Alopecia.,The,Head,Of,A,Man,With,Thinning,Hair

De acordo com a fisiologia, os receptores androgênicos (ARs) tem influência em diferentes mecanismos, como, por exemplo, aumento da oleosidade cutânea, devido à hiperatividade das glândulas sebáceas, sebócitos, dando origem então a acne, de modo semelhante os andrógenos tem influência também no desenvolvimento da miniaturização folicular em células da papila dérmica. A utilização de antagonistas de receptores andrógenos, como é o caso da clascoterona, tem se mostrado uma nova abordagem terapêutica de uso tópico com excelentes resultados na melhora da perda capilar. 

Primordialmente, os andrógenos (testosterona e di-hidrotestosterona (DHT)) circulantes e sintetizados endogenamente no tecido cutâneo estão envolvidos, principalmente, com o aumento da produção de oleosidade na pele e com a miniaturização folicular a perda capilar.

Qual a relação de andrógenos com a alopecia androgenética 

Em princípio, a alopecia androgenética, também conhecida como calvície, tem sua incidência aumentada com o passar dos anos, todavia, em casos mais graves, pode ter início na adolescência. Primordialmente, essa forma de alopecia é chamada, androgenética, porque possui interação com dois fatores:

  • Hormônios andrógenos

Os receptores andrógenos (AR), encontram-se localizados, principalmente:

  • No citoplasma epidermal
  • Em queratinócitos de células da papila dérmica
  • Na camada basal da glândula sebácea
  • Fibroblastos da derme.

Quais os prejuízos do aumento dos níveis de andrógenos

Aumento das concentrações de andrógenos, é uma das condições, primordialmente encontradas no público masculino, em contrapartida, encontra-se em menores níveis em mulheres. Todavia, em condições de algumas patologias, como, por exemplo, o hiperandrogenismo, que tem a necessidade de ser corrigido com o uso de  inibidores de 5-alfa redutase ou antagonista de receptores de andrógenos.

  • Predisposição genética 

Ademais, a perda de cabelo é principalmente, ligada a fatores genéticos que predispõe o aparecimento da queda de cabelo, podendo aparecer precocemente na adolescência e em alguns casos de modo tardio, por volta dos 40 a 50 anos. 

Dhurat et al., 2020

Potencial dos andrógenos  

Oleosidade cutânea

Em síntese, os hormônios andrógenos, a testosterona e sua forma biologicamente ativa, a DHT, ligam-se ao AR e direciona vias de transcrição, o que consequentemente, estimula a hiperatividade da glândula sebácea, tendo por conseguinte, abundante produção de sebo como também de mediadores inflamatórios.

Miniaturização folicular

Além disso, altas concentrações, especialmente o DHT, de conformidade com a sua atuação localizada, com efeito, acumulá-se na papila dérmica (folículo piloso), e consequentemente, induz a miniaturização folicular, e este é o fator, especialmente, responsável pelo aparecimento da AGA.

Decerto, na prática clínica para tratamento da AGA, é utilizado inibidores de andrógenos de uso oral como, por exemplo, a finasterida e a dutasterida, todavia, a sua atuação sistêmica bem como os consequentes efeitos adversos limitam seu uso.

Pesquisas recentes trouxeram ao mercado dermatológico, a clascoterona, que, com efeito, tem demonstrado ser um potente antagonista de receptor de andrógeno aplicação tópica.

Sun & Sebaratnam, 2020; Hebert et al., 2020; Santhosh et al., 2021

Potente inibidor de receptor de andrógeno para tratamento da acne e da alopecia androgenética tanto no público masculino quanto no feminino

O que é a clascoterona 

Nome químico: 17-propionato de cortexolona

Com efeito, recentemente, foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA),  a clascoterona, primeiro agente antagonista de receptor androgênico de uso tópico para tratamento da alopecia androgenética, que tem ademais se mostrado uma alternativa segura, eficaz e bem tolerada pelos pacientes.  

Clascoterona- Antiandrogênico de ação local

A clascoterona, é uma nova abordagem terapêutica de uso local, que tem como alvos os receptores androgênicos, limitando o alcance sistêmico, como também o aparecimento de efeitos adversos.

Em resumo, estudos iniciais de estrutura-atividade, sugerem que os derivados da 17-propionato de cortexolona (clascoterona) exibiram somente efeitos antiandrogênicos em locais específicos (no local da aplicação) com mínimos efeitos sistêmicos, o que a torna, uma excelente opção terapêutica para a alopecia. 

Clascoterona- Terapêutica antiandrogênico de uso local para tratar a alopecia androgenética

Mecanismo de atuação da clascoterona

A testosterona livre, é convertida em DHT pela enzima 5-α redutase. O acúmulo de DHT estimula a miniaturização do folículo capilar na papila dérmica, resultando em, diminuição de pelos terminais, e com isso, evidencia a perda capilar, ilustrado na figura 1. 

1- Mecanismo de ação da clascoterona na alopecia androgenética

Clascoterona na AGA

Fonte: Sun & Sebaratnam, 2020
Dhillon, 2020, Eichenfield et al ., 2020; Kalabalik-Hoganson et ai ., 2021;  Santhosh et al., 2021 ; Kircik, 2021

Inibição do receptor de andrógeno

Os andrógenos, testosterona e DHT, ligam-se ao AR, formando um complexo receptor-ligante que interage com elementos de resposta em regiões controladas por genes. Da mesma forma, devido a sua alta afinidade pelos receptores andrógenos a clascoterona se liga ao receptor em vez do andrógeno, e assim, bloqueia os efeitos da testosterona e da di-hidrotestosterona (DHT), no local aplicado.

A clascoterona se liga ao receptor em vez do andrógeno (DHT), e assim, impede a miniaturização folicular no local aplicado

O uso de clascoterona é contraindicado se houver na pele

  • Prurido 
  • Queimação
  • Após peeling 

Em casos de aparecimento de algum destes sintomas, descontinuar o uso  de clascoterona.

Possíveis reações adversas

  • Ressecamento no local de aplicação
  • Eritema 
  • Dermatite de contato
  • Irritação ocular
  • Abscesso peritonsilar
  • Cefaleia
Hebert et al ., 2020

Estudo

Clascoterona  na melhora da alopecia androgenética em mulheres

Em suma, um estudo de fase II, desenvolvido pela Cassiopea (2021) com 293 mulheres, com idade de 18 a 55 anos, com alopecia androgenética. Em contrapartida, para comparação de feito terapêutico como também de resultados, parte das pacientes fizeram uso de placebo (veículo) e outro grupo de minoxidil a 2%.

Ademais, avaliou-se a eficácia e segurança ao uso de clascoterona nas doses de 5 a 7,5%, com aplicação 2 vezes ao dia por 6 meses para tratamento da alopecia.

Como resultado

  • Alto potencial terapêutico para tratar a alopecia androgenética em indivíduos do sexo masculino e feminino;
  • A incidência de efeitos adversos foi similar em todos os grupos (minoxidil, placebo e clascoterona);
  • A utilização de clascoterona mostrou ser um produto de fácil aceitabilidade e aplicação;
  • Os resultados terapêuticos (inibidor de receptor de andrógeno de uso tópico) e os efeitos adversos mostraram-se semelhantes, aos resultados de outros estudos.

Em conclusão

De conformidade com o seu potencial inibidor de receptores androgênicos, a clascoterona é um novo medicamento disponibilizado para tratamento de desordens antiandrogênicas no sistema cutâneo. Sua utilização tem apresentado resultados promissores e bem sucedidos na terapêutica da perda capilar e também da acne.

Portanto, a clascoterona de uso tópico tem sido apontada como uma terapêutica antiandrogênica eficiente na redução da miniaturização folicular em casos de alopecia androgenética, com mínimo alcance sistêmico, e consequentemente, sem efeitos adversos.

Clascoterona- Eficaz na terapêutica antiandrogênica de uso tópico contra a alopecia androgenética

Referências utilizadas

Dhillon, S. (2020). Clascoterone: Primeira Aprovação. Drugs, 80(16), 1745-50. 

Dhurat, R., Sharma, A., Rudnicka, L., Kroumpouzos, G., Kassir, M., Galadari, H., … Goldust, M. (2020). 5-alpha Reductase Inhibitors in Androgenetic Alopecia: Shifting Paradigms, Current Concepts, Comparative Efficacy and Safety. Dermatologic Therapy.

Eichenfield, L., Hebert, A., Gold, L. S., Cartwright, M., Fragasso, E., Moro, L., & Mazzetti, A. (2020). Open-Label, Long-Term Extension Study to Evaluate the Safety of Clascoterone (CB-03-01) Cream, 1% BID in Subjects with Acne Vulgaris. Journal of the American Academy of Dermatology.

Kalabalik-Hoganson, J., Frey, K. M., Ozdener-Poyraz, A. E., & Slugocki, M. (2021). Clascoterone: A Novel Topical Androgen Receptor Inhibitor for the Treatment of Acne. Annals of Pharmacotherapy, 55(10), 1290–1296.

Kircik, L. H. (2021). Androgens and acne: perspectives on clascoterone, the first topical androgen receptor antagonist. Expert Opinion on Pharmacotherapy, 22(13), 1801–1806.

Hebert, A., Thiboutot, D., Stein Gold, L., Cartwright, M., Gerloni, M., Fragasso, E., & Mazzetti, A. (2020). Efficacy and Safety of Topical Clascoterone Cream, 1%, for Treatment in Patients With Facial Acne: Two Phase 3 Randomized Clinical Trials. JAMA dermatology156(6), 621-30.

Santhosh, P., & George, M. (2021). Clascoterone: a new topical anti‐androgen for acne management. International Journal of Dermatology.

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