Curcuma longa

A Curcuma é uma especiaria amplamente utilizada como corante e aromatizante que vem da raiz da Curcuma longa.

Está presente na lista de substancias GRAS (Generally Recognized as Safe), da FDA (Food and Drug Administration). A Curcuma tem sido utilizada para várias condições medicinais incluindo a rinite, a cicatrização de feridas, resfriado comum e infecções da pele, de fígado e doenças do trato urinário. O extrato seco de rizoma de Curcuma longa possui padronizado com mínimo de 95 % de curcuminóides.

(AGGARWAL et al., 2004; CHAINANI-WU, 2003; AKHTAR et al., 2012)

O principal constituinte de Curcuma longa é a curcumina (diferuloylmethane) que constitui até 90% do total do conteúdo de curcuminóides. Suas propriedades  são:

    • Anti-inflamatório natural;
    • Capacidade de redução de hiperlipidemia;
    • Ação hipoglicemiante;
    • Efeito citotóxico nas células tumorais;
    • Atividade antibacteriana;
    • Protetor das células do fígado;
    • Efeitos imunomoduladores;
    • Reguladores sobre os mediadores inflamatórios;
    • Ação sobre a pele, principalmente quanto a cicatrização.

Ações diversas

Sua ação também é apontada sobre a artrite reumatoide devido a ação anti-inflamatória. Além disso, a Cúrcuma longa possui efeitos sobre a depressão maior, redução da ansiedade em indivíduos obesos e ainda diminuiu os sintomas na síndrome pré menstrual.

(SOLEIMANI et al., 2018; PETERSON et al., 2018; VAMANU et al., 2019)

Curcuma longa plantas

A) Partes aéreas de C. longa – B) Tubérculo de C. longa – C) Pó de C. longa

Vários estudos in vitro demonstraram que a curcumina pode melhorar o padrão de marcadores de inflamação e doenças metabólicas relacionadas com a obesidade. O uso de cúrcuma se mostrou seguro e com boa tolerância nos estudos realizados.

Além disso, a curcumina não é mutagênica e não genotoxico, sendo benéfico também na proteção do organismo e na indução de apoptose que é a morte celular programada regulada por vias de sinalização endógenas. Sendo seu uso também seguro em gestantes.

(SOLEIMANI et al., 2018)

Mecanismo de ação

A curcumina inibe a ativação das vias de sinalização de TLR-4 e de NF-ĸB pró-inflamatórios em diversos tipos de células incluindo macrófagos e adipócitos humanos. Também por inibir NF- ĸB a curcumina tem sido relatada ser capaz de atenuar a inflamação alérgica das vias respiratórias em ratos.

(NEYRINCK et al., 2013; CHONG et al., 2014)Processo de ação

Efeito da curcumina na rede intracelular implicado na sinalização da inflamação. As setas indicam ativação/indução e as linhas com barra inibição/inativação

(SUN et al., 2013)

Vários estudos com modelos in vivo demonstram fármacos dirigidos a atividade de NF-ĸB podem produzir tratamentos farmacologicamente relevantes e terapeuticamente valiosas para uma gama de doenças e condições em que a inflamação desempenha um papel crítico (D’ACQUISTO et al., 2002). Desenho do corpo humano

Doenças que foram efetivamente tratados pelos inibidores de NF-kB em modelos animais

(D’ACQUISTO et al., 2002)

Indicação e benefícios

    • Coadjuvante para tratamento da artrite reumatoide;
    • Tratar distúrbios da inflamação;
    • Supressão de mediadores inflamatórios;
    • Quimioproteção;
    • Ação antioxidante;
    • Ajuda a diminuir os níveis de triglicérides;
    • Atuante na cicatrização;
    • Antiagregante plaquetário;
    • Antiespasmódico e hepatoprotetor;
    • Prevenção de síndrome metabólica.

Estudo I

Um estudo avaliou a variação de espécies bacterianas no tecido intestinal, foram avaliados 30 pacientes adultos, idade de 19 a 58 anos fizeram uso de Cúrcuma longa foram dividios em três grupos de 10, sendo 10 alocados no grupo placebo, 10 em uso de Curcuma longa e 10 em uso de curcumina (tumeric), eles foram avaliados no inicio do estudos, 4 e 8 semanas depois, a analise foi feita por meio de fezes.

Resultados

    1. Houve quantidade aumentada de espécies bacterianas em todos os grupos, porém após o uso de longa e curcumina teve aumento em cerca de 2 a 100 vezes, as avaliações foram feitas pré e pós a ingestão da C. longa;
    2. O grupo placebo apresentou uma redução geral no número de espécies em 15% (175 iniciais versus 149 pós-tratamento médio);
    3. As respostas quanto a espécies foi de forma individualizada, porém pode-se obeservar elevação no numero de espécies em cada individuo, sugerindo efeitos da suplementação com os ativos sobre esse crescimento;
    4. Nenhum paciente relatou presença de efeitos adversos.

Estudo II

Ratos foram divididos em grupos e alimentados com uma dieta controle (CT), uma dieta rica em gorduras (HF) e dieta de conteúdo gorduroso associado ao extrato de Curcuma longa (0,1% de curcumina na dieta HF) associada com a pimenta branca (0,01%) durante quatro semanas.

Resultado

Apontam que doses nutricionais de Curcuma longa, associadas a pimenta branca, são capazes de diminuir a expressão citocinas inflamatórias no tecido adiposo, e este efeito pode ser ligado a um efeito direto de metabolitos bioativos que atingem o tecido adiposo, do que a partir de alterações na gut composição da microbiota.

Estudo III

Um estudo randomizado duplo cego controlado por placebo foi realizado com 80 pessoas diagnosticadas com câncer. Um grupo de 40 pessoas recebeu 180mg/dia de Curcuma longa, o outro grupo também com 40 pessoas recebeu placebo. Eles foram acompanhados durante 8 semanas para avaliar a interferência de mediadores inflamatórios.

Foram avaliados os níveis séricos de vários mediadores implicados na inflamação sistêmica, incluindo interleucinas 6 (IL-6) e 8 (IL 8), o TNF-α, fator de crescimento transformador-β (TGF-p), peptídeo da proteína C-reativa (hs-PCR), substância P e proteína quimiotáctica de monócitos-1 (MCP-1).

Resultado

Foi percebida significativa melhora com redução em TNF-α (p <0,001), TGF-p (p <0,001), IL-6 (p = 0,061), substância P (P = 0,005), hs-CRP (p <0,001), e MCP-1 (p <0,001) melhores resultados no uso de curcuminóides comparado ao grupo de placebo.

Estudo IV

Curiosamente, a suplementação com curcuminoides melhorou a qualidade de vida dos pacientes por taxas dramáticas. Além disso, a referida melhora foi acompanhada por um efeito de redução nos níveis circulantes de vários mediadores inflamatórios. Este foi um estudo simples cego, randomizado, controlado por placebo.

Total de 120 pacientes (37 do sexo masculino e 83 do sexo feminino) com osteoartrite primaria no joelho. Esses pacientes receberam placebo (400 mg duas vezes por dia), Curcuma longa (500 mg duas vezes por dia) ou sulfato de glucosamina (GS) (750 mg duas vezes por dia), isoladamente ou em combinação durante 42 dias.

A eficácia foi avaliada durante o período de tratamento, no dia 21 e o dia final do tratamento dia 42. Resultado O exame clínico da articulação afetada foi medido por um especialista ortopédico e usando uma escala Clínica Global de mudança de impressão (CGIC). A análise dos escores pós-tratamento após a administração de cúrcuma longa mostrou diminuição significativa (p <0,05) em comparação com placebo.

O grupo tratado mostrou uma diminuição no uso de medicação de resgate (significativo p <0,01), juntamente com melhora clínica e subjetiva em comparação com placebo. O estudo demonstra a segurança e eficácia da C. longa como uma opção de tratamento útil para pacientes com osteoartrite do joelho primária.

Referências

Na escrita do post fizemos o uso de algumas referencias de literaturas que se encontram neste Referências post.

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