator de transcrição de microftalmia (MITF).O fator de transcrição de microftalmia (MITF) é liberado dentro do melanócito em decorrência da ligação do α-MSH produzido pelos queratinócitos após exposição a raios UV. TGP2 Peptídeo age diminuindo a formação do MITF e consequentemente não há ativação da enzima tirosinase.

Peptídeo para INIBIÇÃO do CRESCIMENTO de PÊLOS  TGP2 Peptídeo tem importante atividade no ciclo de crescimento capilar:

  • Aumenta a população de pêlos na fase catágena (fase em que o pêlo apresenta-se com bulbo atrofiado);
  • Redução do número de bulbos capilares;
  • Redução do crescimento de pêlos.

 

Concentração de uso: 2 a 3%

 Fonte: Pharmaspecial

 Alantoína

Função: Cicatrizante

Indicações: Usado no tratamento da psoríase, ictiose e hiperqueratoses.

Propriedades:É um produto do metabolismo das purinas (2,5 dioxi-4-imidazolidinil uréia). É obtida por síntese e também encontrada nas raízes e rizomas do cnfrey, Symphytum officinale (Boraginaceae). Tem ação estimulante da proliferação celular e ativadora da cicatrização de feridas. É hidrolisada na pele formando uréia, que tem ação hidratante e
queratolítica.
Contra-indicações: Não constam.
Dose Usual / Posologia: É usada nas concentrações de 0,2 a 2%.

Fonte: Fagron

Alfa-bisabolol

Nome Químico: 1-metil-4(1,5-dimetil-1-hidroxi-4(5)-hexenil)-1-cicloexano
INCI Name: Bisabolol
Indicações:Antiinflamatório, Cicatrizante e Anti-séptico suave.

Propriedades:É um álcool sesquiterpênico monocíclico insaturado obtido da destilação direta do óleo de candeia (Vanilos mopsis erytropapa). O óleo de candeia tem sido empregado na indústria farmacêutica e cosmética de tratamento como ingrediente ativo de certas formulações, sendo que uma das suas propriedades é impedir a penetração de cercárias de Schistosoma. Mesmo em baixas concentrações, inibe o crescimento de bactérias Gram-positivas. Por sua ação antiflogística, cicatrizante, antiinflamatória e melhor estabilidade, o bisabolol tem sido empregado, com eficácia, em substituição ao azuleno (substância ativa da camomila) em produtos cosméticos, para profilaxia e cuidados da pele. Produtos cosmiátricos para pessoas com pele sensível.

DOSAGEM : É usado nas concentrações de 0,1 a 1%.

Fonte: Mapric

Ácido Glicirrízico

Extrato vegetal de importante papel despigmentante é o licorice, obtido da Glycyrrhiza glabra. Conhecido como alcaçuz, ele contém diversos compostos, sendo que as saponinas e os flavonoidessão os princípios ativos de maior ação antiinflamatória (COSTA et al.,2010).

Inibe a atividade da tirosinase. Além disso, o ácido glicirrízico é um ativo com reconhecida ação antiinflamatória e antialérgica, anticancerígenas e anti-imune mediada(DAI, 2001) .

DOSAGEM : É usado nas concentrações de 0,1 a 2%.

 

 

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA:

COSTA, Adilson ; MOISÉS,Thaís Abdalla; CORDERO,Tatiana; ALVES, Caroline Romanelli Tiburcio. Associação de emblica, licorice e belides como alternativa à hidroquinona no tratamento clínico do melasma. An Bras Dermatol. 2010.

Dai JH, Iwatani Y, Ishida T, Terunuma H, Kasai H, Iwakula Y,Fujiwara H and Ito M: Glycyrrhizin enhances interleukin-12 production in peritoneal macrophages. Immunol 103: 235-243,2001.

Evans, RL; Marriott, RE;Harker,M. Axillary skin: biology and care.Int J Cosmet Sci.Oct ,2012.

Fagron:http://www.fagron.com.br/Literaturas/LITERATURAS%20FARMACEUTICAS%5CA%5CALANTOINA.pdf. Acesso em: 05/12/2012.

GALVAN,Sergio Vano e JAEN,Pedro.Complications of nonphysician-supervised laser hair removal.Can Fam Physician.January ,2009.

GOLDMAN, Mitchel P.One Laser for a Cosmetic/Dermatologic Practice. Clin Aesthet Dermatol. May,2011.

Harding, C.R. The stratum corneum:structure and function in health and disease. Dermatol. Ther. 17,6–15 ,2004.

KONDO, Taisuke  and J HEARING,Vincent .Update on the regulation of mammalian melanocyte function and skin pigmentation. Expert Rev Dermatol.February, 2011.

MARTI ,VP;LEE RS, MOORE, AE;PATERSON, SE; WATKINSON, A; RAWLINGS ,AV.Effect of shaving on axillary stratum corneum.Int J Cosmet Sci. 2003.

Mapric: http://www.mapric.com.br/anexos/boletim30_23082007_093049.pdf. Acesso em: 05/12/2012.

PERLUIGI,  M.,  DE  MARCO,  F.,  FOPPOLI, C., COCCIA,  R., BLARZINO,C., MARCANTE, M.L., CINI, C. Tyrosinase  protects  human  melanocytes  from  ROS-generating  compounds.  Biochem.Biphys. Res. Com. 305:250-256, 2003.

Pharmaspecial. http://www.pharmaspecial.com.br/imagens/literaturas/Lit_TGP-2_PEPTIDEO.pdf> Acesso em: 04/12/2012.

RIBERA,M.; CHICO,N. FERNÁNDEZ; CASALS, M. Pseudofoliculitis de la barba.Actas Dermosifiliogr.2010.

SOLOMINSKI, A., TOBIN, D.J., SHIBAHARA, S., WORTSMAN, J. Melanin Pigmentation in Mamalian Skin and its hormonal function. Physiol Rev. 84, 1155-1228. 2004.

TURNER,G. A. ; MOORE,A. E. ;MARTI,V. P. J. ; PATERSON,S. E; JAMES,A. G. Impact of shaving and anti-perspirant use on the axillary vault. International Journal of Cosmetic Science. Volume 29, Issue 1, pages 31–38, February, 2007.

 

 

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