Dapoxetina

Efetivo tratamento para ejaculação precoce com dapoxetina.

Dapoxetina

A dapoxetina é o primeiro ativo desenvolvido especificamente para o tratamento da ejaculação precoce. É um potente IRSS com estrutura química similar à da fluoxetina. A dapoxetina sofre rápida absorção e eliminação resultando em acumulação mínima, e possui farmacocinética proporcional a dose, e não é afetado pela administração de doses múltiplas e não varia entre os grupos étnicos (McMAHON et al., 2012; RUSSO et al., 2016).

Estudos psicofarmacológicos em animais e humanos têm demonstrado que a serotonina e os receptores de 5-hidroxitriptofano (5-HT) são envolvidos na ejaculação e confirmam o papel dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (IRSS) no tratamento da ejaculação precoce (EP). Vários estudos baseados em evidências mostram a eficácia e segurança dos IRSS no tratamento da EP, confirmando seu papel como primeira escolha no tratamento (WALDINGER et al., 2004; PATTIJ et al., 2005).

Uso de IRSS

O uso de antidepressivos IRSS, incluindo paroxetina, sertralina, fluoxetina, citalopram e fluvoxamina e o serotoninérgico tricíclico clomipramina, tem revolucionado a abordagem e o tratamento da EP. Estes fármacos bloqueiam a recaptação de serotonina axonal nas sinapses pelos receptores de 5-HT, levando consequentemente a um aumento da neurotransmissão de 5-HT, estimulando os receptores 5-HT2c pós-sinápticos, resultando no atraso da ejaculação.

Entretanto, a falta de um fármaco aprovado e a dependência causada pela utilização destes ativos leva a um baixo nível de aceitação ao tratamento com IRSS e alta taxa de abandono de tratamento, nos homens que iniciam o tratamento. A dapoxetina é o único IRSS desenvolvido para tratar a ejaculação precoce, seu uso se mostrou seguro e eficaz na terapia para tratamento da ejaculação precoce (SALONIA et al., 2009; RUSSO et al., 2016).

Estudos

Um estudo realizado com 56 pacientes com diagnóstico de ejaculação precoce comparou o tratamento com dapoxetina (41 pacientes) e citalopram (18 pacientes). A adesão ao tratamento foi obtida em 56% dos pacientes tratados com dapoxetina e 61% dos tratados com citalopram.

Foram reportados efeitos adversos em 14,6% no tratamento com dapoxetina versus 38,4% com citalopram. O benefício do tratamento também foi maior com a dapoxetina (82%) que com o citalopram (69,2%) (PAVONE et al, 2013).

Outro estudo realizado com 1238 homens com diagnóstico de EP, onde estes foram divididos para receber placebo ou 60mg de dapoxetina, quando necessário ou uma dose diária, durante  9 semanas. O fármaco diminuiu a angústia pessoal e a dificuldade interpessoal dos indivíduos associado à EP, e foi associado à melhora no desempenho sexual e qualidade de vida para o paciente e para seu parceiro (KAUFMAN et al., 2009).

Uma triagem clínica com 618 homens em tratamento por 24 semanas levou a um aumento do tempo de latência de ejaculação vaginal (IELT) de 0,9 minutos (início do estudo) para 1,9 min em uso de placebo e 3,2min e 3,5min com o uso de dapoxetina 30mg e dapoxetina 60mg, respectivamente, no final do estudo. O tratamento melhorou significativamente os aspectos da EP e foi bem tolerado na população em estudo (BUVAT et al., 2009).

Dapoxetina associada aos inibidores de fosfodiesterase tipo 5

A dapoxetina é inibidor seletivo da recaptação de serotonina (IRSS) desenvolvido para o tratamento da ejaculação precoce, e a tadalafila e sildenafila são inibidores da fosfodisterase-5 (IFD-5), usados no tratamento da disfunção erétil. A interação farmacocinética entre ambos foi investigada em um estudo randomizado, cruzado (n= 24 homens) comparando dapoxetina 60mg, dapoxetina 60mg associado a tadalafila 20mg e dapoxetina 60mg associado a sildenafila 100mg.

As concentrações plasmáticas dos ativos foram determinadas por cromatografia líquida acoplada a espectro de massa. A tadalafila não afetou a farmacocinética da dapoxetina, embora a sildenafila aumentasse a área sob a curva (auc) da dapoxetina em 22%, porém estes efeitos não foram considerados clinicamente importantes.

A dapoxetina não parece afetar a farmacocinética da tadalafila e sildenafila, assim, a dapoxetina não apresenta interação farmacocinética de importância clínica com os outros dois ativos, e as combinações são bem toleradas (DRESSER et al., 2006).

Em um estudo duplo-cego, controlado por placebo com dose flexível, envolveu 429 homens com mais de 18 anos e com diagnóstico de disfunção erétil e ejaculação precoce, durante 12 semanas. Os critérios de inclusão no estudo incluíram tempo de latência de ejaculação vaginal (IELT) ≤2 min em pelo menos 75% dos episódios sexuais, estavam em regime estável de tratamento com IFD-5 e com índice internacional de domínio da função erétil (IELT) ≥ 21.

Os envolvidos no estudo fizeram o tratamento com IFD-5 e dapoxetina 30mg ou 60mg, de acordo com o resultado. O IELT aumento com dapoxetina comparado ao placebo (5,2 min. comparado a 3,4 min.) no final do estudo. Os pacientes relataram satisfação com o tratamento, além de boa tolerabilidade (McMAHON et al., 2013).

Metabolismo e farmacocinética

A farmacocinética de doses simples e múltiplas (30, 60, 90,100, 140 e 160) acima de 6 a 9 dias foi avaliada em 77 homens voluntários sadios, em um estudo duplo-cego controlado por placebo. A dapoxetina apresentou Tmax de 1,4 a 2h e rapidamente atingiu a concentração plasmática máxima (Cmax) pela administração oral. A concentração plasmática e a área sobre a curva (AUC) são dose dependente a partir de 100mg.

O tempo de meia vida médio da dapoxetina após dose simples foi estimado em 1,3 a 1,5h. A concentração plasmática cai rapidamente para 5% com Cmax em 24h. O término da meia vida foi de 15 a 19h após dose simples e de 20 a 24h após doses múltiplas de 30mg e 60mg, respectivamente (McMAHON et al., 2012).

Segurança e tolerabilidade

A dapoxetina 30mg e 60mg mostram-se bem tolerada com baixa incidência de efeitos adversos. Mais de 50% dos efeitos adversos reportados nos estudos de fase III foram, na primeira visita, de acompanhamento após 4 semanas de tratamento, e incluem normalmente sintomas gastrointestinais e relacionados ao sistema nervoso, como náusea, diarreia, tontura, dor de cabeça, insônia, sonolência, fadiga e nasofaringite.

Ao contrário dos outros IRSS usados para tratar a depressão, o qual tem sido associado com alta incidência de disfunção sexual, a dapoxetina foi associada com baixas taxas de disfunção sexual (McMAHON et al., 2012; RUSSO et al., 2016).

Um estudo observacional realizado com 10.028 voluntários durante 12 semanas, avaliou a segurança da dapoxetina. A média de idade dos pacientes foi de 40,5 anos. No grupo A (6712 pacientes) iniciaram o tratamento com dose de 30mg de dapoxetina. Já no grupo B (3316 pacientes em tratamento alternativo/ sem dapoxetina) as opções de tratamento incluíram a clomipramina, paroxetina, fluoxetina, sertralina, fármacos tópicos, preservativos e aconselhamento comportamental.

Todos os regimes de tratamentos, em ambos os grupos, foram bem tolerados. Os efeitos adversos mais comuns relatados foram náusea, dor de cabeça e vertigem, com maior incidência no Grupo A (3,1%, 2,6% e 1,0%, respectivamente), que no Grupo B (2,3%, 1,3% e 0,9%, respectivamente). Não ocorreu nenhum caso de síncope no Grupo A e um caso no Grupo B.

Os resultados do estudo sugerem que a dapoxetina possui um bom perfil de segurança e baixa prevalência de efeitos adversos (MIRONE et al., 2013).

 

 

Referências 

    1. Buvat J, Tesfaye F, Rothman M, Rivas DA, Giuliano F. Dapoxetine for the treatment of premature ejaculation: results from a randomized, double-blind, placebo-controlled phase 3 trial in 22 countries. Eur Urol. 55(4), 957-67, 2009.
    2. Dresser MJ, Desai D, Gidwani S, Seftel AD, Modi NB. Dapoxtine a novel treatment for premature ejaculation, does not have pharmacokinetic interactions with phosphodiesterase-5 inhibitors. J. Import Res. 18(1), 104-10, 2006.
    3. Kaufman JM, Rosen RC, Mudumbi RV, et al. Treatment benefit of dapoxetine for premature ejaculation: results from a placebo-controlled phase III trial. BJU Int. 103(5), 651-58, 2009.
    4. McMahon CG. Dapoxetine: a new option in the medical management of premature ejaculation. Ther Adv Urol. 4(5), 233–51, 2012.
    5. McMahon CG, Giuliano F, Dean J, Hellstrom WJ, et al. Efficacy and safety of dapoxetine in men with premature ejaculation and concomitant erectile dysfunction treated with a phosphodiesterase type 5 inhibitor: randomized, placebo-controlled, phase III study. J Sex Med. 10(9), 2312-25, 2013.
    6. Pattij, T., Olivier, B. and Waldinger, M. Animal models of ejaculatory behavior. Curr Pharm Des11: 4069-77, 2005.
    7. Payone C, Scalici Gesolfo C, Abbadessa D, Scaduto G, Caruana G, et al. Compliance to therapy with Dapoxetine in patients affected by premature ejaculation. Urologia. 80(1), 53-63, 2013.
    8. Russo, A., Capogrosso, P., Ventimiglia, E., La Croce, G., Boeri, L., Montorsi, F., & Salonia, A. Efficacy and safety of dapoxetine in treatment of premature ejaculation: an evidence-based review. International Journal of Clinical Practice. 70(9), 723-33, 2016.
    9. Salonia, A., Rocchini, L., Sacca, A., Pellucchi, F., Ferrari, M., Carro, U.et al. Acceptance of and discontinuation rate from paroxetine treatment in patients with lifelong premature ejaculation. J Sex Med. 6, 2868-77, 2009.
    10. Waldinger, M., Zwinderman, A., Schweitzer, D. and Olivier, B. Relevance of methodological design for the interpretation of efficacy of drug treatment of premature ejaculation: a systematic review and meta-analysis. Int J Impot Res. 16, 369-81, 2004.

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