O papel da Coenzima Q10 na saúde

Coenzima Q10 e Mialgia

As estatinas são amplamente utilizadas por pacientes com risco cardiovascular e seus benefícios podem ser explicados pela sua capacidade de inibir a redutase da HMG- Coa redutase, inibindo a via do mevalonato e posteriormente a formação de colesterol. No entanto, a inibição da via do mevalonato diminui a formação de coenzima Q10 dentro do corpo.

Essa diminuição da coenzima Q10 leva a um quadro de mialgia nesses pacientes o que pode levá-los a abandonar o tratamento (DINICOLANTONIO, 2012).

Devido a isso um estudo avaliou a administração da Coenzima Q10 em 28 pessoas (18 mulheres e 10 homens) e tratados com diferentes tipos e doses de estatina. Fraqueza muscular e dor foram monitoradas utilizando uma escala de um a dez, em que os pacientes expressaram o seu grau de inconveniência. Um exame de problemas musculares foi realizado antes da administração da coenzima Q10 e 3 e 6 meses após a administração. Os resultados mostraram que a dor diminuiu em média 53,8 %  e fraqueza 44,4% após administração de seis meses de coenzima Q10 ( ZLATOHLAVEK et al, 2012).

Coenzima Q10 e Doenças Neurodegenerativas

A Coenzima Q10 (CoQ) é amplamente estudada como tratamento para condições associadas a doenças neurodegenerativas em idosos. No entanto, nenhum estudo determinou se a suplementação, quando iniciada num período mais tardio da vida, pode ter efeitos benéficos sobre leves deficiências funcionais associados ao envelhecimento do cérebro. Por isso, Shetty et al.(2012), fizeram um estudo que sugere que a suplementação de CoQ10 melhora a aprendizagem espacial e atenua os danos oxidativos da senescência , quando administrados em doses relativamente elevadas.  Assim, em idosos com sintomas de declínio cognitivo a ingestão de Coenzima Q10 é benéfica.

A doença de Parkinson (DP) é a segunda  desordem mais comum associada ao envelhecimento no mundo, depois da doença de Alzheimer. Caracteriza-se pela perda progressiva de neurônios dopaminérgicos, levando à deterioração motora, disfunção cognitiva e demência. Os métodos de tratamento atuais, tais como L-dopa, são terapias focadas apenas no alívio de sintomas e retardo da progressão da doença. Até o momento, não há nenhuma cura conhecida para a DP o que torna a prevenção muito importante. Mais de uma década de pesquisa revelou uma série de fatores de risco, incluindo o estresse oxidativo e disfunção mitocondrial. Além disso, numerosos produtos nutracêuticos, foram encontrados a fim de atenuar estes fatores de risco, prevenindo ou retardando a progressão da DP. Estes incluem vitaminas C, D, E, coenzima Q10 , creatina, ácidos graxos insaturados, compostos contendo enxofre, os polifenóis e fitoestrógenos. Portanto, o uso desses nutracêuticos associado ao tratamento convencional tem papel importante no tratamento da DP ( CHAO et al, 2012).

Para avaliar a evidência de que a coenzima q10 pode proteger o dano cerebral (sistema nigroestriatal dopaminérgica) em indivíduos com doença de Parkinson foram feitos ensaios clínicos randomizados sobre a eficácia e segurança do tratamento com coenzima Q10. Constatou-se que a Coenzima Q10 1200 mg / dia durante 16 meses, foi bem tolerado pelos pacientes com a doença de Parkinson protegendo o cérebro (LIU, 2012).

Coenzima Q 10 e Enxaqueca

Markley (2012) realizou uma revisão da literatura que sustenta que a enxaqueca está associada a uma generalizada alteração metabólica da mitocôndria, levando ao uso de riboflavina e coenzima Q10 como tratamento profilático para enxaqueca. E depois de obtidos dados de estudos neurofisiológicos extensivos concluiu-se que o tratamento de encefalomiopatias metabólicas com doses farmacológicas de riboflavina e coenzima Q10 demonstraram efeitos positivos. O mesmo tratamento foi aplicado à enxaqueca, o que dá um suporte clínico para a teoria de que a enxaqueca é uma doença mitocondrial

Coenzima Q10 e Diabetes

 

Foi realizado um estudo a fim de examinar os efeitos clínicos da suplementação da forma reduzida de CoQ10, o Ubiquinol, e os efeitos na redução da glicose em pacientes com diabetes tipo 2. Nove indivíduos (três homens e seis mulheres) com diabetes tipo 2 e que utilizam a medicação convencional foram recrutados. Eles foram designados a receber uma dose oral de 200 mg/dia de ubiquinol durante 12 semanas. O efeito da ubiquinol sobre a pressão arterial, perfil lipídico, glicemia, estresse oxidativo e inflamação foram examinados antes e após a suplementação do mesmo. Além disso, cinco voluntários saudáveis ​​foram também designados a receber uma dose oral de 200 mg/dia de ubiquinol  durante 4 semanas para examinar os efeitos do ubiquinol sobre a secreção de insulina. Em pacientes com diabetes, não foram observadas diferenças em relação à pressão arterial, perfil lipídico, marcador de estresse oxidativo e marcadores inflamatórios. No entanto, houve melhorias significativas nos níveis de hemoglobina glicada (53,0 ± 4,3-50,5 ± 3,7 mmol / mol, P = 0,01) (7,1 ± 0,4 a 6,8 ± 0,4%, P = 0,03). Em voluntários saudáveis, o índice insulinêmico (0,65 ± 0,29 na 1,23 ± 0,56, P = 0,02) e a razão de insulina para pró-insulina foram significativamente melhorados (3,4 ± 1,8 para 2,1 ± 0,6, P = 0,03). Os resultados do estudo são consistentes com a sugestão de que a suplementação de ubiquinol em pacientes com diabetes do tipo 2, além de medicamentos anti-hiperglicêmicos convencionais, melhora o perfil glicêmico através do aumento da secreção de insulina ( MEZAWA et al, 2012).

Coenzima Q 10 e Reprodução

Safarinejad et al(2012), investigaram os efeitos da administração de ubiquinol(a forma reduzida de coenzima Q10 sobre parâmetros seminais e capacidade antioxidante do plasma seminal em homens inférteis com oligoasthenoteratozoospermia idiopática. Um total de 228 homens com infertilidade inexplicada foram aleatoriamente separados em 2 grupos. Grupo 1 (114) recebeu 200 mg ubiquinol diariamente por via oral durante 26 semanas e o grupo 2 (114) receberam um regime semelhante ao placebo. Os resultados principais foram a melhoria na densidade de espermatozóides, motilidade e morfologia espermática estrita.  O que sugere que o Ubiquinol foi significativamente eficaz em homens com oligoasthenoteratozoospermia inexplicável para melhorar a densidade de espermatozóides, a motilidade e morfologia espermática.

Coenzima Q 10 e Câncer

Baixos níveis circulantes de coenzima Q10 (CoQ10) foram associados com a incidência de risco aumentado de câncer de mama. Foram examinados a concentração CoQ10 no plasma com o risco de câncer de mama em um estudo caso-controle de mulheres chinesas dentro de Estudo de Mulheres de Xangai Saúde (SWHS). Amostras de plasma de 340 casos de câncer e 653 controles foram analisados. E os resultados mostraram que os nivéis circulantes Coenzima q10 foram baixos na população com câncer comparado ao grupo controle. O que sugere a associação da Co Q10 no câncer de mama ( COONEY etal, 2012).

Coenzima Q10 Diminui a Nefrotoxicidade causada pela Ciclosporina

A ciclosporina é um imunossupressor potente, porém pode apresentar efeitos nefrotóxicos que pode ser neutralizada com administração da coenzima Q10. Um estudo avaliou a utilização da forma reduzida da coenzima Q10 o , Ubiquinol,  sobre os efeitos da ciclosporina. E a conclusão foi que a forma reduzida da coenzima Q10 pode evitar ou minimizar a nefrotoxicidade da ciclosporina por um efeito antioxidante ( SATO, 2012).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Chao, J et al. Nutraceuticals and its potential therapeutic or preventative value in Parkinson’s disease. Rev. Nutr.Jul, 2012 .

Cooney, RV et al. Low plasma coenzyme Q(10) levels and breast cancer risk in Chinese women. Cancer Epidemiol Biomarkers. 2011.

Dinicolantonio JJ CoQ10and L-carnitine to myalgiastatin? Expert Rev Cardiovasc Ther. Out,2012.

Liu, J et al.CoenzymeQ10 forParkinson’s disease. Cochrane Database Syst Rev. 2012.

Markley HG . Coenzyme Q10 and riboflavin: the mitochondrial connection. Headache in October 2012.

Mezawa, M et al. The reduced form of coenzyme Q10 improves glycemic control in patients with type 2 diabetes: an open label pilot study. Biofactors. 8 de agosto 2012.

Safarinejad, MR et al. Effects of reduced form of coenzyme Q10 (ubiquinol) on semen parameters in men with idiopathic infertility: a double-blind, placebo-controlled randomized study. . J Urol 2012 .

Sato ,T et al. Effect of the reduced form of coenzyme Q10 in the nephrotoxicity of cyclosporin.Transplant Exp Clin. 2012.

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Shetty, RA et al. Coenzyme Q (10) supplementation reverses age-related deficiencies in spatial learning and reduces oxidation of proteins. Age  (Dordr). 2012 .

Zlatohlavek, L et al.The effectof coenzymeQ10onstatinmyopathy. Neuro Endocrinol Lett. 2012 .

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