Boswellia serrata

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A Boswellia serrata possui uma goma resina que abriga óleos essenciais e terpenóides e é conhecida como salai guggal, olibanu indiana e incenso indiano.

É obtida a partir da goma de arvores do gênero Boswellia (família Burseraceae). Dentro disto, a Boswellia serrata é considerada um anti-inflamatório natural.

Tem sido utilizada para fins terapêuticos no tratamento de artrite e outras doenças inflamatórias dentro da medicina tradicional, além de ter sido aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) e pelo conselho europeu para uso alimenticio.

Além da sua conhecida atividade anti-inflamatória (para artrite, asma, colite), ácidos boswélicos foram extensivamente investigados quanto aos seus efeitos quimiopreventivos. Tem boa tolerância, possui numero reduzido de efeitos adversos e seus níveis sanguíneos aumenta quando ingerida junto com uma alimentação rica em lipidios (NAHID et al., 2012; HARTMANN et al., 2014; AMON, 2016).

Os principais ativos identificados na Boswellia serrata são terpenoides, compostos fenólicos, flavonoides e saponinas do tipo triterpenos pentacíclicos, denominadas ácidos boswélicos, especialmente acetil-11-ceto-ácido boswélico β que são potentes inibidores da 5-lipoxigenase (SAFAYHI et al., 1992; GRUPTA et al.,1997; MEHRZARDI et al., 2018; AHANGARPOUR et al., 2014). Remédios Estudos apontaram que o uso de Boswellia serrata tem indicado que esta espécie pode ser responsável por redução dos níveis de glicose, levando a prevenção de reações oxidativas associadas à glicosilação de proteínas devido as propriedaes de eliminação de radicais livres ou propriedades antioxidantes.

Além destes, outros estudos indicam um potencial hepatoptotetor e que a Boswellia serrata pode levar a diminuição da produção de óxido nítrico. Indicios benéficos também apontam para aumento de HDL e redução de LDL em pacientes diabéticos tipo 2 (AHANGARPOUR et al., 2014).

Segundo Ahangarpour e colaboradores (2014) em estudos sobre benefícios no uso da Boswellia serrata, esta pode permitir a restauração das células β em pacientes diabéticos, proporcionando um melhor gerenciamento dos níveis de glicose.

Bowsellia serrata pode melhorar certos níveis de fatores bioquímicos, mantendo-os próximos aos normais.

Uma revisão foi realizada sobre 64 estudos publicados até 2010 sobre a atividade anti-inflamatórias da Boswellia serrata e seus possíveis mecanismos de ação, com isso foi possível perceber que a revisão indica perceber Boswellia é capaz de inibir a síntese da enzima pró-inflamatória 5-lipoxigenase e em contraste com os fármacos anti-inflamatórios antiflamatórios não esteroidais (AINE’s).

Também há indícios que Boswellia serrata pode reduzir significativamente a degradação de glicosaminoglicanos (SIDDIQUI, 2011).

Mecanismo de ação

Os principais constituintes ativos são os ácidos boswellicos que são capazes de inativar de modo especifico a 5-lipoxigenase, levando ao bloqueio dos mediadores da inflamação (NAHID et al., 2012; HARTMANN et al., 2014).

Sua atividade anti-inflamatória da mistura de ácidos, aonde o ácido boswellic é o maior componente mostrou impedir edema em torno de 25 a 46% em pata de ratos e reduzir de 45-67% a atividade antiartrítica. A fração foi efetiva em ambos os adjuvantes artrite (35-59%), bem como artrite estabelecida (54-84%) e ainda mostrou efeito antipirético (UPAGANLAWAR & GHULE, 2009).

O ácido boswélico de B. serrata impede a formação de leucotrienos B4, sendo este um importante mediador de reações inflamatórias, conseguindo alcançar uma redução de cerca de 35% de inibição da inflamação (AMAM & GHULE, 2009). Estrutura

Figura: Estrutura de derivados de ácido boswéllico isolado (GOLBABAIE et al., 2013)

Além da sua principal ação, acima citada, de uma forma menos potente, os ácidos boswélicos podem inibir a ativação de receptor do tipo Toll (TLR) mediada por monócitos e também realizar uma supressão da produção de oxido nítrico induzida por LPS (SAFAYHI et al., 1992; GRUPTA et al.,1997; WANG et al., 2014).

Indicação e benefícios

    • Tratamento da artrite reumatoide e artrose;
    • Tratar osteoartrite;
    • Ajuda no tratamento de desordens inflamatórias gastrintestinais;
    • Potente ação anti-inflamatória;
    • Reduz a produção de citocinas pró-inflamatórias;
    • Previne perda de tecidos e células do organismo.

 

Estudos

    • Estudo I

Um estudo utilizando 25 ratos foi realizado para avaliar a capacidade anti-inflamatória da B. serrata. Os ratos receberam 34,2 mg/Kg/dia dois dias antes, dois depois da indução a colite por ácido acético.

Resultado

O pré-tratamento e o tratamento exibiram uma significativa redução da peroxidação de lipídios, óxido nítrico, iNOS e mostrou melhorias no tecido lesionado.

    • Estudo II

Boswellia serrata foi investigada em monocamadas de células epiteliais do cólon expostas a H2O2 ou INF-γ + TNF-α, escolhidos como modelo experimental de inflamação intestinal in vitro.

Resultado

Mostram que a Boswellia não só reduziu os níveis de espécies reativas ao oxigêno (ROS) intracelulares basal, mas também neutralizou significativamente o aumento da geração de ROS induzidos pelo estímulo oxidativo (CATANZARO et al., 2015).

    • Estudo III

Estudo foi realizado para investigar o potencial anti-inflamatório do fitoterápico Boswellia serrata, estudando o efeito do extrato bruto e o composto puro isolado em mediadores inflamatórios importantes, utilizando células humanas e de camundongos em meio de cultura.

Resultado

Os resultados demonstraram que todas as três citoquinas (TNf alfa, IL1, IL6) são reguladas negativamente, quando as células foram cultivadas na presença de extrato bruto ou mesmo na presença do composto puro em vários pontos avaliados ao longo do tempo podê-se perceber os efeitos de inibição (MOREILLON et al., 2013).

    • Estudo IV

Avaliou-se 85 participantes tratados com 100mg de   extrato de Boswellia durante 90 dias visou avaliar a resposta do extrato a pessoas com osteoartrite. Todas as pessoas melhoraram em comparação com placebo.

A avaliação foi realizada através de uma escala de pontos de 0 a 100 (0 ausencia de dor). A dor média de pacientes utilizando placebo foi de 40 pontos quando comparado aoss indivíduos que receberam Boswellia serrata que tiveram sua dor reduzida para uma média de 17 pontos na escala (CAMERON et al., 2014).

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