Oleosidade da pele

Opções terapêuticas com potencial para controle da oleosidade da pele.

A oleosidade da pele

As glândulas sebáceas são as responsáveis pela produção de sebo, ou seja, pela oleosidade. O produto é uma mistura de lipídeos composto em sua maior parte por triglicérides (TG), ésteres de cera, esqualeno, ácidos graxos livres e pequena quantidade de colesterol. A intensidade da atividade da glândula é diretamente proporcional ao seu tamanho e depende de hormônios, sendo que a grande maioria é localizada atrás da orelha, na face, parte superior do tórax e lombar.

As principais células que compõem as glândulas sebáceas são os sebócitos, onde as células se desfazem e liberam o sebo através da secreção holócrina. O sebo é um fluido viscoso composto por esqualeno, ésteres de cera, triglicerídeos, ácidos graxos livres, ésteres de colesterol e esteróis livres (ENDLY & MILLER, 2017).

A princípio, a produção de óleos permite caracterizar a pele a oleosa ou seca. Sendo assim, uma diminuição na concentração de ácido linoleico tem sido observado em lipídeos da superfície da pele de pacientes com acne. Em particular, o seu nível foi encontrado razoavelmente reduzido em ésteres de cera, tornando razoável supor que o ácido linoleico está envolvido na síntese de lipídeos sebáceos (PICARDO et al., 2009; ENDLY & MILLER, 2017).

Porém, a quantidade da produção de sebo vai variar durante a vida de um indivíduo, estando presente desde o seu nascimento até o envelhecimento, quando é reduzido. Os hormônios tem participação na sua construção. Os andrógenos tem papel importante na sua constituição, sendo a 5 di-hidrotestosterona presente na diferenciação e proliferação das glândulas sebáceas e também na produção de sebo.

Uma característica do sebo em pacientes com acne é a presença de lipoperoxidos, principalmente devido a peroxidação do esqualeno, e pela diminuição dos níveis dos principais antioxidantes no sebo (MAHMOOD et al., 2013; ENDLY & MILLER, 2017).

Oleosidade da pele

Além disso, o sebo é vital para as barreiras epidérmicas e para a imunidade inata. Alguns fatores de risco para o desenvolvimento da oleosidade da pele são as estações do ano (verão e primavera), idade, sexo, dieta, pré-menopausa, clima úmido e alterações nos níveis de andrógenos.

Outro fator que pode impactar na produção de sebo é o tamanho dos poros da pele, que consequentemente influenciarão numa maior produção de sebo. Sendo assim, as opções para tratamento da pele oleosa requer mudanças de hábitos e ainda a aplicação de substâncias com potencial para reduzir a produção de sebo nas glândulas sebáceas (ENDLY & MILLER, 2017).

Terapias de uso tópico para a pele oleosa

Retinóides

Os retinóides estão entre as opções para tratamento tópico da oleosidade da pele, uma vez que este tratamento resulta na normalização da diferenciação e proliferação dos queratinócitos e do afrouxamento de sua adesão, levando ao desenvolvimento de uma pele mais seca, pele escamosa.

Sugere-se ainda que os retinóides de uso tópico conseguem atuar promovendo redução de sebo por meio de ligação aos receptores retinóides dos sebócitos, o que resultaria na diminuição do sebo através de supressão da produção dele.

Niacinamida

A princípio, a presença de sebo na face é responsável pelo brilho facial e pela formação de acne comedogênica e inflamatória. O uso de cosmecêuticos pode ser uma alternativa como coadjuvante na redução da produção de sebo.

Sendo assim, a utilização de niacinamida por administração tópica na concentração de 2% resultou em menor produção de sebo em indivíduos observados por estudos após duas e quatro semanas de uso da niacinamida (ENDLY & MILLER, 2017).

Estudiosos demonstraram o efeito da aplicação tópica de niacinamida 2% quanto às taxas de secreção de sebo em populações oriental e caucasiana.

110 indivíduos japoneses participaram do estudo, metade utilizou creme hidratante com niacinamida 2% e a outra metade placebo, durante 4 semanas. O grupo tratado apresentou redução significativa na taxa de excreção de sebo, após 2 e 4 semanas, mostrando o tratamento ser eficaz (DRAELOS et al., 2006; ENDLY & MILLER, 2017).

Chá verde (Camellia sinensis)

O chá verde possui componentes que são inibidores da 5-alfa-redutase e pode ser usado para tratamento da oleosidade da pele, pois tem ação na produção dos hormônios. Além disso, possui o polifenol epigalocatequina-3-galato que possui atividade anti-inflamatória e antioxidante.

Estudos apontaram para resultados significativos na redução de sebo em indivíduos que utilizaram o chá verde, sendo possível seu uso como uma alternativa para tratar a oleosidade da pele. O Lotus, uma típica planta histórica, também possui potente ação anti-inflamatória, imunomoduladora e antioxidante.

Logo, estudiosos avaliaram o controle da secreção de sebo em 22 pacientes, que foram divididos em 2 grupos: o grupo 1 (placebo) utilizou em um lado da face creme definido como placebo e o grupo 2 (creme com chá verde) também utilizou placebo de um lado e lótus associado ao chá verde (Camellia sinensis) do outro lado da face.

O estudo foi conduzido por 60 dias. Houve redução significativa na produção de sebo com a utilização do chá verde, porém a redução foi ainda maior quando associado ao lótus. Sendo assim, os dois extratos podem ser utilizados para tratar desordens de pele relacionadas a oleosidade (MAHMOOD et al., 2013; ENDLY & MILLER, 2017).

L-carnitina

Em um estudo foi investigado o efeito da β-oxidação e o conteúdo lipídico intracelular in vitro, utilizando linhagem (SZ95) de células sebáceas humanas. Experiências de penetração utilizando pele de porco como sistema de modelo foram realizados com uma formulação cosmética contendo L-carnitina marcada radioativamente. Para determinar os efeitos in vivo foi utilizado um veículo controle e formulação cosmética contendo L-carnitina 3%, por 3 semanas (PEIRANO et al., 2012).

As células SZ95 tratadas com 0,5% ou 1% de L-carnitina demonstraram um aumento dependente da concentração significativa da β-oxidação, em comparação com células de controle. O tratamento com L-carnitina diminuiu significativamente as concentrações de lipídeos intracelulares de uma forma dose dependente, em comparação com células de controle não tratadas.

Além disso, em experiências de penetração na pele, a aplicação tópica de L-carnitina atingiu a derme. Sendo assim, a aplicação tópica in vivo de uma formulação que contém 2% de L-carnitina durante 3 semanas reduziu significativamente a taxa de secreção de sebo em comparação com o tratamento com o veículo.

Portanto, os resultados mostram que o tratamento de sebócitos humanos com L-carnitina aumenta significativamente a β-oxidação e diminui significativamente o teor lipídico intracelular em sebócitos humanos. Topicamente aplicado, a L-carnitina é biodisponível e leva a uma redução significativa de sebo in vivo.

Em conclusão, a L-carnitina constitui um valioso composto, produzido naturalmente no interior do corpo, para o tratamento tópico de pele oleosa, em seres humanos (PEIRANO et al., 2012; ENDLY & MILLER, 2017).

Matipure

O Matipure é um complexo de micropartículas lipídicas, derivado do óleo das sementes de Nigella sativa e abóbora, que promove alta absorção de sebo, sem deixar a pele ressecada, promovendo instantaneamente o efeito “mate”. O óleo extraído das sementes de Nigella sativa é rico em ácidos graxos insaturados, particularmente o ácido linoleico, que possuem propriedades emoliente, antibacteriana e anti-inflamatória (RAMADAN et al., 2002).

O óleo da semente de abóbora contém alto teor de vitamina E, fitoesteróis que atuam sobre a inibição da biossíntese de prostaglandina, reduzindo a inflamação. Predominam ácidos graxos como ácido linoleico, oleico, palmítico e esteárico. As partículas de Matipure tem a capacidade de adsorver grande quantidade de óleo da superfície da pele (STEVENSON et al., 2007).

Efeito matificante e redutor de oleosidade

Para avaliação da eficácia do Matipure in vivo foram selecionados 10 voluntários com pele oleosa. Os voluntários aplicaram do lado direito da testa uma emulsão contendo Matipure 2%, e do lado esquerdo, a área não foi tratada.

Dessa forma, os resultados mostram um efeito matificante imediato, reduzindo a oleosidade instantânea, além de promover uma redução da oleosidade de 40% após 1 hora da aplicação do matipure, chegando a redução a ser negativa para a produção e sebo após 4 horas da aplicação, quando comparado com a o zona de referência (Literatura do fornecedor).

Avaliação in Avaliação in vivo da eficácia de Matipure em reduzir a oleosidade da pele.

Tratamento de uso sistêmico para tratar a oleosidade da pele

Isotretinoína

A isotretinoína, também conhecida como ácido 13 cis-retinóico, apresenta resultados significativos e satisfatórios na supressão das glândulas sebáceas. Seu uso leva à diminuição das glândulas e à redução da secreção de sebo, sendo a redução de sebo taxada em cerca de 90% com uso da isotretinoína e, dessa forma, apresentando-se como uma alternativa excelente para indivíduos com produção excessiva de sebo.

A redução se sebo é tida como resultado satisfatórios, porém esta encontra-se acompanhada de efeitos colaterais consideráveis e incômodos aos pacientes:

  • Pele seca de modo globalizado;
  • ressecamento e rachaduras nos lábios;
  • Ressecamentos no globo ocular;
  • Infecções de pele secundárias;
  • Teratogenicidade, sendo um risco para mulheres em idade fértil.

 

Para ajudar a prevenir estes riscos adversos graves, as mulheres sexualmente ativas devem usar dois métodos de contracepção, sendo o teste de gravidez é necessário para todas as pacientes do sexo feminino com potencial para engravidar no início da terapia e mensalmente até a conclusão desta (ENDLY & MILLER, 2017).

Espironolactona

O uso da espironolactona, poupador de potássio, mostrou reduzir diretamente a produção de sebo quando utilizado a dosagens um pouco mais altas, pois atua como um bloqueador dos receptores de andrógenos e por meio de inibição da 5 alfa redutase. Os sebócitos humanos possuem 5a-redutase tipo 1, responsável pela conversão da testosterona em potente andrógeno 5a-dihidrotestosterona (DHT).

Sendo assim, este andrógeno desempenha um papel importante na indução da proliferação de sebócitos e, dessa forma, inibindo a produção de DHT e impedindo a testosterona e a DHT de se ligarem aos sebócitos. Além disso, foi provado que a espironolactona inibe a proliferação de sebócitos de modo dose dependente.

Além de seus efeitos benéficos sobre a inibição dos sebócitos, é possível perceber efeitos adversos principalmente nas mulheres com ciclo menstrual irregular e hipercalcemia, podendo ser útil para mulheres saudáveis para controle da expressão abundante de sebo (ENDLY & MILLER, 2017).

Contraceptivos orais

Os contraceptivos orais são uma alternativa para aquelas mulheres que tem a pele oleosa, pois atuam promovendo a redução de andrógenos nos ovários e nas glândulas adrenais e aumentam a ligação de hormônios sexuais a globulina, reduzindo assim, a quantidade de testosterona livre. Vários estudos apontam que os contraceptivos orais conseguem efetivamente reduzir a oleosidade da face.

É importante considerar que o risco de tromboembolismo venoso é potencial. Outros efeitos dos contraceptivos orais incluem náuseas, sensibilidade mamária e fluxo menstrual intenso. A escolha do contraceptivo oral deve ser conduzida de modo a limitar e impedir o aparecimento de efeitos adversos comuns, permitindo uma terapia satisfatória em seus resultados (ENDLY & MILLER, 2017).

A pele oleosa é uma queixa ouvida nos consultórios dermatológicos. O funcionamento adequado das glândulas sebáceas, além de ser importante nas barreiras cutâneas, pode ser problemática quando a produção é abundante e excessiva. A avaliação para alcançar resultados satisfatórios com a terapêutica deve ser individualizada e visando atender as necessidades de cada paciente, propiciando alívios e melhora do quadro apresentado no dia a dia, sendo pertinente considerar suas vantagens e desvantagens (ENDLY & MILLER, 2017).

 

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Referências

    1. Draelos ZD, Matsubara A, Smiles K. The effect of 2% niacinamide on facial sebum production. J Cosmet Laser Ther. 8(2), 96-101, 2006.
    2. Endly D C, Miller R A. Oily Skin: A review of Treatment Options. J Clin Aesthet Dermatol. 10(8), 49-55, 2017.
    3. Mahmood T, Akhtar N, Moldovan C. A comparison of the effects of topical green tea and lotus on facial sebum control in health humans.Hippokratia. 17, 1, 64-67, 2013.
    4. PeiranoRI, Hamann T, Dusing HJ, Akhiani M, Koop U, et al. Topically aplied L-carnitine effectively reduces sebum secretion in human skin.J Cosmet Dermatol. 11(1), 30-36, 2012.
    5. Picardo M, Ottaviani M, Camera E, Mastrofrancesco A. Sebaceous gland lipids. Dermatoendocrinol. 1, 68-71, 2009.
    6. Ramadan MF, Mã JT, Morsel N. Characterization of phospholipid composition of black cumin (Nigella sativa L.) seed oil. Nahrung .Die Nahrung. 46, 4. 240-44, 2002.
    7. Stevenson DG, Eller FJ, Wang L, Jane JL, Inglett GE. Oil and tocopherol content and composition of pumpkin seed oil in 12 cultivars. Journal of Agricultural and food chemistry. 55, 10, 13-40, 2007.

 

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