Mesalazina na Colite Ulcerativa - Centro de Pesquisa e Tecnologia
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Mesalazina na Colite Ulcerativa

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Tratamento de doenças inflamatórias intestinais e eficácia da mesalazina no tratamento da colite ulcerativa.

Doenças Inflamatórias Intestinais

A princípio, as doenças inflamatórias intestinais podem se dar de forma localizada em uma pequena porção do trato digestivo ou estendida em todo o trato intestinal. Sendo assim, pode acometer indivíduos em qualquer idade e pode levar a impactos relevantes na qualidade de vida, podendo muitas vezes influenciadas pelo estilo de vida. a Mesalazina é uma opção para o tratamento da colite ulcerativa.

Entretanto, as condições clinicas gástricas pode ter muitas complexidades, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento. Devido a condição clínica ser na mucosa intestinal, a dieta e nutrição desse paciente é de extrema importância para controle e regulação dos sintomas da doença e para uma nutrição adequada (YE & LANGENBERG, 2015; TENJARLA, 2015).

A colite ulcerativa (CU) é uma doença inflamatória crônica da região do cólon do intestino, de causa desconhecida, caracterizada por intervalos de atividade e ausência da doença, em 80 a 90% dos pacientes. O principal objetivo do tratamento é manter a remissão da doença (BLONSKI et al., 2014; YE & LANGENBERG, 2015).

Mesalazina

O ácido 5-aminosalicílico, ou mesalazina, é uma terapia padrão, de primeira linha para colite ulcerativa de intensidade média a moderada, e eficaz para a manutenção e remissão dos sintomas da colite ulcerativa (WATANABE et al., 2013a; YE & LANGENBERG, 2015; TENJARLA, 2015).

A mesalazina possui ação anti-inflamatória, por meio da inibição da prostaglandina sintetase na mucosa ileal, colônica e retal. A princípio a sua atuação é local, bloqueando a síntese de prostaglandinas e diminuindo a produção dos metabólitos do ácido araquidônico, que estão elevados nos pacientes com doenças crônicas inflamatórias intestinais (YE & LANGENBERG, 2015).

Estudos

    • Estudo I

A eficácia dos supositórios de mesalazina foi avaliada em pacientes com colite ulcerativa (C.U.) e inflamação retal em um estudo multicêntrico de fase III, duplo-cego e controlado por placebo. Sendo assim, os pacientes selecionados foram orientados a utilizar 1g de mesalazina ou placebo, ambos em supositórios.

O supositório foi administrado uma vez ao dia durante 4 semanas, no reto. A eficácia na remissão foi de 81,5% para aqueles que utilizaram a mesalazina e 29,7% para aqueles que fizeram uso do placebo. A porcentagem de pacientes com ausência de hemorragia foi significativamente maior no grupo tratado com mesalazina comparado ao grupo placebo, desde o terceiro dia de tratamento.

Sendo assim, o uso de mesalazina mostra-se benéfico e eficaz para prevenção, remissão e controle dos sintomas relacionados a colite ulcerativa (WATANABE et al., 2013a).

    • Estudo II

Outro estudo duplo-cego realizado com 301 pacientes com C.U. comparou o tratamento com mesalazina oral em doses de 1,5 a 2,25g/dia, na posologia de uma vez ao dia (UA) ou três vezes ao dia (TD) por 52 semanas. O objetivo foi avaliar se a remissão foi mantida depois das 52 semanas da administração ou até o momento da interrupção.

A proporção de pacientes ainda em remissão após as 52 semanas foi de 79,4% no grupo UA e 71,6% no grupo TD. Quando analisada a segurança, a incidência de efeitos adversos foi de 72,4% no grupo UA e 76,5% no grupo TD, mostrando uma diferença significativa entre os dois grupos.

Em termos de manutenção da remissão os dois grupos não apresentaram diferenças significativas, apesar da ocorrência de efeitos adversos ter sido menor no grupo UD (WATANABE et al., 2013b).

    • Estudo III

Flourié e colaboradores (2013), em um estudo realizado com um total de 206 pacientes com C.U., avaliaram a utilização diferentes posologias. Foi utilizada uma dose diária (UA) de 4g de mesalazina e com duas doses diárias (DA) de 2g de mesalazina cada, durante 8 semanas. Todos os pacientes também utilizaram enema de mesalazina de 1g/dia.

Houve melhora significativa da doença em 92% naqueles indivíduos em uso de somente uma dose ao dia em comparação ao grupo em uso de duas doses diárias, que foi de 79%. Entretanto, na cicatrização da mucosa, resultados apontaram para uma melhora de 87,5% no grupo UA e 71,1%no grupo DA.

A segurança foi similar entre os dois grupos, o tempo de remissão também foi bom, sendo 26 dias no grupo que UA (4g) e 28 dias para aqueles em uso de (2g) duas vezes ao dia. Quando combinado com o enema, a mesalazina em dose diária de 4g foi tão efetiva e bem tolerada quanto em duas doses diárias, na indução da remissão em pacientes com C.U. em gravidade de média a moderada.

Quimioprevenção do câncer coloretal

O câncer coloretal (CCR) é uma das formas mais comuns de neoplasia maligna no mundo. O mecanismo que promove o sustento da carcinogênese no cólon ainda não é conhecido, embora exista uma evidência da complexa interação entre o meio da carcinogênese e as alterações genéticas que facilitam o crescimento seletivo das células, que podem levar ao desenvolvimento de displasia e câncer no cólon. O exame de colonoscopia permite identificar e remover células pré-cancerosas, e é uma estratégia muito utilizada (STOLFI et al., 2013).

Outra estratégia preventiva potencial complementar é baseada no uso de medicamentos quimiopreventivos, como os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). A mesalazina é o medicamento de escolha para a manutenção da remissão em pacientes com colite ulcerativa, e há muito tempo vem sendo reconhecida pelo potencial em reduzir a incidência de câncer coloretal relacionado a CU (STOLFI et al., 2013).

A mesalazina pode interferir no crescimento celular no CCR e na sobrevivência das células através de mecanismos independentes e dependentes de COX. Além disso, ela inibe a produção de TNF-α/IL-1β induzida pela expressão de COX-2 em linhagens de células de CCR, com efeito na redução da síntese de PEG2 e no crescimento celular (STOLFI et al., 2008; YE & LANGENBERG, 2015).

Os receptores dos fatores de crescimento epidermal (RFCE) são fortemente expressos pelas células CCR, a sua ativação desencadeia os processos de mitose. A mesalazina suprime a fosforilação/ativação dos RFCE em cultura de células humanas de CCR (ex vivo) e em linhagens de células de CCR, e seu efeito inibitório não se deve a clivagem do receptor ou pela inibição da síntese de seus ligantes. Ao contrário, a mesalazina aumenta a atividade da proteína tirosina fosfatase que regula negativamente a ativação dos RFCE (MOTELEONE et al., 2006).

 

 

Referências 

    1. Blonski W, Buchner AM, Lichtenstein Gr. Treatment of Ulcerative Colits. Curr Opin Gastroenterol. 30(1), 84-96, 2014.
    2. Flourié B, Hagége H, Tucat G, Maetz D, Hébuterne X, et al. Randomised clinical Trial: once VS twice-daily prolonged-realise mesalazine for active ulcerative colitis. Aliment Pharmacol Ther. 37(8), 767-75, 2013.
    3. Moneleone G, Franch L, Fina D, Caruso R, Vavassori P, Monteleoni I, Clabrese E, Naccari GC, Bellinvia S, Test R, et al. Silencing of sh-ptp2 defines a crucial role in the inactivation of epidermal growth factor receptor by 5-aminosalicylic acid in colon cancer cells. Cell Deth Differ. 13, 202-11, 2006.
    4. Stolfi C, Fina D, Caruso R, Caprioli F, Sarra M, Fantini MC, Rizzo A, Pallone F. Cyclooxygenase-2-dependent and independent ihibition of proliferation of colon cancer cells by 5-aminosalicylic acid. Pharmacol. 75, 668-76, 2008.
    5. Stolfi C, De Simone V, Pallone F, Monteleone G. Mechanisms of action of non-steroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs) and Mesalazine in the chemoprevention of colorectal cancer. Int. J. Mol. Sci. 14, 17972-85,
    6. Tenjarla S. Dissolution of Commercially Available Mesalamine Formulations at Various pH Levels. Drugs in R&D, 15(2), 211-15, 2015.
    7. Ye, B., & van Langenberg, D. R. Mesalazine preparations for the treatment of ulcerative colitis: Are all created equal?. World journal of gastrointestinal pharmacology and therapeutics. 6(4), 137-44, 2015.
    8. Watanabe M, Nishino H, Sameshima Y, Ota A, Nakamura S, Hibi T. Randomised clinical trial: evaluation of the efficacy of mesalazine (mesalamine) suppositories in patients with ulcerative colitis and active rectal inflammation — a placebo-controlled study. Aliment Pharmacol Ther. 38(3), 264-73, 2013a.
    9. Wanatabe M, Hanai H, Nishino H, Yokoyama T, Terada T, Suzuki Y. Comparison of QD and TID oral mesalazine for maintenance of remission in quiescent ulcerative colitis: a double-blind, double-dummy, randomized multicenter study. Inflamm Bowel Dis. 19(8), 1681-90, 2013b.

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